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Fundos de investimento: Vale a pena investir?

Com juros baixos e inflação alta, os fundos apresentam-se como uma solução de investimento atrativa. Saiba se é a alternativa certa para si.

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Fundos de investimento: Vale a pena investir?

Com juros baixos e inflação alta, os fundos apresentam-se como uma solução de investimento atrativa. Saiba se é a alternativa certa para si.

Os juros baixos limitaram, durante anos, o retorno das aplicações mais tradicionais, como os depósitos bancários, levando muitos investidores a procurar rentabilidades mais atrativas em troca de algum risco. Hoje, os juros já estão a subir, mas num cenário de crescimento acelerado dos preços, que coloca um grande desafio aos aforradores: encontrar retornos capazes de contrariar o efeito corrosivo da inflação.

É neste contexto que os fundos de investimento se apresentam como uma solução apelativa para muitos investidores. De acordo com os mais recentes dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP), as subscrições de fundos de investimento em Portugal ascenderam, em agosto, a 271,6 milhões de euros, enquanto os resgates totalizaram 220,5 milhões de euros. Registou-se, assim, um saldo positivo de subscrições líquidas no montante de 51,1 milhões de euros, depois de três meses consecutivos de queda.

Mas o que são, afinal, fundos de investimento? Quais as vantagens e desvantagens em relação a outros instrumentos? Saiba mais, neste artigo, sobre esta solução de investimento e as suas características.

Fundos de investimento: tipos e características

Um fundo de investimento é um instrumento financeiro que resulta da captação de capital junto de diversos investidores e que é administrado por gestores profissionais, que o aplicam numa série de ativos. Trata-se, no fundo, de um património autónomo, criado pelo contributo de várias partes, que confiam a gestão do seu dinheiro a especialistas.

De uma forma simplificada, podemos pensar num fundo de investimento como um “saco” em que várias pessoas colocam a quantia que querem investir. Esse saco é, depois, entregue a um gestor profissional, que aplica o dinheiro do grupo numa diversidade de ativos, que podem ir de ações e obrigações até imóveis. Cada uma das pessoas, por si, poderia não ter capacidade de investir num conjunto tão vasto de bens, mas em grupo, e com um “bolo” maior, conseguem beneficiar da exposição a uma diversidade de ativos, setores e geografias.

Encontramos, no mercado, vários tipos de fundos de investimento, que se distinguem precisamente pela composição das carteiras, ou seja, pelo tipo de ativos em que aplicam o dinheiro. Temos, assim, os fundos de investimento mobiliários, que investem sobretudo em ativos como ações, obrigações ou outros valores mobiliários, e os fundos de investimento imobiliários, que investem sobretudo em bens imóveis.

Ao mesmo tempo, os fundos subdividem-se em abertos e fechados. Nos fundos abertos, os investidores podem subscrever e resgatar as parcelas que compõem o fundo (as chamadas unidades de participação) em qualquer momento, ao passo que nos fundos fechados há um período pré-determinado para a subscrição, e o resgate só acontece com a liquidação do fundo.

Leia ainda: 7 mitos sobre o investimento que pode deixar para trás

Rendibilidade e risco

A maioria dos fundos de investimento não tem capital garantido. Ou seja, ao investir, está a arriscar a perda de parte ou a totalidade do dinheiro. Por outro lado, associado a este risco está a possibilidade de obter retornos muito atrativos, bastante superiores à de outros instrumentos que oferecem maior segurança.

Assim, o investidor nunca sabe, à partida, que retorno conseguirá com o seu investimento. Se leu num folheto ou campanha que determinado fundo tem uma rendibilidade de x%, saiba que esse valor se refere a desempenhos passados ou, no caso de um fundo novo, a uma perspetiva, não constituindo nenhuma garantia da rentabilidade que será efetivamente conseguida.

Isto porque os fundos, devido à natureza dos ativos em que estão investidos, estão sujeitos às oscilações do mercado e, por isso, às flutuações de preço. E, claro, quanto maior o potencial de valorização, maior o nível de risco.

Leia ainda: Fundos de investimento: Conheça alguns conceitos antes de investir

Investidor faz contas ao retorno dos seus investimentos recorrendo a uma máquina calculadora e a gráficos

Vale a pena investir? Vantagens e desvantagens

Como vimos, os fundos permitem cumprir a regra de ouro do investimento – a diversificação – e obter retornos potencialmente elevados, em troca de alguns riscos. Resumimos, de seguida, as principais vantagens e desvantagens desta solução em relação a outras alternativas de poupança e investimento:

Vantagens:

- Diversificação. Através de um fundo, o investidor consegue um grau de diversificação do seu património que dificilmente obteria com o investimento direto nos ativos. Da mesma forma, poupa nos custos de corretagem (face ao investimento direto), beneficiando também da simplicidade do processo.

- Gestão profissional. A gestão do fundo está a cargo de especialistas com conhecimento e experiência na administração de ativos, que adaptarão a carteira ao contexto do mercado, potenciando a rentabilidade e a proteção do capital. O investidor poupa tempo e preocupações.

- Regime fiscal. Os fundos de investimento estão sujeitos a um regime fiscal que é, em muitos casos, mais favorável, como é o caso do investimento em imóveis, devido às isenções fiscais de que beneficiam.

- Transparência. Antes de subscrever um fundo de investimento, o investidor tem acesso a toda a documentação sobre aquele instrumento, o que lhe permite tomar uma decisão consciente e informada.Todos os fundos são obrigados a publicar documentos com a informação sobre custos, riscos, objetivos e política de investimentos.

- Rendibilidade. Os fundos de investimento podem gerar retornos muito elevados, bastante superiores ao de instrumentos mais tradicionais, bem como aos dos ativos que o compõem, isoladamente. No entanto, como já vimos, retornos potenciais mais elevados são acompanhados por um maior nível de risco.

Desvantagens:

- Comissões. Nos fundos de investimento estão implicados vários custos, como comissões de subscrição, comissões de resgate e comissões de gestão. A este nível, comparam mal com outras soluções que permitem o mesmo grau de diversificação, como os ETF.

- Riscos. O investidor fica exposto a uma série de riscos, incluindo risco de mercado, risco de capital, risco de remuneração e de liquidez. Estes instrumentos não são, por isso, aconselháveis a perfis de investimento mais conservadores.

- “Voz” na gestão. A partir do momento em que aplica o seu dinheiro num fundo de investimento, o investidor confia a sua gestão a um especialista e não tem uma palavra a dizer sobre a forma como será administrado.

Leia ainda: ETF: O que são e como funcionam como opção de investimento

O que ter em conta antes de investir?

Antes de investir num fundo, é importante que avalie se este instrumento se adequa aos seus objetivos específicos e ao seu perfil de investimento. Estando sujeito a risco de capital, não é aconselhável a investidores mais conservadores, com baixa tolerância ao risco.

Por outro lado, deve informar-se devidamente sobre as vantagens e riscos a que estará exposto, consultando toda a informação disponível, nomeadamente no regulamento de gestão e no prospeto.

Se mesmo assim tiver dúvidas, peça mais informações à sociedade gestora ou banco depositário e não avance sem compreender as características do produto.

No site da CMVM, pode conhecer e comparar as comissões e custos cobrados pelas entidades que comercializam fundos de investimento e também recorrer a simuladores para perceber qual é a entidade que pratica a taxa mais competitiva na subscrição de determinado fundo.

Leia ainda: Qual é o seu perfil de investidor?

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