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Fundo de emergência: Como construir sem desequilibrar o orçamento

Ter um fundo de emergência é importante para viver sem sobressaltos. E fazê-lo sem desequilibrar o seu orçamento também.

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Fundo de emergência: Como construir sem desequilibrar o orçamento

Ter um fundo de emergência é importante para viver sem sobressaltos. E fazê-lo sem desequilibrar o seu orçamento também.

Um fundo de emergência é um montante, colocado de parte, a que pode recorrer para suportar despesas imprevistas. E estas vão desde a compra de uma máquina da roupa porque a sua se avariou, a despesas com o carro, uma doença, quebra de rendimentos ou até mesmo uma situação de desemprego.

Em suma, é uma quantia que pode usar e evitar recorrer a crédito, permitindo-lhe assim não aumentar o seu endividamento ou agravar a sua situação financeira.

Seja o seu próprio banco  

Se em situações de gastos imprevistos tiver de recorrer ao crédito, o seu endividamento vai aumentar e, com isso, o valor das prestações mensais, diminuindo assim o seu orçamento disponível.

Se se tratar da compra de um eletrodoméstico pode usar o seu cartão de crédito ou pedir um crédito pessoal. Mas, sabe que taxa de juro lhe vai ser cobrada? O Banco de Portugal divulga trimestralmente as taxas máximas que as entidades financeiras podem cobrar nos novos contratos de crédito (ou nos novos cartões) e os seus valores são altos.

Não preferia conseguir o dinheiro de que precisa e a custo zero? Ou seja, sem pagar juros? É esse o objetivo do fundo de emergência: ter o valor de que precisa, usá-lo e depois repor em prestações. Assim, pode ser o seu próprio banco, com a vantagem de não ter de pagar juros.

Qual o valor ideal de um fundo de emergência?

Podem existir opiniões diversas sobre esta questão, mas, na verdade, o valor ideal é aquele que for mais adequado à sua realidade familiar. Ainda assim, de facto, quanto maior for o fundo maior será a sua tranquilidade financeira.

Se estiver ainda na vida ativa, o ideal será colocar de parte o valor que lhe permita fazer face a uma situação de desemprego involuntário. Para ta, deve ter em conta os valor das suas despesas mensais e o tempo que, ao ficar desempregado, espera demorar até conseguir encontrar uma nova ocupação. Logo, ter um fundo com 12 meses de despesas é um dos cenários mais seguros a considerar. Mas, mais uma vez reforçamos, depende sempre da sua situação concreta, quer em termos de idade que em termos de profissão.

Se estiver reformado, a situação de desemprego não se coloca, pelo que o valor do fundo é diferente. O montante que a colocar de parte destina-se igualmente a fazer face a despesas inesperadas, e o seu valor também varia consoante a sua situação. Por exemplo, se tiver um seguro de saúde o valor do fundo pode ser inferior já que o seguro vai ajudar a suportar uma situação de doença ou a realização de exames médicos.

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Construir fundo de emergência sem desequilíbrios

Juntar dinheiro para o seu fundo de emergência sem desequilibrar o seu orçamento é possível, mas implica fazer algumas mudanças na sua "mentalidade financeira". Ou seja, exige muita atenção à forma como gasta o seu dinheiro.

Na decoração, o minimalismo (viver e ter apenas o essencial) está cada vez mais na moda. E esta filosofia também se pode aplicar às suas finanças e permitir, rapidamente, ter de parte o valor de que necessita.

É certo que, no início, implica um maior rigor e persistência da sua parte. Mas, pode valer a pena.

1. Comece por registar as suas despesas mensais

Durante um mês registe todas as suas despesas por categorias: água, eletricidade, prestações de empréstimos, seguros, alimentação, saídas com os amigos, vestuário, transporte, educação. Não existem categorias definidas, depende do seu caso concreto. Mas, na alimentação, deve criar subdivisões: supermercado, pequenos-almoços, cafés, almoços etc.

