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Renegociar créditos: 7 dicas que podem ajudar a sua situação financeira

Se a sua situação financeira se complicou com a pandemia e com a inflação, renegociar créditos e contratos pode ser a solução.

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Renegociar créditos: 7 dicas que podem ajudar a sua situação financeira

Se a sua situação financeira se complicou com a pandemia e com a inflação, renegociar créditos e contratos pode ser a solução.

A pandemia trouxe a redução de rendimentos para muitos, podendo nos casos mais graves ter levado à perda de emprego, traduzindo-se numa pressão acrescida sobre o orçamento familiar e na urgente necessidade de reduzir gastos. Logo, de renegociar créditos.

Poupar nas contas do supermercado pode ter sido a primeira medida que tomou. Comprar produtos de marca branca, reduzir o desperdício alimentar podem ser estratégias que até já tem em prática. Mas tudo isto pode ser insuficiente se pretende baixar substancialmente os seus gastos. Ainda por cima, a inflação dos produtos alimentares e a subida dos combustíveis e energia estão a empurrar em sentido contrário.

Mas não desanime. O caminho para reduzir gastos passa por renegociar os contratos com seguradoras, bancos e prestadores de serviços. Vejamos como pode fazê-lo.

Analise o seu orçamento

Comece por analisar o seu orçamento. Depois, calcule:

Totalidade dos seus rendimentos mensais. Apure a totalidade dos rendimentos que obtém num mês. Será o teto máximo que poderá gastar no mês, sem entrar em incumprimento;

Valor máximo que pode gastar em encargos financeiros. A sua taxa de esforço, ou seja, a relação entre os seus encargos financeiros e o rendimento que lhe é creditado na conta bancária não deve ser superior a 30%. Assim, multiplicando os seus rendimentos mensais por 30% obterá o valor máximo que pode gastar em prestações financeiras;

Gastos mensais com os seus encargos financeiros. Some o que está a gastar mensalmente com as suas prestações de crédito. Não se esqueça do cartão de crédito. Apurado este valor, deduza o valor máximo que pode gastar em prestações financeiras. Ficará a saber em quanto tem de reduzir as suas prestações de crédito;

Gastos mensais totais. Veja também quanto gasta mensalmente na eletricidade, água, gás e telecomunicações. E muito importante, nos seus seguros. Estes são valores que também pode baixar para aliviar o orçamento familiar.

Analise os seus contratos de crédito

Pode parecer-lhe a parte mais difícil, mas é pela análise dos seus contratos de crédito que deve começar. Assim, deve fazer uma lista dos seus créditos onde conste:

  • Tipo de crédito (pessoal, automóvel, habitação, cartão de crédito);
  • Montante em dívida
  • Taxa de juro (se variável indique o indexante e o spread)
  • Prazo de empréstimo
  • Prestação mensal
  • Instituição financeira que o concedeu.

Renegoceie os seus créditos

Renegociar créditos não é mais do que alterar qualquer condição do seu crédito tendo sempre como objetivo reduzir a sua prestação mensal. Segundo o Banco de Portugal, durante a vida do empréstimo, em qualquer altura, pode alterar uma ou mais condições dos seus empréstimos, nomeadamente:

  • spread;
  • prazo do indexante;
  • regime de taxa de juro, ou seja, passar de taxa de juro fixa para taxa de juro variável e vice-versa;
  • prazo de amortização do crédito;
  • modalidade de reembolso.

Cada uma das alterações tem vantagens e desvantagens. Contudo, por estas alterações, os bancos não podem cobrar qualquer comissão, desde que o objetivo seja renegociar créditos, com vista a não entrar em incumprimento (ou sair dele).

Deixe de fora os créditos que estão a acabar ou com prestações mensais muito baixas. Os primeiros por estarem a acabar e o seu valor vai deixar de estar entre os seus encargos financeiros. Os segundos porque reduzir um valor já por si baixo, certamente , não ter impacto no seu orçamento familiar.  

1. Tome a iniciativa de falar com o banco  

Fale com o seu banco e exponha francamente a sua situação, manifestando interesse em renegociar os seus créditos.

Leve toda a documentação relevante e mostre os seus cálculos quanto ao valor máximo que pode despender para evitar entrar em incumprimento.

Estes cálculos vão, certamente ajudar. Lembre-se que os bancos também não querem ter crédito malparado. Ou seja, crédito em incumprimento.

2. Negociar o spread do seu empréstimo

Esta pode ser a sua primeira hipótese ao renegociar o seu crédito e tentar reduzir a sua prestação mensal.

Se o seu crédito está indexado à Euribor, a esta acresce o spread. Este é a margem de lucro do banco e que reflete também o seu risco como credor. Ou seja, se não tem, nem nunca teve, incumprimentos nas suas prestações o seu spread é mais baixo do que o cobrado a alguém que, em alguma altura, esteve em incumprimento.

Assim, se tem um historial creditício "limpo", use-o como argumento para baixar o spread do seu crédito. A sua redução leva não só à descida da prestação mensal como também do custo global do financiamento.

