A gestão do dinheiro é sempre uma tarefa que envolve decisões, incerteza e riscos. Se falamos das finanças do casal ainda se torna mais desafiante pois temos de considerar duas pessoas com objetivos distintos. Neste artigo o Dr. Finanças vai-lhe apresentar de seguida algumas dicas e ideias para reflexão e debate.

Todo o diálogo não é pouco

Sabemos que a taxa de divórcio em Portugal assume valores demasiado elevados e sabemos que os problemas financeiros são muitas vezes a origem das situações de divórcio. E sabemos também que a falta de diálogo e de debate no casal são um ingrediente explosivo para a criação, desenvolvimento e rebentamento de problemas conjugais.

Se pararmos para pensar, falamos pouco sobre dinheiro em casa. Podemos achar que falamos sobre dinheiro mas, na realidade, discutimos sobre dinheiro, sobre as causas da falta de dinheiro e sobre as formas de resolver este problema.

Felizmente, o problema da falta de diálogo é fácil de resolver. Basta começarmos a falar… é fácil de dizer mas menos fácil de implementar. O que sugerimos é que defina um dia por mês para falar sobre dinheiro em casal. Nesse dia discutimos os problemas e encontramos formas de os solucionar. E deixamos o resto do mês para aproveitar o tempo.

Definam objetivos e planos

Existem problemas familiares quando as famílias não estão unidas em torno de objetivos comuns. Não quer isto dizer que todos devamos ter os mesmos objetivos e prioridades. No entanto, sabemos que se nos casamos é para construir um projeto em família. O bom de tudo isto é que conseguimos não só dividir os bons resultados como, também, dividir os sacrifícios que são necessários.

Cada pessoa tem os seus objetivos mas a família deve ter objetivos comuns. Devemos saber o que queremos fazer em termos financeiros, em termos profissionais, em termos pessoais. e saber os objetivos da família é passo fundamental para definir o caminho a seguir e os esforços necessários para os atingir. Neste contexto, não se esqueça da flexibilidade, da amizade e da confiança, ingredientes essenciais (mas não suficientes) para a felicidade do casal.

Envolvam os filhos no esforço

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Os filhos são um dos membros da família e isto traz-lhes direitos e deveres. Convém não correr o risco de infantilizar demasiado as crianças. Nunca se esqueça que a reciclagem entrou em casa pelos filhos, pelo que é possível que a poupança seja reforçada com o seu contributo.

A gestão do dinheiro (a correta) é algo que deve ser trabalhado desde muito cedo. Devemos envolver os filhos e explicar-lhes as nossas decisões. Explicar porque trabalhamos e para que serve o dinheiro nunca esquecendo, contudo, que o exemplo é o melhor elemento de educação.

Uma última ideia neste contexto: os filhos são importantes mas o casal é mais importante. Se o casal não tiver estabilidade os filhos acabarão por sofrer. Aliás, é notório o impacto que as zangas e os divórcios têm nos filhos.

Façam o vosso orçamento

O orçamento familiar é uma ferramenta essencial para a gestão do dinheiro… em família. Deve contemplar os objetivos, sonhos e realidade de cada membro do agregado familiar de modo a orientar os esforços de todos quer na poupança, quer no corte de custos ou quer na gestão das despesas do dia-a-dia.

Não é assim tão difícil fazer um orçamento. Bastará saber quanto ganha, quais as rúbricas e montantes de despesa e fazer o controlo regular das suas contas bancárias (neste contexto o Boonzi ajuda bastante ao poupar-lhe muito tempo).

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Não vivam em função do dinheiro

Conhecemos muitos casais que vivem em função do dinheiro. Trabalham muitas horas e não têm tempo para cuidar um do outro. Os objetivos são nobres, como ganhar mais dinheiro para promover a estabilidade financeira da família. No entanto, muitas vezes acabamos por viver em função do dinheiro e do trabalho e esquecemo-nos que estas duas realidades servem de suporte à nossa vida individual e familiar.

Conhecemos um caso paradigmático do que acabamos de dizer. Uma formanda do Dr. Finanças diz que o marido tem um segundo emprego (onde ganha €200 por mês) para pagar as despesas do tabaco e da cerveja, naquele tempo que tem disponível para estar com os amigos. Se repararmos, tem um trabalho extraordinário que lhe retira 3 horas por dia para estar com a família apenas para os seus pequenos prazeres. Faz sentido? Não fará mais sentido cortar algumas das suas despesas para poder estar com os seus familiares?