Investimentos

Estratégias de investimento

Um dos objetivos para 2024 deverá passar por dedicarmos tempo a potenciar as nossas poupanças, por muito pequenas que sejam.

Estamos a chegar ao final do ano, sendo esta a altura ideal para definirmos os nossos objetivos para 2024. A literacia financeira tem estado cada vez mais presente no nosso dia-a-dia. O tempo dedicado a este tema tem sido cada vez maior e o próximo ano não será exceção. Neste artigo, vou-me debruçar sobre as diferentes formas de abordar a gestão das nossas poupanças nos mercados de capitais.

Presente ou futuro?

Quando pensamos em investir devemos ter a perceção de que nada se conquista de um dia para o outro. Podemos ter a sorte de conseguir obter uma grande valorização num investimento de curto prazo. Contudo, é importante termos em mente que os investimentos devem estar associados a um racional bem definido e identificado. Este racional tem por base uma lógica de investimento e um potencial de valorização. Dificilmente iremos encontrar um ativo que nos dê, de uma forma lógica e fundamentada, a possibilidade de obter grandes valorizações no curto prazo.

Assim sendo, quando efetuamos um investimento, criamos uma expectativa que se deverá centrar num horizonte temporal razoável, ou seja, devemos dar tempo para que o nosso investimento possa ter a capacidade de se desenvolver. Se analisamos o mercado imobiliário, percebemos isto muito rapidamente. Ninguém está à espera de comprar uma casa e passados dez dias vendê-la com uma rentabilidade extraordinária! Normalmente, quando compramos um apartamento como investimento, pensamos em obter rendimento através de rendas associadas ou da valorização que pode conferir ao longo dos anos. Nos mercados financeiros, a regra não deverá ser diferente. É verdade que a liquidez que existe nos mercados financeiros é muito maior do que no mercado imobiliário. Contudo, quando investimos em ações diretas, ETFs ou fundos de ações, devemos ter a mesma expectativa temporal que temos com a compra de um imóvel: horizonte de médio/longo prazo. A mensagem que pretendo transmitir é que um dos objetivos para 2024 deverá passar por dedicarmos tempo a potenciar as nossas poupanças, por muito pequenas que sejam. Um dos pressupostos que deve acompanhar as nossas decisões é que vamos investir para, no futuro, estarmos mais confortáveis em termos financeiros. No limite, vamos preparar o futuro no presente. Quanto mais tempo deixarmos andar, mais oportunidades estaremos a perder….

Composição da carteira - Equilíbrio

Depois de definirmos o horizonte temporal ideal e de percebermos a lógica de investimento, devemos passar o foco para a composição da nossa carteira. Esta pode ser mais agressiva, defensiva ou equilibrada. Tudo depende da nossa idade, das nossas necessidades de investimento e, sobretudo, do nosso conhecimento financeiro. Todos estes ingredientes devem estar presentes para podermos criar o portefólio que melhor se ajusta a cada um de nós. Não existem fórmulas certas ou carteiras perfeitas. O que devemos ter sempre presente é que nunca vamos saber tudo. Que devemos tentar encontrar um equilíbrio que nos deixe tranquilos com a exposição que iremos ter e com o potencial de retorno que pode gerar. Cada um de nós deverá tentar encontrar o seu equilíbrio e ir ajustando a sua exposição ao longo do tempo, em função das suas necessidades e objetivos.

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Investir nos vencedores?

Depois dos dois primeiros passos, a decisão passa por escolher os ativos dentro da carteira de investimento. Existem várias formas de escolher ativos. Por norma, os investidores que não têm tempo para analisar, especificamente, a oferta global, optam por procurar os rankings dos ativos que têm melhor performance no último ano. Esta é uma estratégia interessante, embora não nos diga muito. Alias, se um ativo no último ano obteve a maior performance de todos, será que no próximo ano o irá fazer novamente? Até poderá ser o “tiro” perfeito, embora a probabilidade seja reduzida. Contudo, nestes casos, devemos analisar o título de uma forma pormenorizada para perceber, por exemplo, a exposição que tem em termos sectoriais e geográficos e se o potencial de valorização ainda se mantém.

