Finanças pessoais

Investir vs jogar

Quando decidimos investir precisamos de ter alguns cuidados. Fazer apostas na bolsa pode trazer alguns dissabores.

O desempenho recente dos mercados bolsistas tem captado a atenção de novos investidores. Investidores que costumam apostar noutro tipo de segmentos, como as apostas desportivas. Mas será que devemos pautar os investimentos nos mercados financeiros por premissas semelhantes às que usamos quando fazemos apostas desportivas, por exemplo?

Todos temos conhecidos ou amigos que nos contam que já ganharam x e y neste e naquele ativo. O que não deixa de ser engraçado é que raramente alguém aborda o tema das perdas, raramente nos dizem que perderam neste ou naquele título. Mas, então, será que a maior parte dos nossos conhecidos ou amigos acertam sempre no título certo? Provavelmente a resposta a esta questão é não, sendo justificada pelo comportamento humano, que tende sempre em reforçar o sucesso (para se sentir confiante) e não “tocar” no insucesso (que dá uma imagem de fraqueza).

Quem analisa e acompanha os mercados financeiros diariamente, tem a noção da complexidade que uma decisão de investimento comporta. Quando refiro investimento, estou a falar de uma decisão fundamentada, explicada, analisada, esmiuçada, que faça sentido no contexto que estamos a atravessar e que tenha um papel dentro de uma carteira de investimento.

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Apesar de toda esta análise, existem fatores que não se controlam e que podem alterar toda uma tese de investimento, toda uma análise efetuada. Por este motivo, se quisermos investir em títulos específicos, temos de ter a noção que o risco fica mais concentrado e o nosso portefólio está mais sujeito a surpresas indesejáveis. Este é um dos motivos pelos quais a diversificação é uma das premissas mais importantes na criação de um portefólio.

Se falarmos com os gestores de ativos, as carteiras de investimento que gerem refletem as suas convicções com base na análise que fizeram a muitas empresas. Se lhes perguntarmos se têm algum título em que acreditam mais, a resposta será positiva, existe sempre uma ou duas empresas no portefólio que podem ser as estrelas da companhia. Mas quando lhes colocamos a questão sobre o motivo pelo qual não colocam todo o montante sob gestão nessas duas empresas, a resposta vai ao encontro do que referimos anteriormente: existem variáveis que não se controlam. Um portefólio tem de ter uma estrutura equilibrada e diversificada e investir não é procurar o Euromilhões ou a ação que vai subir 300%.

Investir é encontrar um conjunto de ativos que possam potenciar de uma forma consistente e equilibrada as nossas poupanças numa ótica de longo prazo. Um investimento em ativos financeiros não é uma corrida de 100 metros, mas sim uma maratona. Isto não quer dizer que não possamos investir num ou noutro título, numa ótica de curto prazo, mas esse investimento não deve ser concretizado apenas por feelings, mas suportado nos resultados e indicadores da referida empresa ou no contexto macroeconómico que estejamos a atravessar e deverá ter um peso equilibrado na nossa carteira.

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Nos últimos 12 meses temos assistido a uma performance muito boa por parte dos mercados financeiros de uma forma abrangente. Em função dos confinamentos e, por exemplo, da ausência de competições desportivas, as plataformas de trading foram exponenciadas por muitos apostadores que estavam habituados a realizar apostas noutros segmentos.

O montante de transação de ações disparou e fez com que assistíssemos a movimentos inexplicáveis em muitos títulos específicos. Com certeza que muitos têm vindo a ter êxito nas suas “apostas”, porque a tendência de mercado tem sido realmente positiva. Mas será que todos estes novos investidores têm a noção onde estão a investir? Como exemplo, será que muitos dos investidores que investiram em Tesla, Apple, Amazon ou Gamestop (um fenómeno nos últimos meses) conhecem as contas destas empresas?

Será que o investimento em nomes conhecidos e que utilizamos no dia a dia é uma boa solução? A resposta à última questão só o tempo nos dirá. O que pretendemos alertar é que quando tomamos uma decisão de investimento, devemos procurar obter o máximo de informação, de forma que essa decisão seja a mais controlada e justificada possível.

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De forma a ser mais percetível, nunca compramos uma casa conhecendo apenas a parte exterior da mesma. Pode estar situada numa boa zona e a parte exterior ter um aspeto fantástico. Mas alguém compra a casa sem a analisar por dentro? Sem perceber se existem algumas questões associadas à casa (penhora ou necessidade de obras profundas, por exemplo) que podem condicionar o investimento?

O investimento em ações é similar, não devemos investir numa marca apenas porque conhecemos o nome ou porque utilizamos os seus produtos no dia a dia. Devemos tentar perceber quais os indicadores, se o preço atual é justificado pela atividade presente e futura da empresa, se tem dívidas…

O que pretendemos alertar, e realçar, é que o investimento deve ser concretizado de uma forma responsável, que não existe “dinheiro fácil” e que ninguém advinha o futuro. Temos a noção que quem suporta as suas decisões em indicadores económicos, em análises fundamentas, está mais próximo de atingir os seus objetivos, que passam por uma valorização consistente dos seus investimentos.

Resumindo, investir não é jogar ou apostar!

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