Habitação

Como pode poupar para comprar casa

Comprar uma casa é o sonho de muitas famílias. No entanto, esta compra torna-se difícil de alcançar sem uma poupança.

A compra de uma casa é um passo que deve ser bem estudado e planeado. Isto porque, muitas vezes, pensamos que para comprar uma casa basta escolher qual queremos, pedir o crédito ao banco e já está. Mas não... comprar uma casa representa um conjunto de passos que devem ser medidos e de perguntas para as quais deve ter resposta. 

Por exemplo, já se perguntou até que valor pode ir e se tem dinheiro para a entrada desse imóvel? É verdade! Antes de avançarmos nas dicas para conseguir poupar, relembramos que, neste momento, não existem financiamentos a 100% e que os custos que vai ter na aquisição da casa vão muito para além do óbvio. Isto é, para além do valor da entrada, tem que contabilizar os custos da avaliação, o IMT e todos os custos processuais. 

Se não tiver nenhuma ajuda de terceiros, nem o capital já disponível para comprar uma casa, vai ter que poupar para conseguir alcançar este objetivo.  

Assim à primeira vista, conseguir o tal pé de meia pode parecer uma tarefa impossível, mas não é. Nada como esforço, disciplina e colocar as dicas que se seguem em prática.  

Leia ainda: Como preparar financeiramente a compra da primeira casa?

Verifique se é elegível para crédito 

assinar contrato casa

É muito comum escolher primeiro a casa e só depois ir até ao banco. No entanto, deve ser o oposto. Antes de começar a procurar um imóvel e até mesmo de estipular o que pretende poupar, é necessário que verifique, junto das entidades bancárias, se é, ou não, elegível para crédito. Para além disso, se não sabe qual o seu "teto" máximo de financiamento, o banco vai dizer ainda qual o valor máximo de aquisição que a sua situação financeira permite, de forma a que o crédito seja aprovado.  

Se não for elegível, e como ainda precisa de fazer uma poupança para conseguir cumprir este objetivo, pode aproveitar para fazer os ajustes necessários para que, da próxima vez, o seu crédito seja aprovado. Estes ajustes podem passar por reduzir a taxa de esforçomudar para um emprego que ofereça melhores condições, conseguir a efetividade, pedir um aumento ou pensar em formas de ganhar um rendimento extra.  

Neste período, e até contratar um crédito habitação, procure as melhores condições de financiamento junto de várias entidades bancárias, ou peça ajuda a um intermediário de crédito. Não contrate um crédito num banco, porque é o seu banco de toda a vida, ou porque foi o primeiro a que se dirigiu. Faça as contas e pense que a sua prestação mensal ao banco não deve ultrapassar 1/3 do seu rendimento mensal.

Leia ainda: Dicas para que o seu crédito habitação seja aprovado

Defina objetivos quantificáveis  

Depois de falar com o banco, como já vai ter uma noção de qual é o seu valor máximo de aquisição (segundo as suas condições do momento, claro), já pode começar a fazer contas de quanto vai precisar para a entrada e outros custos, bem como definir o valor de poupança que precisa fazer.  

Estes objetivos devem ser concretizáveis e facilmente quantificáveis. Por exemplo, imagine que quer comprar uma casa na ordem dos 180 mil euros. Se for preciso recorrer a um crédito bancário terá de ter 18 mil euros de capitais próprio. Isto porque os bancos emprestam, no máximo, 90% do valor da casa. Ora, para comprar uma casa deste valor, no espaço de 5 anos, seria necessário amealhar em média 3.600€ por ano, o que representa cerca de 300€ mensais.  

As questões que se deve fazer após fazer estas contas é: "consigo poupar este valor mensalmente? Devo redefinir os objetivos? Ou devo, por exemplo, conseguir rendimentos extra?". E é aqui que entra a elaboração de um planeamento financeiro.  

Faça um planeamento financeiro  

Livro para planear o mês com um telemóvel e notas ao lado

Depois de fazer contas, perceber qual o possível valor do imóvel e saber o que precisa poupar, é hora de analisar o seu orçamento familiar. Aqui deve avaliar quais os seus rendimentos, quais as suas despesas, o que pode cortar e o que pode efetivamente poupar.  

Mesmo que a sua situação económica melhore, ou até piore, todos os meses faça um plano para o destino do seu dinheiro e ajuste-o consoante as suas necessidades.  

Quando elaborar este plano, contemple uma regra fundamental: pague-se a si em primeiro lugar. Desta forma vai conseguir evitar cair no erro de poupar apenas o dinheiro que sobra ao final do mês. Se considerar esta uma tarefa complicada, pode sempre automatizar a poupança, agendando transferências automáticas da sua conta à ordem para outra conta destinada ao aforro.  

Deve ainda contemplar no seu planeamento todo o dinheiro extra que possa aparecer e aproveitar para fazer crescer as suas poupanças. Por exemplo, se recebeu o subsídio de férias, o reembolso do IRS ou um prémio no seu trabalho, pense em reforçar a sua poupança.  

