Finanças pessoais

A caminho da recessão? Saiba como preparar-se financeiramente

Já diz o ditado "homem prevenido vale por dois". Por isso, antecipe-se e saiba como se preparar financeiramente para uma recessão.

Finanças pessoais

A caminho da recessão? Saiba como preparar-se financeiramente

Já diz o ditado "homem prevenido vale por dois". Por isso, antecipe-se e saiba como se preparar financeiramente para uma recessão.

Na atual conjuntura económica mais complicada, os especialistas perspetivam uma nova crise e já apontam para uma recessão económica. Logo, chegou a altura de se preparar financeiramente para enfrentar mais uma altura difícil para o seu orçamento familiar.

Se na altura da pandemia da Covid-19 já tomou medidas de contenção e de reorganização do seu orçamento familiar já está familiarizado com algumas das medidas que vamos abordar neste artigo. Mas se não o fez nessa altura agora deve fazê-lo e, assim, preparar-se financeiramente para os próximos anos que se esperam difíceis, quer pelo aumento dos combustíveis e da energia quer pelo aumento generalizados dos preços, ou seja, da inflação.

Comece por fazer um orçamento mensal

Este é certamente o primeiro passo para se preparar financeiramente para a recessão. Saber quanto tem de rendimento mensal disponível é saber quanto tem para gastar durante o mês.

Lembre-se de que este é a sua base. Não pode gastar mais do que tem de rendimentos sob pena de ter de ir às suas poupanças ou pior entrar em incumprimento ou ter de contrair crédito.

Assim, comece por fazer contas aos seus gastos mensais e agrupe-os em categorias: empréstimos, despesas da casa (eletricidade, gás, água, telecomunicações), seguros, alimentação, vestuário, entre outros.

Ao fazer categorias verá que é mais fácil gerir os seus gastos. A outra grande vantagem de fazer um orçamento mensal é saber ao certo onde está a gastar o seu dinheiro. Ou seja, está a fazer uma gestão correta do seu dinheiro. O que o pode ajudar em tempos de crise.

Mas, lembre-se, "a vida é para ser vivida". Por isso, crie uma categoria de lazer.

Analise o seu orçamento

Se fizer o seu orçamento mensal o passo seguinte é perceber onde está a gastar o dinheiro e onde pode reduzir gastos para que o seu orçamento não derrape. Analise cada uma das categorias e veja onde pode poupar.

Depois, ao longo do mês, registe tudo o que gastou em cada categoria. Será mais fácil de ver se conseguiu de facto gastar de forma mais eficiente ou não e assim preparar-se para resistir em tempos de recessão.

Mude o seu comportamento no dia a dia  

Sabia que alguns dos seus gestos e hábitos diários se traduzem em custos e por isso no aumento das suas despesas? E alguns fazemos sem ter consciência. Outros simplesmente por inércia ou porque não temos muito tempo para mudar de atitude. Fechar a torneira ao lavar os dentes é exemplo do primeiro, não analisar as apólices dos seus seguros é um bom exemplo do segundo.

Se se identifica com ambos os exemplos "meta mãos à obra". Mude os seus hábitos.

Leia ainda: Não gastar dinheiro? “Nova moda” de poupar mostra como é possível

Mudar pequenos gestos pode significar reduzir gastos mensais

Se a conta da eletricidade está a subir pense no que pode fazer para a reduzir:

  • Mudar lâmpadas incandescentes para lâmpadas led;
  • Isolar as janelas da sua casa por forma a evitar a saída de calor, já que 60% da energia dos sistemas de mudar para a tarifa bi-horária;
  • Desligar os aparelhos em vez de os deixar em stand-by;
  • Utilizar as máquinas de lavar na sua carga máxima e num programa de baixa temperatura;
  • Apagar as luzes quando sai de um divisão;
  • Mudar aquecimento é desperdiçada desta maneira subindo a conta da eletricidade;
  • Reduzir o número de vezes que abre a porta do frigorífico.

Estas medidas não são exaustivas, decerto que pode encontrar outras que o vão ajudar a reduzir os custos. E pondere fazer o mesmo com a água e o gás.

E quando ao tomar o pequeno-almoço fora de casa, ir todos os dias tomar o café na pastelaria junto do emprego ou comprar todos os dias tabaco? Se lhe dão prazer também não deve cortar na totalidade. Registe quanto gasta nestas pequenas coisas e depois é só reduzir o valor que gasta.

Faça uma lista de compras antes de ir ao supermercado

Este é um dos principais temas da atualidade, já que os preços dos bens alimentares estão a subir e, forçosamente, tem de encontrar estratégias para combater a crise e se preparar financeiramente para a recessão.

Comece por fazer um planeamento das refeições da semana seguinte. Veja o que tem em casa e o que precisa de comprar. Faça a lista das compras com estes produtos.

À lista junte uma coluna de produtos que habitualmente usa em casa: arroz, massa, azeite, entre outros. Estes, mesmo que não precise na dita semana, vale a pena comprar se estiverem em promoção.

Siga "à risca" a sua lista de compras. A estes conselhos juntamos ainda outros, designadamente:

  • Use e abuse dos talões de desconto que alguns supermercados oferecem;
  • Aproveite as promoções;
  • Compre marcas brancas;
  • Compare os preços nos supermercados da sua zona. Compre onde for mais barato.

