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Quer investir na bolsa de valores? 7 cuidados base a ter em conta

Investir na bolsa de valores requer conhecimentos gerais de interpretação e conceitos financeiros e de cálculo. Não é uma ciência exacta.

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Quer investir na bolsa de valores? 7 cuidados base a ter em conta

Investir na bolsa de valores requer conhecimentos gerais de interpretação e conceitos financeiros e de cálculo. Não é uma ciência exacta.

Está a pensar em começar a investir na bolsa de valores? Se respondeu afirmativamente deve ter em conta um conjunto de cuidados, antes de avançar para este tipo de investimento.

Neste artigo, estes cuidados estão ordenados cronologicamente e por ordem crescente de prioridade. Caso não se sinta à vontade com algum um deles, deve perguntar-se se vale mesmo a pena investir na bolsa de valores.

Bolsa de valores

Por vezes, ouvimos a expressao "jogar na bolsa". Na verdade, se não existir um trabalho preparatório, pode mesmo considerar-se que se trata de um jogo de sorte ou azar.

Mesmo com trabalho de casa, obriga a um acompanhamento relativamente regular, no mínimo, a cada trimestre, aquando apresentação de resultados. Nesses instantes, é possível conhecer os resultados e confrontá-los com a sua análise base. Também é nessas alturas que as empresas apresentam pontos de situação relativamente a projetos em curso e expectativas futuras.

Assim, o investimento no mercado bolsista requer conhecimentos gerais de interpretação e conceitos financeiros e de cálculo. Não é uma ciência exacta. Se não está disponível para estar sempre atento e ter alguns cuidados, então este tipo de investimento pode não ser o mais adequado para si.

Como alternativa, ainda com exposição ao mercado acionista, pondere investir em produtos financeiros de gestão passiva. Mantém-se o risco de perda de capital e o horizonte temporal de investimento não deve ser inferior a 10 ou 15 anos.

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1. Tem um fundo de emergência?

Garanta a existência de um fundo de emergência que lhe permita fazer frente a eventos imprevistos, sem necessidade de tocar nas suas poupanças. Por esse motivo, o fundo de emergência deve estar disponível, para quando for necessário, e deve estar aplicado num produto de capital garantido (por exemplo, depósito a prazo ou certificados de aforro).

De um modo geral, o fundo de emergência deve assegurar as suas despesas correntes durante um prazo de 6 a 12 meses.

Antes de avançar para produtos de investimento mais complexos e mais voláteis, deve garantir que satisfaz esta boa prática.

2. Avalie a sua tolerância ao risco

O investimento no mercado de capitais coloca o seu dinheiro em risco. Isto porque pode implicar a perda parcial ou total do capital investido, pelo que deve avaliar antecipadamente o seu perfil de risco.

Seja honesto sobre como lida com a perda de capital. Como se sentirá se as suas ações começarem a desvalorizar? Imagine um cenário caótico de perda de 40% do seu capital investido durante um período de um a dois anos. Está disponível para esperar que as ações voltem a valorizar? Ou para reforçar posições nesse período mais conturbado?

Avalie a sua tolerância ao risco, antes de se iniciar neste tipo de investimento.

3. Seja crítico

Num mundo dominado pela tecnologia e pelo acesso fácil à informação, é expectável que se depare com muitas opiniões, sejam de analistas, youtubers ou até mesmo de um amigo ou conhecido que faz uma sugestão de aquisição de ações de uma determinada empresa.

Mas, atenção, lembre-se que desconhece os pressupostos que fundamentam uma determinada opinião. Somos todos diferentes e cada um de nós assume os pressupostos que lhe parecem mais pertinentes. Podemos partir da mesma informação financeira e chegar a resultados distintos.

Seja crítico. Procure perceber quais os motivos que conduzem a determinada "sugestão" e faça a sua própria pesquisa.

