O fenómeno dinamarquês Hygge parece ter chegado para ficar. Este estilo de vida dinamarquês compreende vários hábitos e comportamentos benéficos às nossas vidas que podemos – e devemos – copiar e estender às nossas finanças pessoais. Conheça alguns deles neste artigo.

Se ainda não está familiarizado com este conceito, nós explicamos: ‘hygge’ é uma palavra dinamarquesa que, tal como “saudade”, não tem tradução, uma vez que se trata de um sentimento, mas também de um modo de vida. Porém, internacionalmente foi comparado com a palavra “conforto”.
O conceito de hygge não é exclusivo aos dinamarqueses, sendo que existem outros muito aproximados em países como o Canadá (hominess), Holanda (gezelligheid), Noruega (koselig) e Alemanha (gemütlichkeit). Apesar de muito similares ao hygge, estes conceitos têm uma ou outra diferença. No caso do gezelligheid, por exemplo, a essência é praticamente igual à do hygge, excepto no facto de ter uma componente mais social com 57% dos holandeses a afirmar que sentem mais gezelligheid fora de casa do que dentro, ao contrário dos dinamarqueses.

E os bons hábitos financeiros que podemos retirar do estilo de vida ‘hygge’ começam precisamente aqui.

Organize mais jantares com amigos em casa

De acordo com Meik Wiking, o autor d’ O Livro do Hygge (“The Little Book of Hygge”) e CEO do Happiness Research Institute, os dinamarqueses adoram passar tempo em casa. Se também é verdade que são amantes de café e de ir a cafés particularmente bonitos com os amigos, a sua preferência em termos sociais recai sobre a convivência com os amigos em casa, em demorados jantares e noites de jogos de tabuleiro e de conversa cara a cara, algo cada vez mais raros nos dias de hoje.
De facto, fazer jantares em casa pode ser bem mais prazeroso e até económico do que ir jantar fora. Peça a cada amigo que contribua com algo para o jantar (um vinho, uma entrada, uma sobremesa,…) e ficará logo mais barato. Da próxima vez, o jantar deverá ser na casa de outro dos seus amigos e assim sucessivamente.

A razão que leva os dinamarqueses a gostarem tanto de passar tempo dentro de casa prende-se muito com o tempo (bastante gelado no Inverno). Ainda que em Portugal gozemos de tempo relativamente ameno todo o ano, os programas caseiros podem ser muito atraentes, especialmente em noites mais frias e que estejam mesmo a pedir o conforto e calor do lar. Se bem acompanhado por amigos e/ou família, melhor.

Volte aos jogos de tabuleiro

O “factor hygge” dinamarquês não contempla jogos electrónicos. O tempo de qualidade com a família e os amigos, principalmente em contexto de jantares como os que falamos no ponto anterior, é para ser passado em convivência cara a cara, portanto é natural que as diversões sugeridas pel’ O Livro do Hygge sejam à base de jogos de tabuleiro e cartas, por exemplo. Nunca subestime a diversão que os jogos podem trazer. Se já não se lembra da última vez que jogou um jogo de tabuleiro com os seus amigos, está na hora de marcar uma noitada de jogos. Uma actividade divertida, grátis e muito hygge!

Crie um ambiente ‘hygge’ com lâmpadas mais fracas e velas

Sabia que os dinamarqueses são o povo que mais gasta velas? Por ano, é estimado que cada dinamarquês derreta vários quilos de cera em velas. Se há coisa que deve perceber sobre o aspecto visual do ‘hygge’ é que a iluminação é tudo. Não há casas nem espaços hygge sem a iluminação apropriada. Os dinamarqueses são sensíveis nesse aspecto. Se tiver um amigo dinamarquês, tente evitar levá-lo a jantar a um restaurante com luzes ‘neon’; nunca estará 100% confortável. Quem o diz é Meik Wiking.
As suas casas têm sempre uma atmosfera confortável e convidativa devido à iluminação que usam: luzes amareladas, de fraca potência ou com abajures que absorvem o excesso de luminosidade e – claro – velas, quanto mais naturais melhor e, se não tiverem perfume, melhor ainda.
Se decidir tornar a sua casa mais hyggelig neste sentido, para além de a tornar mais convidativa, também acabará por gastar menos em electricidade.

Use roupa vintage e/ou em segunda mão

Como já percebeu, para ser hygge, não precisa de gastar muito. Aliás, nem se pretende que o faça. Tudo o que é mais natural, mais rústico e mais antigo é sempre mais hygge, portanto usar roupas em segunda-mão e/ou vintage é mais ‘hygge’ do que comprar roupa nova.
A roupa ‘vintage’ pode ser sua e por ‘vintage’ podemos estar a referir-nos à roupa que já não usa há anos. Faça uma revista aos seus roupeiros e tente ver se consegue usar a roupa que não usa há anos conjugada com peças mais recentes. Vai ver que até já não se lembrava de peças que tinha e que até tem alguma saudade de as usar e, assim, poupa dinheiro em roupa nova.

Invista em peças de design únicas para a sua casa

Segundo O Livro do Hygge, os dinamarqueses dão mais importância àquilo que as suas casas “vestem” do que àquilo que eles próprios vestem e lá porque os fãs do hygge gostam mais de peças de vestuário antigas, não quer dizer que não comprem nada novo. Na verdade, a maioria dos dinamarqueses dá tanta importância ao design de interiores como à iluminação. È normal investirem bastante dinheiro numa peça-chave de decoração para as suas casas, mas por outro lado é-lhes incaracterístico gastarem pequenas quantias de dinheiro em peças aleatórias só porque são baratas ou porque estão em promoção.
Esta lógica faz-nos todo o sentido: se tem a certeza de que quer muito uma peça de decoração e que esta vai fazer toda a diferença na estética da sua casa, deve investir nela, principalmente se for feita com bons materiais que farão com que dure muitos anos.

Os melhores presentes são… feitos por si!

foto: Ana Luísa

A continuar nesta onda de poupança e conforto, o hygge ainda defende que os melhores presentes que pode oferecer – e receber – são aqueles que são feitos com sentimento e intenção. Pense na palavra “diy” (do it yourself); é mesmo a isso que o hygge se refere: presentes feitos à mão, que revelam que gastámos tempo para construir algo para alguém e que estivemos a pensar no receptor do nosso presente enquanto o criamos.

foto: Joan of July

Já conhece o fenómeno hygge? Identifica-se com o conceito e com os hábitos que podemos adoptar? 🙂