3. Alterar a taxa de juro  

Outra das opções ao seu dispor é alterar o tipo de taxa de juro do seu empréstimo.

Ou seja, se o seu empréstimo é à taxa variável considere mudar para taxa fixa e vice-versa. Mas, atenção, a taxa fixa pode reduzir a incerteza quanto ao montante de juros a pagar, mas se a Euribor baixar pode deixar de compensar.

De qualquer maneira, antes de decidir mudar a taxa de juro, tem de ter algumas propostas para analisar. E aí tenha em atenção não só à prestação mensal como ao MTIC (montante total imputado ao crédito). Este valor corresponde à soma do capital e de todos os custos associados ao empréstimo (juros, comissões bancárias, impostos e outros encargos). Deve optar pela proposta cujo MTIC for mais baixo.

renegociar spread

4. Prolongar o prazo de amortização do crédito

Se optar por prolongar o prazo do crédito, pode conseguir que a prestação mensal seja menor já que o empréstimo será amortizado em mais meses do que o inicialmente acordado. Mas, mais uma vez, veja bem o MTIC da proposta que lhe apresentarem.  

5. Negoceie um período de carência

Se as suas dificuldades financeiras são pontuais, renegociar o seu crédito pode ser o caminho certo.

Durante o período de tempo que acordar só vai pagar juros, o que reduzirá a sua prestação mensal durante os meses de carência. Contudo, nos meses seguintes a sua prestação vai ser maior.

6. Altere o plano de pagamento

Esta é outra das formas que tem ao seu alcance, embora não seja muito habitual. Mais uma vez só vale a pena se achar que os seus constrangimentos são pontuais. Pode optar por prestações crescentes ou propor que parte do capital seja liquidado na última prestação. A sua prestação mensal baixa, mas no final tem de pagar um valor avultado.

7. Pode optar por consolidar os seus créditos

Esta é outra opção viável sobretudo se tiver vários créditos com prazos diferentes e taxa de juros diferentes.

Juntar todos os créditos num só pode reduzir a sua prestação mensal. E pode recorrer a duas formas de consolidação:

Consolidar apenas os créditos

Junte o valor de todos os créditos em dívida, incluindo o cartão de crédito e proponha a concessão de um crédito que lhe permita liquidar a totalidade de créditos que tem. Irá pagar uma só prestação mensal ao banco, menor que a soma das anteriores. No entanto, o prazo de pagamento não será muito grande.

Consolidar com hipoteca

Juntar todos créditos e contratar um único, mas dando como garantia um imóvel (habitação própria ou secundária) pode ter vantagens já que o novo empréstimo terá um prazo de pagamento e taxa de juro idênticos ao do crédito habitação.

Dito de outra forma, se atualmente os seus créditos têm taxas entre os 10% e os 12%, ao consolidar o montante global num crédito com garantia de hipoteca (vulgarmente chamado de crédito hipotecário) cerca de 1%. Assim, a prestação mensal será bastante menor quer pelo aumento do prazo quer pela redução significativa da taxa de juro.

Não ficou contente com a proposta do seu banco?

Se não conseguiu os seus objetivos não desanime. Ainda só vai na primeira etapa. Fale com outros bancos ou opte por um intermediário de crédito.

Se optar por um intermediário de crédito este encarregar-se-á de ir junto dos bancos pedir as propostas que mais se ajustam ao seu caso. Depois apresentar-lhas-ão e a decisão é sempre sua.

Reveja os seus seguros

Neste caso, pode obter poupanças significativas se mudar de seguradora. Assim, deve rever os seus contratos de seguros. Tome especial atenção no seguro de vida associado ao crédito habitação, seguramente aquele que tem maior peso nos seu orçamento.

Fale com outras seguradoras. Peça propostas para todos os seus seguros mas tenha em atenção as suas coberturas e exclusões. Só poderá comparar propostas idênticas.

Leia ainda: Seguro Multirriscos: Coberturas que tem mas pode não conhecer

Alternativas aos seus contratos de prestação de serviços

Estes são outros custos mensais que pode tentar reduzir. Mas se mudar o contrato de fornecimento de água não é fácil por provavelmente não existir alternativa na sua zona de residência, o mesmo não se passa com a eletricidade e o gás.

Procure alternativas. No caso da energia, pode obter uma comparação rápida dos preços praticados pelos diferentes operadores através do site da ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.

Leia ainda: Tarifa bi-horária: Saiba como ajustar-se e se consegue poupar na luz

Atenção ao seu contrato de telecomunicações

A concorrência neste setor é grande e, por isso, as empresas impõe um período de fidelização. O que significa que durante esse período não possa mudar de operador.

Se já está fora desse período, mesmo que esteja satisfeito com o seu operador, aproveite para negociar o valor que está a pagar. Com a perspetiva de perder o cliente pode obter algum desconto adicional. Mas, se está desconte, pondere mudar e ao mesmo tempo reduzir o montante que paga ao final do mês.

Leia ainda: Poupar centenas de euros num ano? A internet e as aplicações ajudam

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