Os economistas utilizam a expressão sunk costs (custos afundados*) para designar custos que não são recuperáveis (e.g., se comprar um pacote de pipocas dificilmente conseguirá voltar a vendê-lo), excepto em casos limite. Este conceito é muito importante nas nossas decisões, pois como os sunk costs representam custos que não vamos conseguir recuperar, termos incorrido nos mesmos não deve afectar as nossas decisões futuras. Neste artigo, exploramos este conceito. Conheça-o e melhore o seu vocabulário financeiro.

Pedro Pais é o fundador do financaspessoais.pt e do forumfinancas.pt. O Pedro é um dos maiores promotores de literacia financeira em Portugal contribuindo com centenas de artigos, ferramentas e simuladores que ajudam as pessoas a poupar, a investir ou a decifrar os mistérios da fiscalidade.

Imagine que comprou uns sapatos por €100, mas ao fim de algum tempo apercebe-se que lhe ficam apertados. Continua a usá-los? E se os sapatos lhe tivessem sido oferecidos, a sua decisão mudaria? Como os €100 dos sapatos não são recuperáveis, a sua decisão devia ser a mesma, independentemente de ter comprado os sapatos ou de os mesmos lhe terem sido oferecidos.

Outro exemplo:

Tem uma pizza enorme à sua frente, só comeu uma fatia e já está cheio. Comia mais fatias se tivesse sido comprada por si? E se a pizza lhe tivesse sido oferecida? De facto, não interessa: em qualquer dos casos deveria agir da mesma forma.

O conceito dos sunk costs é realmente interessante e pode ser aplicado a inúmeros casos e, se pensar nisso, pode ajudar a tomada de decisões. A ideia é ignorar estes custos, pois não devem ser contemplados na análise da decisão a tomar. Alguns casos em que esta abordagem pode ser útil:

  • Vendeu umas acções. Quando pensar o que vai fazer com o dinheiro deve ignorar o facto de ter ganho ou perdido dinheiro na venda das mesmas, mas apenas com a sua situação actual.
  • Estragou-se um electrodoméstico. Quando pensar se manda arranjar ou se compra um novo, deve apenas ter em conta o custo que vai ter em cada opção, não quanto lhe custou originalmente o electrodoméstico avariado.
  • Tem um bilhete para um espectáculo ao ar livre e está a chover. Deve pensar qual seria a sua decisão se tivesse sido oferecido e agir dessa forma.

Em resumo:

Quando se deparar com uma decisão que envolva custos passados, pare um segundo e pense se é possível recuperar esses custos. Se tal não for possível, tratam-se de sunk costs e logo não devem ser factor influenciador da decisão. Para custos futuros que se possam inserir na categoria de “custos afundados”, experimente a nossa calculadora que determinará quando lhe custará um determinado artigo em horas de trabalho. É sempre um bom exercício. 🙂

Alguém consegue relatar situações reais em que este conceito se aplicou/aplicasse?

*Não estou certo que a tradução seja exactamente esta.