Vida e família

Universidade Sénior: conheça este projeto para as comunidades

A Universidade Sénior nasceu para combater a exclusão social da população mais envelhecida. Saiba como funcionam estas universidades que ajudam a comunidade através da promoção da educação e da cultura.

Luisa Barreira Luisa Barreira , 3 Outubro 2019

Na atualidade, ser-se idoso é uma realidade bem diferente de outros tempos. Para além da esperança média de vida aumentar de ano para ano, tende a tornar-se uma geração mais saudável e ativa e por isso ganhou uma nova visibilidade na sociedade, que antigamente não existia.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) o conceito de envelhecimento ativo surgiu em 2020 e “visa transmitir uma mensagem mais abrangente estendendo-se para além da saúde a aspetos socioeconómicos, psicológicos e ambientais, integrados num modelo pluridimensional, defendendo deste modo, a predominância de múltiplos fatores que afetam o modo como os indivíduos e as populações envelhecem.” (Ribeiro & Paúl, 2011, citado por Almeida, 2016, p. 21)”.

Viver para além dos 65 anos é, hoje, uma realidade mais certa, como tal, tem havido nas últimas décadas uma reflexão maior sobre o papel dos idosos e a sua integração na sociedade, bem como questões relacionadas com o seu modo e qualidade de vida. Foi necessário arranjar soluções para que este tipo de população não perca qualidade nos anos de vida adicionais.

É neste contexto de envelhecimento ativo que nascem a Universidade Sénior.

O surgimento da Universidades Séniores foi com essa intenção: proporcionar o aumento da qualidade de vida dos idosos, criando convívios que estimulam a comunicação, a aprendizagem e a criatividade e dinamizando atividades culturais, educativas e sociais, alterando assim a rotina dos idosos.

O que é uma Universidade Sénior e os quais os seus objetivos?

As Universidades Séniores são instituições sem fins lucrativos que constituem um programa de educação de adultos em todo o mundo, envolvendo milhões de pessoas nos 5 continentes. Em Portugal, as Universidades Séniores da RUTIS englobam mais de 45.000 alunos, 300 entidades e 5.500 professores voluntários.

A instituição pretende promover o envelhecimento ativo e saudável, bem como a qualidade de vida dos mais idosos e a sua inserção e participação social. Para tal, dinamiza atividades culturais, sociais e educacionais, regulares, que gerem aprendizagem, num ambiente informal.

Este ambiente é fundamental para combater o isolamento da população idosa e a exclusão social e representa um pólo de informação e divulgação de serviços, recursos, direitos e deveres dos mais idosos, fortalecendo desta forma a participação social das pessoas idosas.

O próprio Presidente da Associação da RUTIS, Luís Jacob, manteve alguns anos uma “luta” com o Ministério da Solidariedade e Segurança Social, para que se criasse um “enquadramento legislativo” para estas instituições, para que fossem valorizados os esforços destas Universidades e fossem reconhecidas como uma resposta social efetiva ao envelhecimento ativo.

Segundo o Presidente, os efeitos positivos nos idosos portugueses é transversal e ajuda na saúde: «os alunos que vão para as UTI consomem cerca de menos 20% de medicamentos do que os outros idosos e o nível de depressão é muito menor», disse em entrevista à Agência Lusa, em Março de 2013.

Como surgiram as universidades séniores?

As Universidades Séniores surgiram na Europa em 1973, na França, na Universidade de Toulouse, a primeira fundada pelo Professor Pierre Vellas. Em Portugal, criou-se a primeira universidade, em Lisboa, em 1976, designada por Universidade Internacional da Terceira Idade (UITI), pelo Dr. Herberto Miranda.

Desde essa altura e até à data, foram muitas as instituições que surgiram em todo o país, tendo várias designações, tais como: “Universidades Seniores”, “Universidades do Autodidata e da Terceira Idade”, “Academias de Cultura e Cooperação”,mas todas com o mesmo propósito de promover a cultura e ocupação do tempo livre dos idosos de uma forma saudável.

