Finanças pessoais

Renegociar ou consolidar créditos? O que ter em conta antes de decidir

Renegociar ou consolidar créditos pode ajudar a manter o seu orçamento equilibrado apesar da subida da inflação e taxas de juros

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Renegociar ou consolidar créditos? O que ter em conta antes de decidir

Renegociar ou consolidar créditos pode ajudar a manter o seu orçamento equilibrado apesar da subida da inflação e taxas de juros

Renegociar ou consolidar os seus créditos pode ser uma das suas resoluções para 2023. De facto, com a perspetiva de se manter durante o próximo ano a subida das taxas de juros e uma inflação elevada, pensar em reduzir os seus encargos financeiros pode revelar-se uma boa decisão para aliviar o seu orçamento.

Se a sua situação financeira atual pode agravar-se e corre o risco de entrar em incumprimento, não adie a decisão e avance ainda em 2022. Lembre-se que se não quer falhar os seus compromissos financeiros também as entidades financeiras não querem ter crédito malparado, por isso ambas as partes vão querer o melhor dos desfechos.

Faça contas

Tão simples quanto isto. De facto, sem fazer contas não saberá ao certo como está a sua situação financeira.

Para analisar a sua situação financeira tem de conhecer ao detalhe não só os seus rendimentos mensais, mas também todas as demais despesas mensais.

Se saber os rendimentos é fácil, basta somar os rendimentos auferidos pelos membros do seu agregado familiar, saber as despesas pode não ser tão simples, já que muitas variam de mês para mês.  Mas podemos simplificar. Vamos apenas ter em conta o parâmetro que as instituições financeiras usam: a taxa de esforço.

Para calcular a taxa de esforço, necessitamos de saber a totalidade das prestações mensais que tem com os seus créditos (incluindo o cartão de crédito se não tiver a modalidade de pagamento a 100%) e a totalidade dos seus rendimentos. Depois, é dividir a totalidade dos encargos financeiros pela totalidade dos rendimentos e já tem a sua taxa de esforço.

Para os bancos, uma taxa de esforço superior a 30% significa que existe possibilidade de entrar em incumprimento. Tenha então este valor em mente.

Se a sua taxa de esforço está perto deste valor, chegou a altura de renegociar ou consolidar os seus créditos. Mas mesmo que ainda esteja longe, talvez com a subida da inflação seja uma boa altura de equacionar reduzir o peso dos seus encargos financeiros.

Os rendimentos mensais têm de chegar para todos os gastos do mês. E nestes incluem-se não só o pagamento das prestações dos créditos, mas também todas as despesas de uma família: alimentação, eletricidade, água, gás, telecomunicações, seguros. E se o dinheiro escassear estes serão os últimos a não serem pagos. Ou seja, os primeiros serão os créditos (com exceção do crédito habitação, que é mesmo a última coisa que as famílias deixam de pagar).

Renegociar ou consolidar créditos: qual a diferença?

Embora ambas tenham como objetivo reduzir as prestações mensais e com isso reduzir a sua taxa de esforço, não são bem a mesma coisa.

De uma forma simplista podemos dizer que renegociar significa alterar as condições dos seus empréstimos e que consolidar é juntar todos os seus créditos apenas num só.

E optar por uma delas depende do que considerar melhor para si.

O que significa renegociar um crédito?

Renegociar um crédito significa fazer com a entidade financeira, com a qual contratou esse empréstimo, novas condições para esse crédito para que a prestação mensal do seu crédito reduza.

Vantagens de renegociar créditos

A renegociação pode ser feita para um único crédito sem afetar os demais. Ou seja, pode negociar novas condições apenas para aquele que tem uma maior prestação, por exemplo. Ou aquele que tem uma taxa de juro mas alta.

Por outro lado, a nova negociação pode envolver só uma condição do seu crédito, mas também pode abranger várias. Ou seja, pode alterar só o prazo do crédito, mas também pode juntar a alteração do spread, o plano de pagamentos ou incluir um período de carência de capital.

Desvantagens de renegociar créditos

Ao fazer individualmente para cada crédito, no caso de os ter em bancos diferentes, implica ter de negociar com cada entidade o que pode ser moroso.

jovem casal, de olhar preocupado, na mesa da cozinha, analisam documentos e tentam renegociar creditos

Condições que pode negociar e os seus impactos

Lembre-se, na negociação com as entidades financeiras pode pedir para alterar apenas uma das variáveis que tem impacto na prestação mensal, ou optar por uma conjugação de várias.

Negociar o spread ou a taxa de juro (se for fixa)

Se o seu crédito estiver indexado à Euribor, tem duas opções na negociação: redução do spread ou mudar para taxa fixa.

Como o spread é a margem de lucro do banco, se optar por esta solução, regra geral é pedido que seja subscrito um outro produto do banco, como por exemplo o cartão de crédito. Faça contas entre o que ganha com a redução da prestação e o custo do produto que lhe estão a propor.

Se optar por negociar a alteração da taxa variável por taxa fixa, as contas também são indispensáveis. Deixa de ter incerteza quanto à prestação, mas esta pode não baixar significativamente.

Mas no caso do seu empréstimo ser à taxa fixa, ao tentar baixar, certamente vão pedir-lhe contrapartidas.