2. Use uma folha de cálculo

Use uma falha de cálculo: nas primeiras colunas coloque o nome da categoria e o valor gasto em cada uma no mês de partida. Na coluna seguinte, registe o que vai gastar no primeiro mês em que começar a juntar dinheiro para o seu fundo. Lembre-se, tem de ir registando tudo o que gasta no mês.

3. Analise as suas despesas

Quando chega o fim do mês, já deu consigo a pensar onde gastou o seu dinheiro? Muitas vezes, nem se sabe responder e até pode ter a sensação de que não foi mal gasto. Mas, será que não foi?

Neste ponto, o primeiro passo é olhar para os seus gastos em termos de categorias. A categorização permite-lhe saber onde gasta o seu dinheiro. Se concluir que gastou demasiado em determinada categoria, reajuste o seu plano. Não perca o foco: poupar para o seu fundo de emergência.

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Rapariga num café a comer e a beber enquanto mexe no telemóvel

4. Deixe de gastar nas pequenas coisas

Se ao analisar os gastos, concluiu que numa determinada categoria gastou mesmo demasiado dinheiro, é nessa mesma que vai querer cortar os gastos e direcionar ess quantia para o fundo.

Comecemos, por exemplo, pelos cafés. Se todos os dias toma dois cafés na pastelaria ao pé do emprego, gasta 1,40€ por dia (se cada café for 0,70€, claro). Ou seja, em 22 dias de trabalho terá gasto 30,80€. Se deixar de tomar café, pode colocar este valor de parte.

Tem o hábito de tomar o pequeno almoço fora e gasta diariamente cerca de 3€? Se passar a tomar em casa, só num mês, pode poupar 90€.

Se leva comida de casa, já está a poupar, mas talvez vá pelo menos uma vez por semana almoçar com os colegas. Se em média gasta 10€, pode vir a poupar cerca de 40€.

Se sai aos fins de semana com os amigos para jantar (à sexta e ao sábado) pode gastar cerca de 50 a 60€. Pondere então substituir o cenário e convide-os para jantar em sua casa. Pode até sugerir que cada um leve uma iguaria. Com esta alteração de planos, pode conseguir poupar 150 a 200€. E no fundo o que importa é estar com os amigos e, assim, todos podem poupar.

5. No supermercado opte por marcas brancas

Existem produtos de marca branca de grande qualidade e a preços muito mais baixos. Experimente, este mês, comprar apenas produtos de marca branca e analise quanto baixam os seus gastos em supermercados. Se não existir marca branca, opte por promoções. Com estas opções, pode conseguir uma verba razoável para juntar ao seu fundo de emergência.

6. O que já não usa venda em sites de segunda mão

Aproveite e dê uma volta aos seus roupeiros e armários.

Roupa que já não usa, aquela jarra que lhe deram e que nunca utilizou porque não combina com a decoração. Quantos fondues de chocolate tem? Quantos conjuntos de café lhe deram e não usa? De certeza que tem coisas a mais ou que já não usa.

Lembre-se, decidiu viver apenas com o essencial. Tudo o que estiver a mais é para sair. A boa noticia é que pode fazer dinheiro com isso. Coloque todos esses bens à venda num site de produtos em segunda mão.

7. Faça em conjunto a poupança para o fundo de emergência

Fazer as coisas em simultâneo e em conjunto, com alguém em quem confiamos, pode ser um incentivo adicional.

Fale com os seus amigos, diga-lhes o que se propôs fazer e os motivos que estão subjacentes. Certamente que o apoiam e podem querer juntar-se. Se fizerem parte do seu grupo de jantares ao fim de semana, vão perceber logo na primeira semana quanto podem juntar.

8.No final do mês veja o que conseguiu

No final do primeiro mês, faça as contas. Vai então perceber que se seguiu estas dicas conseguiu juntar dinheiro para iniciar o seu fundo de emergência e sem comprometer o seu orçamento. A quantia conseguida vai, certamente, ser um incentivo para os meses seguintes.

Leia ainda: Fundo de oportunidade e fundo de emergência, o que os distingue?

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