Literacia financeira

Literacia financeira com brinquedos: como as crianças podem aprender o valor do dinheiro?

Neste artigo saiba como a literacia financeira com brinquedos e certos exercícios podem ensinar aos seus filhos o valor do dinheiro e boa gestão financeira.

Natacha Figueiredo Natacha Figueiredo , 24 Dezembro 2019

Nem sempre é fácil ensinar os mais novos sobre o valor do dinheiro nesta sociedade de consumo. Por isso a literacia financeira com brinquedos pode ser uma ferramenta essencial para o seu filho aprender conceitos básicos sobre finanças e gestão.

Neste artigo apresentamos alguns exercícios que pode fazer com os seus filhos, para que estes aprendem de forma subtil o valor do dinheiro através dos brinquedos que têm.

Literacia Financeira com Brinquedos

Ao longo dos anos já aqui falamos várias vezes sobre a importância da literacia financeira infantil, e como ensinar as crianças a pouparem ou a utilizarem a sua mesada através de objetivos e prioridades.

Os brinquedos são essenciais para as crianças crescerem felizes, pois estimulam a sua imaginação, prolongam os momentos de diversão, e servem como ferramenta na partilha de experiências com os outros. Mas os brinquedos também têm um papel fundamental na forma como as crianças lidam com a vida financeira.

É muitas vezes através da literacia financeira com brinquedos que os pais conseguem ensinar o valor do dinheiro às crianças, mostrando que a compra destes tem um custo associado, que nem sempre os pais têm disponível. Para além disso, as crianças devem ser ensinadas sobre a utilidade dos brinquedos, sem que o foco se debruce apenas no que está na moda.

No que diz respeito ao desenvolvimento da criança, o número excessivo de brinquedos também podem ter efeitos na sua personalidade. O artigo do Observador aborda várias questões relevantes sobre a quantidade e o tipo de brinquedos que uma criança deve ter, segundo a opinião de vários psicólogos.

Como podemos ensinar as crianças a aprender o valor do dinheiro através da literacia financeira com brinquedos?

Existem várias formas de ensinar as crianças sobre o valor do dinheiro através dos brinquedos que têm. É normal que no início a criança crie algumas barreiras aos exercícios propostos, mas com o passar do tempo ela passará a encarar com naturalidade estas atividades. Aos poucos a criança passará a refletir sobre a importância e a utilidade de cada brinquedo. Como consequência desta análise, vem a aprendizagem sobre o valor dos brinquedos e do próprio dinheiro.

Mas como é que os pais podem ensinar os seus filhos o valor do dinheiro através dos brinquedos? A resposta é simples, através de alguns exercícios e atividades que vamos exemplificar de seguida.

Contar os brinquedos

Uma boa forma para introduzir esta temática é reunir todos os brinquedos que a criança tem num único espaço, que pode ser o quarto do seu filho ou a sala de estar. As crianças que já sabem contar devem fazer esse exercício sozinhas, mas com acompanhamento dos pais.

Ao contar os brinquedos a criança passa a ter a noção exata do que tem, sendo provável acabar por redescobrir brinquedos que já não se lembrava que existiam.

Os próprios pais, nesta fase, podem verificar que a criança tem brinquedos em demasia. O importante é conseguir identificar todos os brinquedos, para mais tarde ser tomada uma decisão em conjunto sobre o destino dos mesmos.

Perceber quantas vezes brinca com cada brinquedo

Depois dos brinquedos serem contabilizados é hora de perceber a utilidade dos mesmos no dia a dia. Neste exercício a criança deve separar os brinquedos pela sua utilidade, e não pelo gosto que tem por eles.

É importante ensinar às crianças que a necessidade e o desejo são conceitos distintos. Por mais desejado que seja um brinquedo não quer dizer que este seja necessário diariamente. Por outras palavras as crianças podem gostar muito de um brinquedo que foi caro ou estava na moda na altura, mas se elas não brincam com este com regularidade, talvez seja necessário questionar sobre a sua utilidade na vida da criança.

Lembre-se que inicialmente a criança pode apresentar algumas dificuldades em separar os seus brinquedos por utilidade. Este exercício deve ser feito com paciência, mostrando que é normal existirem brinquedos que já não são tão utilizados, pois ela cresceu e acabou por desenvolver outros interesses.

Aprender a reutilizar

Reutilizar os brinquedos que a criança tem é um pilar fundamental para a sua vida financeira, mas também a nível cognitivo. Ao incentivar que um brinquedo tenha mais que uma funcionalidade está a ajudar o seu filho a valorizar aquele brinquedo. Para além disso, a valorização de um brinquedo permite que a criança se foque por mais tempo numa brincadeira, melhorando os níveis de criatividade.

