Finanças pessoais

O Método Kakebo: uma ajuda na gestão do orçamento familiar

Luisa Barreira Luisa Barreira , 14 Maio 2019

Existem vários instrumentos de gestão do orçamento familiar. O Método Kakebo pode ajudá-lo a gerir melhor as suas despesas.

Já ouvimos falar, diversas vezes em finanças pessoais e familiares, orçamento familiar, entre outros conceitos relacionados. E de facto são temas que despertam, cada vez mais, o interesse das famílias.

Cada família tenta arranjar ferramentas ou estratégias para melhorar a qualidade de vida do agregado familiar, mas sem deixar de cumprir as obrigações mensais.

A organização, mapeamento e controle do orçamento familiar é essencial para uma boa saúde financeira. No entanto, por vezes levar a cabo esta tarefa com sucesso não é fácil.

De facto, existem inúmeras ferramentas tecnológicas, sejam elas apps ou plataformas, que auxiliam na gestão financeira do nosso orçamento familiar.

Podem também seguir métodos de gestão específicos. Falamos por exemplo do Método Kakebo.

Ao longo deste artigo mostramos em que consiste este método, quando surgiu, de que forma o pode ajudar na gestão das suas finanças pessoais, onde pode encontrá-lo, entre outras questões.

O que é o Método Kakebo?

A palavra Kakebo é uma palavra japonesa, que significa, traduzida à letra, “livro de contas para a economia doméstica”.

De facto, o método Kakebo não é mais nem menos do que um livro (em formato de agenda) de contas e poupanças domésticas, através do qual se registam todas as receitas e despesas pessoais diárias e de cada pessoa do agregado familiar, permitindo assim gerir e controlar o orçamento familiar.

Com o registo detalhado, é possível analisar os gastos e estabelecer objetivos de poupança. Permite também manter um registo atualizado e perceber quais as despesas desnecessárias e/ou dispensáveis.

O Kakebo é considerada uma ferramenta de excelência na organização pormenorizada das contas domésticas, sendo um método fácil, intuitivo e prático. Assim sendo, saberá sempre quanto gastou nas despesas fixas mensais, no restaurante, na saída para o cinema, no cabeleireiro, no hipermercado,ou na saúde e educação da família, em cada mês.

Onde e quando surgiu este Método?

Este conceito teve origem no Japão em 1904 e foi criado pela Senhora Motoko Hani, a primeira jornalista mulher no Japão, que viveu entre os anos 1873 e 1957 e que foi também a fundadora da primeira revista feminina mais antiga do país, com o nome “A companheira da mulher”.

Quando o método Kakebo foi lançado numa revista feminina, ganhou muita fama e veio impulsionar o poder e a autonomia das mulheres, que no contexto social e económico da época, não trabalhavam fora de casa e geriam apenas o dinheiro que os maridos lhe cediam, por forma a pagar todas as despesas mensais. A intenção da senhora Hani era encontrar uma maneira de ajudar estas mulheres a administrarem a economia familiar de maneira mais eficiente.

O Kakebo tornou-se um fenómeno de grande popularidade no Japão e este conceito teve tanto impacto que se espalhou por todo o mundo.

A fama levou mesmo a criar-se uma associação de utilizadores do Kakebo, quarenta anos depois do seu aparecimento. Hoje em dia, são publicados anualmente dezenas de Kakebos diferentes e para diferentes públicos alvo no Japão e no resto do mundo.

De que forma o Método Kakebo o pode ajudar na gestão das suas finanças pessoais?

Este livro é muito prático e intuitivo, não sendo necessária nenhuma formação ou experiência por parte do leitor, para a sua utilização. Qualquer pessoa conseguirá utilizar e aplicar esta ferramenta, pois está construído de uma forma simples e em linguagem clara e eficaz. É tão simples que, por ser um método tão popular, já foram editados inúmeros modelos adaptados a vários públicos alvo, sejam eles famílias mais numerosas, casais sem filhos, solteiros ou adolescentes.

Este livro-agenda está dividido em doze meses, com espaços específicos para registar todas as fontes de receita e também todas as despesas.

