Finanças pessoais

Semanada ou mesada? Como ajudar os mais novos a gerirem o dinheiro

As crianças devem ser incentivadas a gerirem o seu dinheiro. A semanada e a mesada são ferramentas que podem ajudar na educação financeira.

Sara Fernandes Sara Fernandes , 29 Julho 2020

Há um ditado popular que diz que “é de pequenino que se torce o pepino”. E no dinheiro não é exceção. Ensinar aos mais novos desde cedo o que é o dinheiro e a sua importância é muito importante.  

Duas das ferramentas para a educação financeira são a mesada e a semanada. Através destes instrumentos, os pais pode, ensinar às crianças alguns conceito base, que os ajudarão a lidar com as suas finanças pessoais, nomeadamente o valor do dinheiro e a importância de o saber gerir.  

Ao entregar às crianças um montante para gerirem durante uma semana ou um mês, dá-lhes noção dos seus limites de gastos, obrigando-as a distinguir necessidades de desejos, e ainda a tomar as decisões sobre as suas despesas. 

Contudo, as famílias não são todas iguais, pelo que esta temática poder ser abordada de várias formas e com vários valores.     

Leia ainda: Está a dar a semanada certa aos seus filhos?

Mesada ou semanada? 

O que a mesada e a semanada têm de diferente é a periocidade da entrega dos montantes. A primeira diz respeito a um valor mensal e a segunda a um valor semanal.  

Optar por uma em detrimento de outra é uma decisão da família. No entanto, especialistas em educação financeira defendem que deve depender da idade e da própria criança. Assim, numa fase inicial pode escolher dar uma semanada e mais tarde passar para uma mesada.  

Consoante a maturidade e os conhecimentos da criança, pode começar a atribuir uma semanada a partir dos cinco ou seis anos de idade, por volta da entrada na escola primária, quando já sabem contar e fazer contas básicas. Não existe um montante pré-definido, mas, por exemplo, em vez de dar apenas uma moeda por semana, divida o montante em moedas de menor valor e incentive a criança a dividir o dinheiro por vários mealheiros - gastar, poupar e ajudar.

A mesada é uma opção para quando as crianças já têm uma melhor noção do tempo, conseguindo assim gerir o dinheiro durante períodos maiores. Por exemplo, a partir dos 10 anos. Aqui é importante definir quais são as despesas que a mesada irá suportar - por exemplo, pequenos prazeres como lanches com os amigos ou idas ao cinema ou uma compra mais a longo prazo.

No caso dos adolescentes, o valor pode contemplar algumas despesas fixas, como o cartão do bar da escola ou o carregamento do telemóvel, por exemplo. Nestes casos, o valor da mesada deve refletir as "responsabilidades" que são dadas.

Leia ainda: Mesada para crianças – um guia prático

Os três mealheiros

A técnica dos três mealheiros é uma forma de ajudar os mais novos a gerirem o seu dinheiro. Cada um dos mealheiros tem uma finalidade diferente - gastar, poupar e ajudar.

No mealheiro "gastar" deve ser colocado o dinheiro para as despesas já existentes ou para aquelas que a criança pretende realizar no imediato.

O mealheiro "poupar" serve para que coloque dinheiro de parte para futuras compras ou projetos. Além de que é uma forma de ir ganhando o hábito de guardar sempre uma parte do que recebe para criar poupança.

E, por fim, o mealheiro "ajudar" tem como objetivo introduzir uma noção de solidariedade e partilha à criança.

Desta forma, os mais novos vão perceber que não devem gastar tudo aquilo que recebem e que a sua semanada ou mesada deve ser rentabilizada de várias formas.

Leia ainda: Como ensinar as crianças a poupar

Como ajudar as crianças a gerirem o seu dinheiro

Os pais devem procurar ensinar os filhos a gerirem o seu dinheiro mas sem interferirem nas escolhas dos mais novos. Se, por exemplo, a criança gastar toda a semanada ou mesada, deve explicar-lhe as limitações do dinheiro e não lhe dar mais dinheiro. A semanada e a mesada vão incutir-lhes a noção de responsabilidade de tomar decisões sobre o seu dinheiro.

É também importante incluir as crianças nas conversas sobre as despesas familiares, de forma a que estas entendam que o dinheiro não é um recurso inesgotável.

E, claro, dar o exemplo. Ao presenciarem boas práticas de gestão do orçamento familiar, os mais novos vão perceber melhor como devem agir.

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