À rede de universidades dá-se o nome de RUTIS (Rede de Universidades de Terceira Idade). Surgiu oficialmente em Novembro de 2005 e é uma instituição particular de solidariedade social, que presta apoio à comunidade mais idosa, tendo uma atuação quer a nível nacional como internacional. Esta instituição representa assim, todas as universidade séniores.

Para quem é a Universidade Sénior?

Estas instituições destinam-se a adultos com idade igual ou superior a 50 anos, independentemente do seu grau de escolaridade. No entanto os familiares e amigos são muitas vezes convidados a assistir e a participar, direta e indiretamente, em algumas atividades.

Os professores têm que ter idade igual ou superior a 18 anos e não têm que ter obrigatoriamente nenhum grau académico para lecionar uma determinada disciplina. Estas instituições baseiam-se no voluntariado social dos formadores e animadores.

Aqui o papel destes “Educadores Sociais” é perceber a individualidade de cada um, respeitar a identidade própria de cada idoso (as suas preferências, a maneira de pensar, as suas emoções, os seus problemas e necessidades) e ajudá-lo na sua interação com o mundo e a sociedade em que está integrado.

Para além do gosto e vontade de aprender, os alunos séniores devem ter capacidades físicas e psicológicas para a realização das várias atividades e aceitar os princípios e normas do funcionamento de cada instituição.

Como funciona a Universidade Sénior?

Por norma a inscrição é mediante o preenchimento de uma ficha de candidatura. No ato da inscrição é efetuado o pagamento do seguro anual, pelo qual os alunos têm que estar obrigatoriamente cobertos.

Normalmente, o funcionamento é em horário laboral, de segunda a sexta feira, embora algumas universidades possam ter determinadas atividades em horário pós laboral.

O valor das mensalidades, as disciplinas, os conteúdos programáticos e as atividades desenvolvidas variam e são definidas por cada instituição, pelo que se aconselha a consultar a informação disponibilizada por cada uma das universidades da sua zona geográfica. Podemos, ainda assim, dizer que a média nacional do valor da mensalidade são 12 euros.

Os meses de funcionamento, bem como as interrupções também variam de universidade para universidade, no entanto, e por norma, o funcionamento é entre os meses de Setembro a Junho, com interrupções no natal, carnaval e páscoa.

As disciplinas (teóricas e práticas) e atividades desenvolvidas variam, mas podem abranger as seguintes áreas e conteúdos, desde línguas, a música, teatro, artes plásticas, desporto, psicologia, visitas guiadas, exposições, palestras, entre outras atividades.

Anualmente, a RUTIS organiza e promove vários eventos que englobam as várias universidades, onde se promove grupos musicais, grupos de teatro, academias, galas de arte e de dança, por exemplo.

Todos os alunos e professores que integram uma Universidade Sénior da RUTIS têm ainda um cartão de identificação, com validade de três anos letivos, que mediante a sua apresentação, o portador tem acesso a diversas instituições, museus, e unidades hoteleiras com as quais a RUTIS tem parceria. Para além disso, com este cartão, terão acesso a um conjunto de descontos e vantagens com diferentes empresas a nível nacional. Assim ser aluno pode dar descontos e poupança financeira!

Concluindo, pode-se afirmar que as Universidades Séniores surgiram para contrariar a ideia pré estabelecida e o estereótipo de que a pessoa idosa não tem um papel ativo na sociedade. Pelo contrário, estas instituições assumem um papel crucial no bem estar e qualidade de vida dos idosos.

Desta forma, altera-se a imagem negativa que a sociedade atribui à velhice e ao processo de envelhecimento e por outro lado, do ponto de vista individual, auxilia os idosos a traçar projetos e objetivos futuros, promovendo, assim, o aumento da esperança de vida com qualidade e dignidade.

Partilhe este artigo

Deixar uma resposta (Podemos demorar algum tempo até aprovar e mostrar o seu comentário)