Crédito

Crédito ao Consumo

Pedro Pais Pedro Pais , 10 Abril 2007 | 12 Comentários
Existem alturas da nossa vida em que, por um ou outro motivo, queremos algo para o qual não temos liquidez (leia-se dinheiro) suficiente, pelo que obtemos um crédito. Regra geral obter crédito para consumir um bem/serviço é um mau negócio, mas há uns piores que outros.
Pedro Pais é o fundador do financaspessoais.pt e do forumfinancas.pt. O Pedro é um dos maiores promotores de literacia financeira em Portugal contribuindo com centenas de artigos, ferramentas e simuladores que ajudam as pessoas a poupar, a investir ou a decifrar os mistérios da fiscalidade.

Bem-vindo ao Mundo do crédito ao consumo: Cofidis, Mediatis, Credibom e afins. O milagre do dinheiro e a desgraça de muitos.

Que lhe parece pagar €1400 de juros para um crédito de €5000, isto em dois anos? Ou então pagar €3700 de juros para o mesmo crédito em 58 meses? Ou seja, pagar uma taxa de juro anual efectiva que ronda os 30% (relembro que um bom depósito a prazo tem uma taxa líquida perto dos 3%)!

Se não fui suficientemente claro, a mensagem é:

A não ser que a sua vida dependa disso, não se meta num crédito deste género.
Os créditos ao consumo rápidos, oferecidos por empresas como as acima mencionadas, são um grave incentivo ao espírito consumista e despesista. Infelizmente a única mensagem que é efectivamente passada é o baixo valor da prestação mensal, mas um simples cálculo (como acima exemplificado), demonstra que os juros assumem uma proporção gigantesca do valor do crédito e facilmente podem danificar um orçamento familiar.É importante que as pessoas entendam que os créditos existem como estímulo da economia mas, essencialmente, como uma enorme fonte de receitas das sociedades financeiras.Já viu a quantidade de publicidade que é feita a estes produtos, na TV, Rádios, Jornais e Revistas e mesmo na Internet? Se calhar é porque realmente o lucro gerado é muito significativo - e caso não tenha atenção, esse lucro pode ser obtido à sua custa.

Tudo bem, mas eu preciso MESMO do dinheiro.

Precisa mesmo? Pense bem, talvez não precise mesmo... Ir de férias, comprar um vestido novo ou a última televisão talvez não seja precisar MESMO do dinheiroMas se já pensou bem (pense de novo), analise calmamente outras opções, potencialmente bem mais vantajosas. Por exemplo:
  • Crédito pessoal através do seu Banco - Pode dar-lhe mais trabalho, mas certamente será mais barato
  • Crédito nas próprias lojas/entidades - Podem ter acordos que lhe sejam mais favoráveis ou mesmo taxas de juro próximas de 0%
E se numa dessas outras opções lhe recusarem o crédito? Talvez lhe estejam a fazer um favor. Se uma sociedade especialista em finanças pensa que não terá capacidade para suportar esse encargo adicional, não acha que é capaz de ter razão?

Principal critério de escolha

Se já se decidiu em obter um crédito, lembre-se sempre que o seu factor fulcral de escolha deve ser Taxa Anual Efectiva (TAE ou TAEG) e, acredite, uma TAE perto dos 30% é um péssimo negócio.
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13 comentários em “Crédito ao Consumo

  1. Gostaria de saber se me poderiam ajudar com um problema : Recentemente a Cofidis mandou uma carta para a empresa onde a minha filha trabalha a comunicar que lhe iriam penhorar o salario e no final do mes descontaram-lhe 90€ e no meio do mes descontaram-lhe todo o abono que estava no banco . Será isto possivel ?