Porque a literacia financeira é cada vez mais  importante para as famílias Portuguesas, entrevistámos Bárbara Barroso comentadora de economia, fundadora do projecto de literacia financeira MoneyLab e detentora do blogue “as Dicas da Bá”. Leia a entrevista na integra.

Bárbara Barroso, criadora do blogue “As Dicas da Bá” , uma plataforma onde podemos aceder a várias dicas de poupança para as diversas etapas da vida onde nos encontramos, de uma forma leve e prática.

Porque queremos que a literacia financeira chegue a mais Portugueses, entrevistámos Bárbara Barroso sobre qual é o maior erro dos Portugueses na gestão das suas Poupanças e quais as dicas de poupança que considera fundamentais.

Quando os juros começarem a subir e o preço do crédito ficar mais caro algumas famílias poderão sentir ainda mais dificuldades em poupar porque nessa altura terão de alocar uma parte maior para as dívidas. Daí que seja importante ter muita atenção ao aumento do endividamento para não se repetirem erros passados. 

Do feedback e das mensagens que certamente recebe, consegue dizer-nos qual o maior problema financeiro dos portugueses?

Existem dois grandes problemas financeiros que conseguimos identificar do feedback que recebemos: incapacidade de poupança e baixa literacia financeira, que no fundo acabam por estar relacionadas.

Até que ponto o aumento do crédito ao consumo está ou pode comprometer a poupança dos portugueses?

O que se está a assistir, depois de um período de crise, é a que os portugueses estão a voltar a consumir. Ou seja, entre poupar e consumir estão a optar pela segunda hipótese, o que é normal acontecer num pós-crise. No entanto, não nos podemos esquecer que estamos ainda perante um cenário de taxas de juro muito baixas. Quando os juros começarem a subir e o preço do crédito ficar mais caro algumas famílias poderão sentir ainda mais dificuldades em poupar porque nessa altura terão de alocar uma parte maior para as dívidas. Daí que seja importante ter muita atenção ao aumento do endividamento para não se repetirem erros passados. 

Como especialista em educação financeira, qual acha ser o maior erro dos portugueses na gestão das sua poupança? 

Não se pagarem a si em primeiro lugar. Ou seja, não pouparem à cabeça mal recebam. Esperar pelo final do mês para ver o que sobra para poupar é deixar a nossa poupança à sorte. Quando nos “pagamos em primeiro lugar” não estamos mais do que a fazer o que o Estado já faz. Se pensarmos bem, quando recebemos o salário já vem líquido de impostos. Ou seja, o Estado já retirou a sua parte. O ideal é que façamos também isso. Ou seja, que retiremos um valor todos os meses de poupança e que o coloquemos a render. É importante definir um valor e criar esse hábito. Pode colocar uma transferência automática e depois o restante será para as despesas do seu orçamento. Assim, quando chegar ao fim do mês mesmo que não tenha sobrado mais nada, já poupou à cabeça. 

Do ponto de vista pessoal, qual a dica de poupança que considera fundamental?

Fazer um orçamento é essencial para saber para onde vai o nosso dinheiro. Só conseguindo identificar o estado atual é que podemos definir objetivos para um estado futuro e traçar metas objetivas e realistas. Por vezes, algumas famílias até podem ter alguma capacidade de poupança mas não o fazem por não terem a noção de onde gastam o dinheiro. Com essa informação é possível fazer escolhas mais acertadas e que vão ao encontro dos nossos objetivos financeiros.

 

Veja também as entrevistas na integra a Janine Medeira, do Poupadinhos e com Vales, e a Pedro Andersson, autor do Contas-poupança, na SIC.