O livro explica-lhe passo a passo como e onde deve fazê-lo. Tem ainda exemplos práticos e respostas a dúvidas para o ajudar enquanto preenche.

Permite definir e anotar os objectivos de poupança mensal e no final de cada mês pode analisar os seus resultados e compará-los com o seu orçamento e objetivo traçado, percebendo o que correu menos bem e fazendo os ajustes necessários.

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Este livro, ao permitir a atualização contínua do registo das suas contas, pode ser considerado uma folha de cálculo física e à mão, para quem prefere fazer esse registo a papel e caneta.

Irá preencher os dados mês e a mês e o final do livro tem também um balanço anual, em tom de resumo de como correu o seu ano.

Ao longo das páginas deste livro vai encontrar também ditados japoneses.

Estes ditados são conselhos de poupança e perguntas que o vão levar a refletir, tais como: ”que gastos o têm surpreendido mais?” ou “sabe valorizar as coisas para além do seu preço?”. O princípio deste método japonês é obrigá-lo a focar-se no presente, encorajando-o a refletir sobre o futuro, incutindo responsabilidade e consciência ao leitor.

Em suma, este método ajuda as famílias a cumprir todas as suas obrigações, garantindo ainda uma reserva para gastar por exemplo em lazer.

Permite controlar e reorganizar as finanças pessoais, identificar despesas desnecessárias e momentos de maior desequilíbrio financeiro, planificar as despesas semanais e mensais ao longo do ano (como férias e regresso às aulas), bem como fazer uma análise global de cada mês e depois anual.

Este livro-agenda é também ilustrado com imagens apelativas. Em algumas edições, ao longo dos meses as ilustrações retratam uma espécie de história das nossas finanças, para promover boas práticas de gestão financeira e de poupança, muitas vezes representadas pelo porquinho mealheiro, que simboliza segurança e poupança.

Em Portugal existem várias edições que pode encontrar em livrarias físicas ou online. Deverá notar que nem sempre as edições estão atualizadas de ano para ano, pelo que deve comprar uma agenda Kakebo para 2019.

Abra o livro e veja as ilustrações e a organizações do mesmo, para perceber com qual poderá dar-se melhor.

Quais as vantagens deste método?

Hoje em dia o consumismo resulta, muitas das vezes, de um desejo ou vontade automática e até irracional, e não propriamente da necessidade. Mas quando compramos algo, devemos sempre refletir no seu custo vs benefício e uso.

Na cultura japonesa, acredita-se que o dinheiro deve ser trato de forma responsável e consciente, monitorizando de forma sistemática os nossos gastos. É assim que se consegue equilíbrio em todas as outras áreas da nossa vida. Por isso é, para eles, muito importante a anotação de todas as despesas sendo esta ação considerada um ato de bem-estar.

A vantagem do Kakebo é que irá registar todas as despesas manualmente, pelo que escrever à mão pode ajudá-lo a memorizar melhor as suas despesas e permitir ter uma noção real do seu orçamento. Com esta memorização constante dos dados, é possível que se reflita mais cada que se faça uma despesa, se valorize mais o dinheiro e os bens materiais.

Em suma, este método tem-se revelado uma ferramenta que ajuda a poupança, permitindo aos seus utilizadores gerir o orçamento familiar, de forma a cumprir com as suas obrigações, mas também chegar ao final do mês com poupanças efetivas.

Se não é adepto de aplicações móveis ou fã de folhas de excel, o Kakebo pode ser um bom aliado na “batalha” entre manter o equilíbrio do orçamento familiar e ao mesmo tempo ajudá-lo a poupar da melhor forma, objectivos que tanto desejamos, mês após mês.

Seja qual for o seu método preferido, o importante é aliar alguma ferramenta que o auxilie no que respeita à gestão do seu rendimento e património e na ajuda ao incremento das suas poupanças e deverá criar o hábito de realizar esta mesma tarefa. Desta forma conseguirá poupar e, também, fazer prospecções para os meses seguintes, precavendo-se de despesas futuras.

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