Aproveite as sobras das refeições.

Se fez comida a mais numa refeição não desperdice. Recorra à internet onde pode encontrar boas ideias. Peça ajuda aos seus filhos e faça uma refeição de sobras e petiscos. A família vai adorar e o seu orçamento mensal também.

Evite compras por impulso 

Todos temos a tentação de comprar um produto que encontramos com, por exemplo, 80% de desconto. Parece ser um verdadeiro achado. Será mesmo? Tente resistir e não compre por impulso. O seu orçamento agradece.

Leia ainda: Evitar compras por impulso: Adira à regra das 72 horas

jovem mulher, carregada com sacos de compras nos braços, entrega cartão de crédito para pagar compras

Não use o cartão de crédito  

Se usa habitualmente o cartão de crédito esta dica pode ser difícil de cumprir. É, de facto, uma questão de disciplina, mas é também uma forma de se preparar financeiramente para a recessão.

Pense que a regra é: gastar no mês apenas o que ganhou nesse mesmo mês. Assim, ao comprar com cartão de crédito está a comprar não com os rendimentos do mês, mas com os rendimentos do próximo.

Assim, pondere não usar o cartão de crédito. Pague com cartão de débito ou em dinheiro. Se pagar com dinheiro terá até a noção do dinheiro a sair da sua carteira.

Pague a dívida do cartão de crédito

Se paga o cartão de crédito na totalidade, ou seja, a 100%, este tópico não é para si. Mas se tem um pagamento fracionado, deve ponderar acabar com a dívida do cartão de crédito. É mais um passo para se preparar financeiramente para a recessão.

No seu extrato, veja quanto está a pagar de juros pelo valor que deixou para pagar do mês anterior. Veja não só o valor, mas também a taxa de juro. A taxa será, certamente, alta e até superior à fixada pelo Banco de Portugal trimestralmente. Isto porque a taxa divulgada pelo banco central é válida para os novos cartões e não para os antigos. As entidades financeiras não são obrigadas a atualizar as taxas.

Assim sendo, pode mudar a percentagem de pagamento quando quiser. E equacione, por exemplo, fazer pagamentos extraordinários até liquidar a dívida.

Amortize créditos

Se for possível, amortize créditos. Se tem dinheiro aplicado compare a taxa de juro a que está a ser remunerado com a taxa de juro que está a pagar os seus empréstimos. É seguramente mais baixa.

O primeiro passo é analisar todos os créditos que tem considerando o tipo de crédito, a prestação mensal, o prazo pagamento e o valor que falta pagar. Entre créditos pessoais e crédito habitação os primeiros têm uma taxa mais alta pelo que será uma boa opção começar por aqui. Depois, pode optar: pelo que tem a prestação mais alta ou pelo que está mais perto do final (e um valor mais baixo a pagar).

Quando conseguir fechar estes créditos, passe para o crédito habitação. Lembre-se, ao baixar o valor em dívida do seu crédito habitação estará não só a baixar a prestação mensal, mas também o que paga de seguro de vida a que este está associado.

Consolide ou renegocie créditos

Mas apesar de amortizar créditos ser uma boa decisão financeira nem sempre é possível. Mas existem outras formas de fazer face à crise reduzindo os encargos financeiros.

Fale com o seu banco e tente renegociar os seus créditos. Ou junte todos (habitação e pessoal) num só crédito, fazendo a sua consolidação. Desta forma, vai reduzir a sua prestação mensal total.

Leia ainda: Renegociar créditos: 7 dicas que podem ajudar a sua situação financeira

Reveja os seus seguros

Deve em qualquer altura rever os seus seguros, mas mais ainda para se preparar financeiramente para a recessão. A concorrência entre as seguradoras é grande e existe uma grande probabilidade de encontrar um seguro com as mesmas coberturas e com um prémio menor.

Estamos a falar de todos os seguros: multirriscos, saúde, carro e sobretudo seguro de vida. Lembre-se, o prémio que paga por aumenta bastante com a idade, principalmente depois dos 50 anos. Assim, tente encontrar um seguro idêntico com condições mais vantajosas.

Reveja contratos dos fornecedores de serviços

Com o aumento da eletricidade veja se não tem vantagens em mudar de fornecedor de energia ou caso esteja no mercado livre em voltar para o mercado regulado.

Veja também se mudar de operador de telecomunicações também lhe é mais vantajoso. Mais uma vez a concorrência que existe entre eles poderá ser-lhe benéfica. Aproveite é mais uma maneira de se preparar financeiramente para a recessão

Faça ou mantenha um fundo de emergência

Ter um fundo de emergência é ainda mais importante em alturas de recessão. Este fundo destina-se a fazer face quer a despesas imprevistas quer a quebras inesperadas de rendimentos e deverá ter o equivalente a seis meses de despesas fixas (o ideal seria de 12 meses).

Mas se tratar de uma despesa imprevista não considerada no seu orçamento, se tiver esse fundo pode usar uma parte, sem ter de recorrer a um crédito pessoal ou ao cartão de crédito (soluções que deve evitar). E, claro, reponha o mais rapidamente possível o valor que gastou.

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