Leia ainda: Qual o spread do seu crédito habitação? Há bancos a oferecer 0,85%

Aumentar o prazo do crédito

Esta é a opção mais procurada, sobretudo quando não se consegue mudar a taxa de juro.

Ao aumentar o prazo estará a reduzir a prestação mensal, mas lembre-se que ao aumentar o prazo vai pagar mais juros e no final o custo total do seu crédito será maior. Ou seja, o MTIC (Montante Total Imputado ao Crédito) do seu empréstimo será mais alto.

Leia ainda: Euribor: Prós e contras dos diferentes prazos

Pedir período de carência de capital

Tem ainda a opção de pedir para, durante um período, só pagar juros. A prestação baixa durante esse período, mas nos seguintes, se mantiver o prazo do empréstimo, as prestações vão ser mais altas.

Alterar o plano de pagamento

Esta é a opção menos usada, e só tem impacto real se a quebra de rendimento for pontual. Ou seja, se pensa que precisa apenas de uma redução por um curto período. Tenha presente que as prestações seguintes são mais altas.

Consolidar créditos

Consolidar créditos significa juntar todos os seus créditos num só, ficando apenas com um crédito para pagar, com uma prestação mais baixa do que o somatório das anteriores. Assim, terá um alívio financeiro no seu orçamento.

E a redução poderá ser significativa se na consolidação der como garantia a hipoteca de um imóvel. Pode não fazê-lo, mas nesse caso a taxa de juro será mais alta e o prazo mais curto do que se o fizer.

Não pode estar em incumprimento

Para consolidar créditos não pode ter créditos em incumprimento. Ou seja, não pode estar na “lista de negra” do Banco de Portugal. Por isso, terá de optar por esta solução antes do seu orçamento derrapar.

Leia ainda: Incumprimento: Sabia que pode reclamar se não lhe for prestado apoio?

Vantagens da consolidação de créditos

A maior vantagem é lidar apenas com um crédito. Deixa de ter várias prestações para pagar (e eventualmente com datas de pagamento diferentes) para ter apenas uma.

Por outro lado, pode beneficiar de uma taxa de juro mais baixa e um prazo de pagamento mais longo se decidir consolidar num crédito hipotecário.

Desvantagens da consolidação de créditos

Para além de não poder estar em incumprimento, vai contrair um novo crédito e, por isso, está sujeito às regras e avaliação de concessão de crédito pelos bancos. Pelo que se considerarem que a sua taxa de esforço já é excessiva a consolidação de créditos pode ser recusada, por considerarem que mesmo juntando todos num crédito, não vai conseguir pagar as prestações.

Duas formas de consolidar os seus créditos

Num crédito pessoal

Se juntar todos os seus créditos pessoais e cartão de crédito num crédito pessoal, pode pagar por mês uma prestação mais baixa do que o total das anteriores, mas prazo não será muito alargado e por isso a prestação pode ser ainda elevada, mesmo com a taxa máxima definida pelo Banco de Portugal.

Num crédito hipotecário

Se ao consolidar os seus créditos tiver um imóvel, cuja hipoteca possa ser dada como garantia de pagamento, este será considerado como crédito hipotecário e estará ao abrigo das mesmas regras que o crédito habitação. Ou seja, terá um prazo mais alargado e uma taxa de juro mais baixa. Lembre-se que esta será a mais baixa porque ao dar o imóvel como garantia de pagamento o banco estará a assegurar-se que o mesmo será pago. Tem ainda de fazer um seguro de vida.

Leia ainda: Conhece os vários tipos de crédito que existem?

Como escolher entre renegociar ou consolidar os seus créditos?  

Escolher entre as duas opções de redução dos seus encargos financeiros depende do seu caso concreto. Assim, antes de decidir tenha em atenção alguns fatores dos seus créditos.

Prazos dos empréstimos

Se tiver muitos empréstimos próximos de estarem totalmente pagos, a consolidação de créditos pode não ser a solução.

A prestação dos seus empréstimos é composta por juros e capital, sendo que a parte correspondente aos juros é muito maior no ínício do empréstimo do que no final. Isso significa que, perto do fim, já pagou quase todos os juros que lhes diziam respeito e só está a pagar capital (veja o plano de pagamentos para confirmar). Por isso, ao consolidá-los vai juntá-los a créditos mais longos e pagar novos juros sobre o mesmo montante. Contas feitas, vai pagar duas vezes os juros desse valor.

Pode escolher os créditos que quer consolidar, mas porventura a redução da prestação não é a que esperava.

Assim, pondere renegociar os créditos ainda com um prazo mais longo, e aguentar o esforço até que estes pequenos créditos terminem, porque depois estas prestações desaparecem e a sua taxa de esforço baixa.

Taxas de juro

Deve analisar as taxas de juros de cada empréstimo. Faça as contas: se a taxa de juro da consolidação for mais alta do que a taxa de juro normal da maioria dos seus créditos, a consolidação de créditos não compensa.

Contrate e negoceie só com entidades reguladas

Não contrate créditos em instituições financeiras, nem peça ajuda na consolidação de crédito a intermediários financeiros que não estejam devidamente registadas e reguladas pelo Banco de Portugal.

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