Orçamento Familiar

Universidade, e agora? Guia descomplicado de contas para pais e filhos

Entrar na universidade significa um aumento de gastos com a educação. Aprenda alguns truques para poupar na chegada ao Ensino Superior.

Orçamento Familiar

Universidade, e agora? Guia descomplicado de contas para pais e filhos

Entrar na universidade significa um aumento de gastos com a educação. Aprenda alguns truques para poupar na chegada ao Ensino Superior.

Entrar na universidade é um passo importante na vida dos jovens e na dos seus pais. É uma altura de alegria, mas também de algumas angústias e de muitos gastos. Fazer as contas, nesta fase, é essencial. Esclareça as suas dúvidas neste guia prático, com dicas essenciais para viver, este período, de forma plena e tranquila

Gastos mensais com a entrada na universidade

As despesas fixas são aquelas que mais preocupam os pais, principalmente se o filho foi colocado numa universidade fora da área de residência.

As propinas são o gasto certo que pode sempre antecipar: para o ano letivo 2021/2022 vão variar entre 697 e 871,52 euros anuais (licenciaturas e mestrados integrados). Mas, para além deste valor, deve ainda ter em consideração os gastos com material. Embora já não tenha que comprar livros escolares, existem sempre gastos com fotocópias, um ou outro livro técnico e material diverso. Sendo que este valor dependerá sempre do curso. 

O cenário fica um pouco mais complexo, se ficar colocado numa universidade fora da sua área de residência. Neste caso, os custos serão consideravelmente maiores. Despesas com alojamento, comida, viagens e transportes devem assim entrar na equação. E a própria localidade vai ter impacto neste valores. Por exemplo, arrendar um quarto em Lisboa ou no Porto, terá um peso maior no orçamento, que um quarto em Castelo Branco ou na Beira Interior). Usando números redondos considere os seguintes valores médios

Alojamento e despesas/mensal: 250 euros
Comida/mensal: 150 euros
Transportes/mensal: 30 euros
Viagens para casa/mensal: 50 euros
Mesada para despesas com cafés, jantares ou saídas: 150 euros 

Isto dá um total por mês de 680 euros, sendo que a este valor deve acrescentar o valor da propina: assim por ano (11 meses) ter um filho na universidade custa aproximadamente 1320 euros. Se não consegue pagar as propinas da universidade, conheça 6 soluções, pois há apoios que podem fazer a diferença nas suas contas.

O alojamento é, sem dúvida, o encargo mais difícil de contornar e o mais exposto às oscilações do mercado imobiliário. Por isso, na altura de procurar alojamento, considere as residências universitárias como uma opção. E, não se esqueça de concorrer às bolsas de estudo dos Serviços Académicos, porque, caso seja elegível, podem ser um bom suporte. Ainda no que diz respeito à procura de alojamento, e se não conseguir lugar numa residência, lembre-se que nas associações de estudantes das faculdades e nos pequenos cafés de bairro pode encontrar informações sobre quartos a preços competitivos.

Leia ainda: Universidade: quanto custa tirar um curso superior?

Dicas para gerir a mesada na universidade

Nestas contas, há mais um item do qual não pode fugir: a mesada. A mesada dará ao seu filho sentido de responsabilidade na gestão financeira, mas também alguma independência.

Fomentar as relações pessoais é essencial para qualquer jovem acabado de chegar à universidade. Portanto, é importante que as despesas fixas sejam asseguradas, mas também deve haver margem para que possa explorar a nova cidade e viver a vida académica da melhor forma possível. Por isso, estabeleça um valor mensal para que possa viver e gerir, da melhor forma, o seu dinheiro. Encontrar um ponto de equilíbrio entre o esforço orçamental da família e o futuro caloiro será sempre um bom exercício para fazerem juntos

Outro desafio que pode ser interessante é incentivar os mais novos a trabalharem durante o verão. Assim, podem juntar algum dinheiro para as extravagâncias da vida académica, sem que sobrecarregar os pais. No verão, existem sempre várias opções: seja para cobrir férias de funcionários, seja em bares e restaurantes de praia, ou em lojas no shopping. Esta, pode ser uma boa forma de aliviar os encargos com a referida mesada.  

Estratégias para poupar nas refeições e em material escolar

Existem algumas estratégias que podem permitir que os jovens poupem "uns trocos", sem comprometer o sucesso académico ou as relações interpessoais.

As refeições podem facilmente ser uma grande fonte de despesa:

  • incentive o seu filho a fazer o máximo de refeições em casa. Fará bem à carteira e à saúde;
  • prepare um cabaz com produtos frescos e saudáveis para ele levar quando for a casa de visita. Assim, evita dar dinheiro para compras de supermercado e garante que não é todo gasto em fast food;
  • planeie algumas refeições em conjunto com ele. Será uma boa oportunidade para passarem tempo junto e um ótimo momento para lhe dar boas dicas culinárias.

No que diz respeito a material escolar, dependendo do curso, também não será difícil poupar:

  • em vez de comprar livros, incentive-o a ir à biblioteca e a requisitar os manuais mais caros;
  • lembre-o das sebentas - o melhor amigo dos alunos no ensino superior. São normalmente facultadas pelos alunos mais velhos e revelam-se o verdadeiro santo graal dos cursos.

Leia ainda: Mestrado ou pós-graduação: o que ter em conta antes de decidir

A universidade abre horizontes

Chegar a uma cidade nova, a um ambiente completamente diferente, pode ser uma experiência avassaladora. Entrar na universidade abre muitas portas e muitos horizontes, por isso, "sem ser careta", relembre o seu filho da importância de viver, da melhor forma possível, estes anos.

Mantenha uma relação assente no diálogo. Recorde os mais novos que as "noitadas" fazem parte, mas que, por vezes, uma noite passada em casa, rodeado de amigos, pode ser bem mais barata e igualmente divertida.

A entrada na universidade deve ser pensada desde cedo e, por isso, criar contas poupança para os filhos desde o nascimento pode ser uma solução a adotar, de forma a suavizar a chegada do "dia D". Por exemplo, se por mês conseguir poupar 50 euros, quando o seu filho tiver 18 anos terá acumulado cerca de 10.800 euros. Um valor confortável para preparar uma entrada no ensino superior. Se a este valor acrescentar prendas monetárias que o seu filho recebe ao longo da vida, e se associar esta poupança aplicações financeiras interessantes, o montante amealhado será ainda maior. 

Um bom planeamento e uma gestão consciente é, sem dúvida, a melhor forma para construir o futuro, que começa agora. Um futuro que não se deve resumir ao sucesso académico, mas que deve procurar ter em conta uma série de outros aspetos de desenvolvimento pessoal, onde a poupança deve estar contemplada. Jovens responsáveis e conscientes das suas finanças, serão, com certeza, profissionais bem sucedidos e adultos seguros de si.

Leia ainda: Dicas para estudantes que vão para uma universidade fora da sua cidade

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