Assim, à primeira vista, pode parecer que tudo isto vai limitar a sua liberdade financeira, mas não... Este planeamento vai antes ajudá-lo a ter um controlo total das suas finanças, percebendo se está no caminho certo, ou se precisa de fazer ajustes para conseguir alcançar o seu objetivo.   

Leia ainda: Dicas de Poupança: A importância de fazer um orçamento 

Ajuste as suas despesas  

Planeamento feito, receitas e despesas identificadas, é hora de cortar ou eliminar algumas despesas.  

Regra geral, existe margem para a redução nas despesas na alimentação, na educação, nos transportes e em alguns serviços. Pode, por exemplo, reduzir os gastos relacionados com a alimentação estando atento às promoções, comparando preços das diferentes superfícies comerciais, levando o almoço de casa em vez de fazer as refeições fora.  

Da mesma forma, pode procurar alternativas à utilização diária do carro (optando pelos transportes públicos ou, se possível, por ir a pé ou de bicicleta) e reduzir os custos com a educação dos seus filhos optando por escolas públicas em vez de privadas, por exemplo.

Corte também nos serviços que não utiliza. Como pode ser o caso, por exemplo, dos serviços de streaming - seja de filmes, séries ou música -, do ginásio, de algumas coberturas de seguros e serviços de mobilidade partilhada.  

Já os serviços como a água, a eletricidade, o gás e telecomunicações, que são despesas tidas como fixas e essenciais, pode sempre tentar renegociá-las.   

Evite ainda as compras por impulso.  

Leia ainda: 10 coisas que não deve fazer se quiser poupar 

Reduza as suas prestações com créditos  

Tem vários créditos em mãos? Por exemplo, se tem um crédito para o seu computador ou algum eletrodoméstico, ou para o carro e ainda cartões de crédito, é natural que o bolo de todas as prestações pese no seu orçamento. No entanto, é aqui que a poupança pode revelar-se mais significativa. E como? Com a junção de todos esses créditos num só, através do crédito consolidado.  

O objetivo desta solução é dar oportunidade às famílias de ganharem uma folga orçamental mensal, uma vez que lhe pode oferecer melhores condições e uma única prestação mensal mais baixa

Leia ainda: Consolidação de créditos: Saiba o que fazer com a poupança gerada 

Rentabilize a sua poupança  

O dinheiro pode (e deve) ser rentabilizado de várias formas. Isto porque a poupança gera (mais) poupança.   

Embora sejam muitos os portugueses que utilizam ainda depósitos a prazo, esta solução tem atualmente retornos muito reduzidos, ou negativos mesmo, devido às taxas de juro próximas de 0%. Existem no mercado produtos mais interessantes onde pode aplicar o seu dinheiro, que têm capital garantido e taxas de remuneração superiores, e são eles: 

  • Certificados de Aforro – Produtos de Aforro do Estado que são procurados por quem quer aplicar o seu dinheiro com baixo risco. Estes certificados são produtos de capitalização cujo retorno é automaticamente aplicado para continuar a gerar um novo retorno. Ou seja, trata-se da famosa força dos juros compostos: juros que rendem juros sobre juros, sobre juros;  
  • Seguros de Capitalização – Produtos com vantagens fiscais e com capital garantido, que têm uma taxa de juro garantida todos os anos, mas que poderá variar com a renovação da apólice. Por outro lado, algumas apólices têm uma componente variável e incerta que acaba por resultar de uma fórmula de cálculo sobre os lucros da companhia de seguros. 

Estes produtos são considerados de baixo risco, mas, antes de aplicar o dinheiro informe-se sempre das condições de resgate e das consequências caso precise de recorrer ao dinheiro aplicado antes do período subscrito. 

No entanto, é importante relembrar que nunca deve investir todo o seu dinheiro para não comprometer as suas finanças, nem o seu fundo de emergência.   

Leia ainda: Como conseguir uma poupança para fazer face a despesas de 6 meses?

Procure fazer um bom negócio  

dois homens a apertar a mão

Poupar não é apenas o processo anterior à compra, mas também no momento de adquirir o imóvel. É importante que faça uma pesquisa de mercado exaustiva para que consiga encontrar um negócio bom e rentável a longo prazo. Se o fizer, vai conseguir poupar assim algumas centenas de euros.  

Esta poupança também se aplica no momento de contratar um crédito habitação junto de uma entidade bancária. Deve procurar quem lhe oferece melhores condições. No entanto, se quiser poupar-se destas burocracias e encontrar a melhor oferta para o seu caso a custo zero, pode sempre contar com a ajudar do Doutor Finanças.  

Leia ainda: 6 erros que deve evitar se vai comprar casa 

Partilhe este artigo
Etiquetas
  • #Crédito habitação,
  • #formas de poupar,
  • #poupar para comprar casa
Tem dúvidas sobre o assunto deste artigo?

No Fórum Finanças Pessoais irá encontrar uma grande comunidade que discute temas ligados à Poupança e Investimentos.
Visite o fórum e coloque a sua questão. A sua pergunta pode ajudar outras pessoas.

Ir para o Fórum Finanças Pessoais

Deixar uma resposta (Podemos demorar algum tempo até aprovar e mostrar o seu comentário)