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jovem mulher investidora analisa gráficos das cotações em bolsa

4. Consegue interpretar informação financeira?

Este ponto é o mais importante: entender os conceitos gerais para interpretar informação financeira. É a base que lhe permite avaliar a saúde de uma empresa, calcular rácios, perceber o seu passado e avaliar o preço da sua ação.

Caso não domine os conceitos base, não arrisque. Procure primeiro informação e formação sobre metodologias de avaliação de ações.

O investimento em ações não é uma ciência em que "se fazemos A então obtemos B". Num portefólio de ações, dificilmente todas são boas escolhas e valorizam a longo prazo. No entanto, se seguirmos uma metodologia racional e fundamentada, a probabilidade de efetuar boas escolhas é superior.

Como complemento, temos de aceitar que existe um conjunto de variáveis que não controlamos, nomeadamente as políticas económicas, eventos pontuais (por exemplo, a pandemia da Covid-19) que podem conduzir a resultados empresariais abaixo das expectativas. Há, portanto, uma certa dose de imprevisibilidade naquilo que depende de si.

5. Importa conhecer o passado

Não é possível prever o futuro. Mas conhecendo o passado, é possível obter um enquadramento da informação financeira e correlacioná-la com a perceção de valor da empresa. Ou seja, o valor da ação.

Por norma, as empresas divulgam os resultados corporativos a cada trimestre. Analisar de modo isolado cada divulgação de resultados, não nos diz nada. É preciso enquadrá-los, analisar tendências e correlacioná-los com o valor da ação em cada um desses momentos.

É com base nessas tendências e na correlação entre informação, que é possível projetar o futuro (ainda que incerto). Uma empresa que apresente rácios consistentes durante, por exemplo, cinco anos, tem maior probabilidade de, no curto prazo, manter essa consistência, quando comparada com outra empresa com rácios pouco consistentes.

Assim, na certeza de que estas análises exigem tempo, evite cair na tentação de ignorar alguns cuidados base. Antes de os ignorar, lembre-se sempre que o seu capital está em risco. Caso não se reveja na posição de fazer o trabalho (de casa) de análise, não arrisque. Opte por outro tipo de investimento ou exposição ao mercado de ações por via da gestão passiva (por exemplo, ETF de índice).

6. Comece com montante reduzido

Este processo é uma aprendizagem eterna, que vai sendo afinado com o tempo. Não precisa nem vai conseguir assimilar toda a informação inicial de uma só vez. O importante é dar o pontapé de saída, com passos curtos mas consistentes e sem pressas. Tem o seu capital em risco, como tal, não se justifica "atirar-se de cabeça".

Pode, por exemplo, escolher uma corretora com baixo custo e começar com um montante reduzido. Isto vai permitir-lhe um primeiro contacto com o mercado bolsista, aprofundar conhecimento e perceber a dinâmica das oscilações. Também permite saber como utilizar uma plataforma de trading e identificar os tipos de ordem mais comuns.

Leia ainda: 4 regras para escolher o melhor intermediário de bolsa

7. Seja paciente

As empresas estão em evolução contínua, quer na melhoria da sua eficiência, quer no lançamento de novos produtos ou áreas de negócio. É preciso tempo para que se vejam os resultados de uma boa gestão que, por sua vez, se reflita em ganhos para os acionistas. Mesmo que adquira ações a um valor inferior, face ao valor potencial, não significa que o valor das ações suba no curto prazo. A maior parte das vezes demora tempo.

Se fez o trabalho de casa e se se baseou em factos, tenha confiança e paciência. A médio prazo, se os resultados não corresponderem às suas expectativas, reveja os seus pressupostos e tente perceber o motivo.

Este tipo de investimento é para horizontes temporais longos. No mínimo, deve considerá-lo a 10 anos embora possa ser necessário mais tempo em função das políticas monetárias e da saúde da economia global. O ideal são horizontes temporais superiores a 15 anos.

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