Por exemplo o seu filho tem alguns carrinhos de brincar. Esses podem ser utilizados em diversas brincadeiras para além de corridas. Os carros podem ser utilizados para corridas, passeios de outros bonecos, identificação de características dos próprios carros, brincar aos mecânicos, entre outras coisas. E quando dizemos carros, podemos aplicar o mesmos nas bonecas.

O que importa é mostrar às crianças que um brinquedo pode ter várias utilidades, consoante a sua imaginação e os seus gostos pessoais. Cabe aos pais saber identificar a utilidade dos brinquedos em cada fase dos filhos, evitando a compra de brinquedos que não vão ser explorados da mesma forma.

Doar brinquedos de forma a evitar acumulações desnecessárias

Se a criança já fez os três exercícios anteriores, certamente alguns brinquedos ficaram postos de lado. Os brinquedos que a criança já não brinca ou raramente são utilizados em brincadeiras devem ser doados.

Ao doar alguns brinquedos, focando a necessidade de outras crianças que não têm quase nada para brincar, está a transmitir valores de generosidade e solidariedade ao seu filho.

Para além disso, ao doar brinquedos está a evitar uma acumulação desnecessária dos mesmos em sua casa. Uma criança que tem apenas os brinquedos necessários não só dá mais valor a estes, como consegue dar utilidade a todos.

Estes conceitos ajudam a diminuir as probabilidades do seu filho ser um adulto que não valoriza aquilo que tem, e que apenas faz compras por impulso para ter mais e mais em sua casa.

Criar os próprios brinquedos

Criar os próprios brinquedos é uma óptima forma de ensinar as crianças a pouparem, pois não é necessário gastar dinheiro na compra de um brinquedo novo para implementar novas brincadeiras. Assim como os adultos podem muitas vezes reciclar utensílios antigos, dando-lhes uma nova vida através de outros materiais.

Existem vários brinquedos que podem ser construídos através de materiais reciclados ou outros materiais naturais. Um dos brinquedos mais populares nesta área é o boneco "Waldorf", que é semelhante a uma criança, e tem como objetivo incentivar a criatividade e imaginação dos mais jovens. Estes bonecos de pano são conhecidos por ajudar a desenvolver a linguagem das crianças, e melhorarem a sua afetividade.

Os pais podem implementar dias para a criação de novos brinquedos. Desta forma incentivam a criança a colocar em prática a sua imaginação, como fortalecem o elo de ligação entre pais e filho.

Ler mais: Como dar uma segunda vida a objectos que já não utiliza

Os brinquedos oferecidos não precisam de ser entregues de uma só vez às crianças

Nem sempre é fácil tentar controlar o número de brinquedos que os filhos têm quando chega a altura do natal ou do aniversário da criança. No entanto os brinquedos oferecidos não têm que ser entregues todos de uma vez às crianças nestas épocas festivas.

Na maioria dos casos, quando as crianças recebem muitos presentes de uma só vez acabam por se focar em alguns brinquedos, deixando os outros de parte. Por isso pode ponderar entregar ao seu filhos os brinquedos mais desejados nesta altura. Os restantes presentes podem ser distribuídos ao longo dos próximos meses.

Desta forma evita a banalização dos brinquedos novos que ficam de parte, podendo presenteá-lo nas alturas mais indicadas.

O poder da literacia financeira com brinquedos em novas compras

Depois da criança aprender a valorizar aquilo que tem, e estar consciente da importância de dar aquilo que já não tem utilidade a quem necessita, é a altura ideal para começar a ensinar o valor real do dinheiro.

A compra de novos brinquedos deve ser assimilada pela criança como uma necessidade, e não como um desejo material incontrolável. Sente-se com o seu filho e falem sobre as necessidades que ele tem. Perceba se existem brinquedos que estão estragados e ele brincava muito com eles, se saiu um novo boneco de uma coleção que ele está a fazer aos poucos, ou se há um brinquedo que ele quer há muito tempo e tem juntado algum dinheiro no seu mealheiro.

Ao identificar a necessidade da compra pode falar por alto sobre o tipo de gasto que será feito. É importante que as crianças percebam que cada brinquedo tem o determinado valor, e este tem um peso financeiro inicialmente para os pais, e que mais tarde vão ser elas a ter que suportar essa despesa.

Se o seu filho tem mesada, é importante que ele faça uma poupança para o novo brinquedo que quer. Desta forma será mais fácil aprender o valor real do dinheiro, pois como se costuma dizer "saiu-lhe do bolso". Caso seu filho não tenha mesada, explique-lhe em que alturas os pais podem fazer esse investimento financeiro, pois existem prioridades que os pais têm que assegurar, como a comida, água, luz, renda da casa, etc

Aos poucos o seu filho vai perceber que os seus desejos têm um preço, e que esse preço exige muitas vezes um esforço financeiro. Após a repetição destes exercícios muitas crianças passam a dar mais valor ao que têm, aprendendo também o valor do dinheiro através dos brinquedos.

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