Para muitas famílias, o início do ano traz consigo a motivação para organizar melhor as finanças, poupar mais e tomar decisões financeiras mais conscientes. Mas é também nesta altura que podem surgir erros que comprometem o orçamento durante vários meses.
Desde não traçar um orçamento, ignorar despesas sazonais ou definir objetivos pouco realistas, identificar os erros é o primeiro passo para saber como os evitar.
Erro 1: Começar o ano sem traçar um orçamento
Um dos erros mais frequentes é começar um novo ano sem um orçamento definido. Ter uma ideia vaga daquilo que recebe e quais são as suas despesas mensais não é suficiente para controlar as finanças. Sem um orçamento, é fácil perder a noção de onde está a gastar o seu dinheiro e acabar por gastar mais do que devia.
O orçamento pode ser feito de forma simples. Comece por fazer uma lista de todos os seus rendimentos mensais e depois de todas as despesas fixas – renda ou prestação, água, luz, telecomunicações – e as variáveis. Desta forma vai ter uma base clara que o vai ajudar a tomar decisões ao longo do mês.
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Erro 2: Definir objetivos financeiros irrealistas
Com o novo ano, vêm também as resoluções, que muitas vezes se estendem às finanças pessoais. O problema surge quanto os objetivos são demasiado ambiciosos. Por exemplo: poupar metade do rendimento ou saldar todas as dívidas em poucos meses.
Metas irrealistas podem deixá-lo frustrado e com vontade de desistir. Por isso, defina objetivos financeiros que sejam mensuráveis e ajustados à sua realidade. Em vez de “vou poupar mais”, por exemplo, estabeleça um valor concreto e alcançável. É preferível atingir pequenos objetivos consistentes a falhar metas demasiado exigentes.
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Erro 3: Ignorar despesas sazonais fixas
Outro erro comum é esquecer despesas que surgem sempre todos os anos, mas que não são mensais. Seguros, impostos, propinas, manutenções ou despesas escolares podem desequilibrar rapidamente o orçamento se não forem antecipadas.
Identifique todas as despesas sazonais que conseguir prever e distribua o seu impacto ao longo do ano. Pode até criar uma rubrica específica no orçamento para este tipo de encargos para evitar surpresas desagradáveis.
Erro 4: Não rever contratos
Os contratos de energia, telecomunicações ou seguros não têm de (nem devem) ser vitalícios. E são muitas as famílias que os mantêm durante anos sem qualquer revisão. Este erro é especialmente relevante no início do ano, quando existem campanhas promocionais e maior margem para renegociação.
Reserve algum tempo para rever os seus contratos e comparar as ofertas do mercado. Verifique se está a pagar por serviços que não usa e se existem alternativas mais económicas no mercado. E mesmo que não queira mudar de fornecedor, renegociar as condições também pode resultar numa poupança significativa ao longo do ano.
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Erro 5: Recorrer ao cartão de crédito para “equilibrar” as contas
Depois das despesas do final do ano, pode ser tentador usar o cartão de crédito para cobrir desequilíbrios no orçamento nos primeiros meses do ano. No entanto, esta solução imediata pode transformar-se rapidamente num problema maior e impactar todo o seu ano, devido aos juros elevados.
Se o orçamento estiver apertado, crie um plano para regularizar a situação, em vez de recorrer ao crédito. Por exemplo, identifique os gastos que são supérfluos e elimine-os durante um período. Caso já tenha dívida no cartão, dê prioridade ao seu pagamento e evite novas utilizações até recuperar o equilíbrio financeiro.
Erro 6: Adiar a criação do fundo de emergência
A importância de ter um fundo de emergência já é reconhecida por muitas pessoas. Porém, muitas também acabam por adiar a sua criação, acreditando que só faz sentido começar quando houver “mais dinheiro disponível”. Mas este pode ser um erro arriscado.
Comece com o que for possível, mesmo que seja um valor pequeno e vá ajustando ao longo do tempo. O fundo de emergência deve servir para cobrir despesas imprevistas, como uma avaria no carro ou eletrodoméstico ou uma quebra de rendimento, evitando o recurso a crédito. O ideal é acumular entre três e seis meses de despesas essenciais, mas o mais importante é mesmo dar o primeiro passo.
Pequenas mudanças agora podem fazer uma grande diferença ao longo do ano.
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