Numa lógica de equilíbrio e risco, podemos também pensar o contrário: analisar os ativos que tiveram a pior performance no ano. Aqui, devemos entender o motivo pelo qual tal aconteceu. É fundamental analisar a liquidez dos ativos em questão, a diversificação e, mais uma vez, a exposição sectorial e geográfica. No limite, devemos ter sempre presente que, se um ativo tiver uma boa composição ou qualidade, depois de um mau ano, poderá ter uma reação que se irá refletir numa performance positiva. O mais importante é entendermos onde e porque estamos a investir, tentando sempre encontrar o equilíbrio que fará com que, no longo prazo, as nossas poupanças possam, efetivamente, ser potenciadas. Não devemos esquecer que muito dificilmente iremos ter apenas investimentos positivos, percebendo que o equilíbrio e a diversificação que iremos criar nos ajudará a ultrapassar os investimentos que não correram tão bem.

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Dividendos e cupões

Para aqueles que são fãs do investimento no mercado imobiliário, também é possível encontrar estratégias de investimento nos mercados financeiros com caraterísticas parecidas. No segmento obrigacionista, o rendimento regular é, por norma, a opção mais procurada. Compra-se uma obrigação de um emitente. Associado a este investimento, está um cupão que pode ser pago semestralmente ou anualmente.

É importante ainda referir que, no momento de compra, podemos comprar abaixo do par (o que nos irá dar um ganho na maturidade) ou acima do par (o que nos retirará rentabilidade na maturidade). De uma forma simples, no momento da compra/investimento, sabemos qual será a nossa yield (taxa de retorno anual) com base no cupão e no preço de compra, ficando assim com a expectativa do investimento bem definida. Como última nota, o risco destes investimentos incidirá sempre no emitente e na sua capacidade de pagar os seus compromissos financeiros. Outra opção poderá passar por investir com a mesma lógica (rendimento regular) no segmento acionista. Assim, existe a possibilidade de comprar ações que nos providenciem dois tipos de rendimento: regular, através de dividendos; pelo preço, através da valorização do ativo.

Um ponto importante é que, cada vez que uma empresa paga dividendos, o valor correspondente por ação é descontado no preço no dia em que o dividendo é pago. Contudo, a procura de ações apenas pelo dividendo pode não ser uma boa estratégia. Conforme tenho vindo a mencionar, o mais importante é perceber o potencial de valorização da empresa em questão no médio/longo prazo. Se conseguirmos juntar esta premissa a dividendos regulares, aí sim, podemos “encaixar” essa empresa no objetivo de investimento: receber regularmente rendimentos e, no longo prazo, obter uma valorização do investimento realizado. 

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Consciencialização

Seja qual for a estratégia escolhida, o importante é ter a noção de que os nossos atos hoje poderão ter uma enorme repercussão nas nossas vidas no futuro. É fundamental não esquecer que investir é um processo e que nada se alcança sem dedicação, trabalho e conhecimento. Assim, dar o primeiro passo pode não significar investir, mas sim ter contacto com este mundo fascinante dos mercados financeiros. De que estamos à espera?

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Apaixonado pelo desporto e economia, foi jogador profissional de Futebol, tendo atuado em clubes como S.L. Benfica, Estoril, entre outros. Conciliou a carreira desportiva com a académica, terminando a licenciatura em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA SBE). Continua ligado às suas duas paixões profissionais, desempenhando a função de Financial Advisor e colaborando como analista desportivo na CNN Portugal. Foi comentador residente no programa Jogo Económico do JE e Presidente do Conselho Fiscal da Federação Portuguesa de Footgolf. (FPFG). Participa com regularidade em eventos sobre Literacia Financeira.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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