Em 2023, o rácio LTV (loan-to-value) médio dos novos créditos para habitação própria e permanente foi de 69%. Esta é uma das conclusões do relatório do Banco de Portugal que, todos os anos, procura perceber de que forma é que os bancos cumpriram as recomendações do regulador.
O documento não se foca apenas no crédito habitação, analisando também aquilo que aconteceu no crédito ao consumo. As informações têm como base o reporte mensal de 13 instituições que representam cerca de 91% das novas operações de crédito a particulares e dados da Central de Responsabilidade de Crédito.
Assim, neste artigo, analisamos como os bancos emprestaram dinheiro no ano passado.
LTV: Empréstimos até 80% do valor ganham peso
No final do ano, cerca de 95% dos créditos habitação em vigor tinham um rácio LTV até 80%.
O que diz a recomendação?
De acordo com o Banco de Portugal, o empréstimo máximo num crédito para habitação própria e permanente não deve ser superior a 90% do preço de compra ou do valor de avaliação (aquele que for menor). Ou seja, se a aquisição ou a avaliação forem de 200 mil euros, o empréstimo pode chegar aos 180 mil euros.
No caso das casas para segunda habitação, o LTV máximo é de 80%. Por fim, nos imóveis detidos pelo próprio banco, o financiamento pode ser de 100%.
O que aconteceu em 2023?
Em 2023, aumentou o número de novos créditos habitação com LTV até 80%. Se em 2022 representavam 54% dos novos contratos, no ano passado foi a regra em 68% das operações. Ao mesmo tempo, os empréstimos que cobriram mais de 90% do valor foram muito raros (apenas 0,2%). No segundo trimestre de 2018, quando entrou em vigor a recomendação, tinham sido 20,5%.
De acordo com o Banco de Portugal, isto é o reflexo da “aplicação de condições de crédito mais restritivas devido a taxas de juro mais elevadas, que podem levar a uma redução dos montantes de crédito que os mutuários contratualizam”.
Estes números refletem-se também no stock de empréstimos à habitação: 95% dos contratos em vigor tinham, em 2023, um LTV até 80%. Em 2022 eram cerca de 93% e, em 2018, representavam cerca de 91%.
Por fim, o regulador destaca que o LTV médio das novas operações foi de 69%. Ou seja, se considerarmos um imóvel de 200 mil euros, os bancos emprestaram, em média, 138 mil euros.
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A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

