Em Portugal, vivemos mais anos do que a média da Europa. Um terço das mortes em Portugal estavam relacionadas com fatores de risco comportamentais, um nível inferior à média europeia. Ainda assim, a evolução sugere cautelas.
A 7 de abril comemora-se o Dia Mundial da Saúde. Importa olhar para os dados disponíveis e perceber em que estado está o nosso país.
Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mostram-nos que os portugueses vivem mais anos do que a média dos países europeus. Em 2022, a esperança de vida à nascença em Portugal era de 81,7 anos, um ano superior à média da União Europeia (UE).
Este indicador é relevante porque mostra que as condições de vida estão a melhorar, mantendo-se a realidade de que é de doenças cardiovasculares e de cancro que se morre mais em Portugal. Os dados da OCDE expõem outra questão: os portugueses com mais de 65 anos vão viver menos tempo sem incapacidades do que os congéneres europeus.
“Em comparação com a média da UE, prevê-se que em Portugal, após os 65 anos, os homens e, sobretudo, as mulheres vivam uma parte significativamente menor da sua vida sem incapacidades. Esta disparidade reflete a prevalência consideravelmente mais elevada das limitações de atividade relacionadas com a saúde entre as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos em Portugal, em comparação com a média da UE”, destaca um estudo publicado no ano passado da OCDE, onde é publicado o perfil de saúde do país.
É assim importante avaliar como estão a evoluir outros indicadores, que vão além da esperança média de vida, nomeadamente os relacionados com comportamentos de risco.
Cuidar do nosso corpo, de forma a conquistar uma velhice com maior qualidade de vida, é também uma questão comportamental, sendo que os principais riscos estão identificados. Em 2019, segundo a OCDE, quase um terço das mortes em Portugal estavam relacionadas com fatores de risco comportamentais, uma percentagem inferior à da maioria dos outros países da UE (39%).
E que fatores de risco são estes? Em causa estão, essencialmente, três questões: tabagismo, consumo de álcool e obesidade. Ainda assim, comparando estes indicadores com a média da União Europeia, Portugal está, em quase todos os indicadores, melhor.
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Menor consumo de tabaco, menor consumo de álcool e menos exercício físico
Assim, é importante perceber que Portugal registou uma descida do consumo diário de tabaco nos últimos anos. A proporção de adultos que fumam diariamente diminuiu de 17% em 2014 para 14% em 2019, situando-se abaixo da média da UE (18,7%), de acordo com os dados da OCDE.
Já no consumo de álcool, entre 2010 e 2019, observou-se uma redução de consumo entre os adultos que consumiram 10,4 litros em 2019, menos quase um litro do que nove anos antes. Este valor fica, ainda assim acima da média da Europa (10,1 litros). Mas, há sinais positivos.
Se analisarmos o consumo de álcool entre os jovens, o consumo excessivo dos portugueses está bastante abaixo da média da UE: 8% dos jovens português (com 15 anos) relataram já ter atingido estados de embriaguez, contra uma média de 18% na UE).
No que se refere à obesidade, 17 % dos adultos eram obesos em 2019, uma taxa superior à média da UE (16 %). Sendo que este indicador é condicionado por outros fatores. Se analisarmos os riscos alimentares, Portugal está melhor no retrato do que a média europeia. Já se analisamos os dados referente ao exercício físico, Portugal não compara bem.
Estes indicadores mostram, assim, que é importante não descurar e que, apesar de alguns revelarem melhorias, é necessário atuar para ajudar as pessoas a terem melhores comportamentos. O que terá reflexo na qualidade de saúde dos portugueses.
Mas o retrato da saúde não se resume a questões de consumo ou práticas desportivas. Há um pendor que tem uma relevância grande no estado da saúde em Portugal: a mente.
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