Crédito

TAN e TAEG: Quais as diferenças?

Rui Aspas Rui Aspas , 10 Junho 2019

Neste artigo, vamos explicar as principais diferenças entre as taxas TAN e TAEG e o impacto que as mesmas têm nos contratos de crédito.  

Certamente já ouviu falar nas siglas TAN e TAEG. Por norma, estes termos estão diretamente relacionados, com as diversas modalidades de crédito integradas em diferentes produtos bancários. A maior parte das pessoas desconhece o que são estas taxas e como se aplicam.  

Para que o custo do crédito a ser contraído, e que é disponibilizado pelas diferentes entidades financeiras, não se transforme numa dor de cabeça, convém saber distinguir alguns termos económicos que o vão ajudar a tomar a melhor decisão na hora de contrair um empréstimo (crédito pessoal, ao consumo, habitação, entre outros).

No que diz respeito aos créditos e suas diversas modalidades de aplicação ao consumidor, existem entre as diferentes alternativas, duas siglas que a par de outras se manifestam como constantes: a TAN (Taxa Anual Nominal) e a TAEG (Taxa Anual Efectiva Global).  

Estas siglas são atribuídas em regra, a taxas de juro com aplicação na remuneração de depósitos e empréstimos. Graças a elas, podemos mais facilmente calcular o custo de um crédito, cujo valor final desse mesmo cálculo nos é dado em forma de percentagem tendo em conta o montante do empréstimo.  

Leia ainda: Taxas e juros que pode encontrar num crédito habitação

Mas, quais são na realidade, as principais diferenças entres estas duas taxas?  

Comparando as duas taxas aqui descritas, podemos enumerar algumas diferenças: 

TAN ( Taxa Anual Nominal)

Esta taxa é muito usada por exemplo, em operações que envolvam um pagamento de juros sobre um determinado crédito ou ainda aplicado a remuneração de um depósito ou poupança. A TAN não inclui, outras despesas que possam estar inerentes à contratação de um crédito. Esta taxa tem também como função, medir o custo do crédito, cujo respetivo valor é obtido depois de se calcular a divisão do valor da TAN pelo número de prestações anual.  

Saiba ainda que esta taxa, é de caráter obrigatório, para todos os contratos de crédito existentes, sendo o seu período de aplicação igual para todos: um ano.
Caso na sua situação se aplique o pagamento mensal de juros, e pretenda saber efectivamente quanto irá despender relativamente ao montante de juros a liquidar, as contas são muito simples de se fazer: basta dividir o valor da TAN por 12 meses.
Existem ainda os casos em que este pagamento de juros pode ocorrer de forma trimestral ou semestral ( neste caso a fórmula é a mesma, mudando apenas o prazo verificado). 

A TAN (Taxa Anual Nominal) é muitas vezes confundida com o spread (margem de lucro dos bancos). Nada mais incorreto, uma vez que a TAN corresponde à adição (soma) da Euribor e do spread destinados aos empréstimos que possuam taxas de juro variáveis. O custo anual do crédito nestes casos não inclui as despesas consideradas obrigatórias.  

A opção de escolher uma instituição financeira apenas porque a mesma tem uma TAN mais baixa, e que por isso está implícita uma solução de poupança, é um pensamento errado, uma vez que isso não tem relação direta com o custo do crédito que em alguns casos pode até ser o mesmo ou mais elevado.  

É certo que muitas dessas instituições até podem ter uma TAN mais acessível, mas claro que as contrapartidas exigidas são maiores, como por exemplo: a contratação de produtos financeiros ou a contratação de cartões de crédito. Nestes casos aconselha-se a utilização e ter também em linha de conta  da TAEG ( Taxa Anual Efetiva Global) como maneira de obter um termo comparativo tendo em consideração todos os custos incluídos.  

Leia ainda: Porque é a TAE mais importante que a TAN?

TAEG (Taxa Anual Efetivo Global)

Já a TAEG, a outra taxa abordada aqui neste artigo, tem como elementos diferenciadores relativamente a TAN, o facto de :  

  • Representar o valor do custo total que o crédito tem para o consumidor, com o acréscimo dos encargos referentes à contratação de outros produtos e serviços implicados num crédito habitação.

Este custo contempla os seguintes aspectos:  

  1. Juros 
  2. Impostos 
  3. Comissões  
  4. Comissões de manutenção das contas bancárias 
  5. Seguros obrigatórios para os pedidos de crédito 
  6. Despesas várias associadas aos contratos de crédito 

A TAEG é por isso, um dos grandes e fundamentais indicadores a ter em conta quando se efectua um pedido de crédito, pois isso vai permitir a avaliação, relativamente à entidade financeira que se encontra nas melhores condições em termos do crédito a apresentar.  

De referir ainda que a título de curiosidade, a TAEG, é utilizada para medir o custo do crédito habitação desde o dia 1 de Janeiro de 2018.  

Leia ainda: Crédito habitação: um guia com tudo o que precisa saber

Dicas Doutor Finanças

Agora que sabe quais as principais diferenças entre estas taxas, perceberá melhor como é que as mesmas podem contribuir para influenciar de forma bastante significativa, a poupança mensal.  

As ofertas existentes no mercado são variadas, onde a publicidade que é feita aos diferentes tipos de crédito dá um especial destaque a TAN e a TAEG, uma vez que são estas taxas que os consumidores mais têm de ter am atenção, antes de avançarem para a contratação de um crédito pessoal ou consolidado.  

Uma vez cientes das diferenças entres estas duas taxas e do seu regime de aplicação, aconselha-se prudência na hora de analisar e comparar estas duas taxas tendo em linha de importância os prazos de pagamento, montantes que pretende solicitar, etc.  

Da próxima vez que estiver a comparar as diferentes propostas de crédito habitação, crédito automóvel, crédito pessoal ou na contratação de um cartão de crédito, deverá sempre ter em consideração o valor da TAEG que cada entidade financeira possui e apresenta, pois esta taxa passou a ser definidora comum tanto do crédito ao consumo como do empréstimo para a compra de casa.  

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