Sinistralidade em Portugal: Onde é que continuamos a falhar?    

Portugal é dos países europeus com mais mortes nas estradas. É preciso atuar para fazer o país cair no ranking. E é urgente!

Portugal foi o sexto país da União Europeia com mais mortes na estrada. Os dados são de 2022 e constam num relatório do Tribunal de Contas Europeu. No ano passado, com dados até junho, Portugal “subiu” dois degraus e ascendeu ao quarto lugar, num ranking que não nos pode orgulhar.

Olhando para os números, em 2023 houve mais de 35 mil acidentes rodoviários com vítimas, das quais 450 foram vítimas mortais, segundos os números da ANSR – Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária. Os dados da última década mostram uma pequena descida nas vítimas mortais, ainda assim a um ritmo baixo. Bem sei que temos muito mais veículos a circular, o que acaba por “desequilibrar” as contas, mas o objetivo tem de ser eliminar por completo as mortes na estrada.

Onde estamos a falhar? Claramente nos comportamentos de quem anda na estrada.

É imperativo atuar de forma célere. Reduzir o número de vítimas mortais só é possível através de uma aposta clara na prevenção. E talvez precisemos de medidas mais drásticas para mudar a mentalidade e forma como os automobilistas se comportam.  

É importante salientar que, ao longo dos últimos 10 anos, foi feito algum trabalho, mas os números mostram que não é suficiente. Aumentámos o grau de exigência na fiscalização das viaturas; foram colocados mais radares nas estradas; a PSP e a GNR reforçaram a fiscalização rodoviária; fizeram-se obras de melhoria em algumas vias; e, ainda, se obrigaram os construtores de automóveis a reduzir a velocidade máxima dos seus novos modelos. Estas medidas têm o objetivo de prevenir acidentes, mas não chegam.

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Formação “de choque” obrigatória

Sabemos que mudar os hábitos é algo muito difícil. Por isso, é importante conseguirmos atuar o mais cedo possível. Dito isto, onde devíamos estar a atuar? Entre os mais jovens.

Por que não implementarmos uma formação obrigatória de prevenção, feita antes de se tirar a carta e com reciclagens obrigatórias? Uma formação que mostre casos práticos, que coloque os futuros “encartados” (e os que já têm carta) perante realidades mais chocantes. Que os obrigue a ter contacto com a consequência de más decisões ou de comportamentos arriscados na estrada.  

Uma “terapia de choque” pode ajudar a reduzir os comportamentos, que colocam em risco a qualidade e a vida de milhares de pessoas todos os anos. Se queremos mudar o rumo da sinistralidade, temos mesmo de levar o tema até aos mais jovens e com eles trabalhar a prevenção, preparar o futuro e mudar a forma como nos comportamos na estrada.

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Seguros mais caros

O número de acidentes nas estradas tem outro efeito, que não podemos descurar: o aumento dos prémios do seguro automóvel.

Todos os anos sentimos na carteira o aumento do seguro automóvel e todos os anos nos queixamos desse aumento. Devemos parar um pouco para perceber a razão por detrás deste aumento.

No seguro automóvel, o risco é mutualizado. Ou seja, há como que uma “partilha” do risco, que envolve distribuição dos custos associados a sinistros (desde os acidentes aos roubos) entre todos os segurados da seguradora. Logo, as contas são fáceis de fazer: quanto mais acidentes se registarem, e mais graves forem, maior o custo com o seguro no ano seguinte.  

E este custo acaba por ser suportado pelos condutores bem e malcomportados. 

Se pensarmos que na base deste sistema está uma sinistralidade perpetuada há já demasiados anos, fica ainda mais complicado aceitar e compreender por que teima em tardar a inversão deste quadro dramático. 

Esta é, sem dúvida, uma missão de todos. É urgente apostar na formação de forma consistente, independentemente de se considerar que é uma obrigação do Governo, do regulador do setor (ASF – Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) ou das companhias de seguros. É imperativo unirmos esforços e fazer com que Portugal caia no ranking da mortalidade nas estradas.

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Co-fundador do Doutor Finanças e administrador de Seguros, Rui Costa é formado em Economia, com especialização em liderança, gestão operacional e Customer Experience. Nasceu em 1988, começou a trabalhar na área de intermediação de crédito aos 23 anos. Natural de Fafe, adora ler e aprender coisas novas. Procura desafiar-se constantemente e de sair da sua zona de conforto. Adora liderar pessoas, dar-lhes as ferramentas certas para as ajudar a crescer do ponto de vista profissional, mas também pessoal, porque as pessoas não são só trabalho, são muito mais.

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