A poupança não é um conceito de adultos. Parece, mas não é só. Há várias formas de envolvermos também as crianças nesse processo. Descubra neste artigo alguns conselhos para incentivar bons hábitos de poupança nos seus filhos.

31 anos. Casada, mãe de 4.
Desafios diários: viver a vida alegre (independentemente das horas dormidas!), encaixar a rotina em 24 horas e provar que tudo é possível… incluindo poupar numa família de 6 nos dias que correm!

As crianças também devem ser envolvidas no processo da poupança familiar. Não digo logo com mealheiros e contas bancárias, mas há sempre detalhes do dia-a-dia em que podem ser alertados para o tema. Está nas nossas mãos ajudar a criar alguns hábitos que passem a fazer parte da sua rotina e que levem para o futuro.

Para ser sincera, cá em casa não abordamos muito o assunto do dinheiro porque ainda são todos muito pequenos e hão de ter tempo para familiarizar-se com o tema.
Isto não quer dizer que nunca tenham ouvido, por exemplo, a palavra “caro”. É importante perceberem desde cedo que as coisas têm um custo e estão associadas a um esforço que, neste momento, (ainda) vem da parte dos pais.
No entanto, se queremos fazê-los realmente perceber as coisas, temos em mente alguns tópicos, aos quais tentamos tanto quanto possível ser fiéis.

Exemplo

Temos de ter em conta que os nossos filhos querem ser como nós. Quantas vezes não damos por eles a usar expressões típicas nossas e com a postura corporal igual à nossa em algumas situações? Há que aproveitar o tempo em que somos os heróis (porque rapidamente passamos a ser os maus da fita) para criar certos hábitos nos nossos filhos.

Em nossa casa temos especial atenção com a água e a luz: os banhos são curtos e nunca de banheira cheia e a água é desligada quando se põe champô e sabonete. Isto também nos ajuda a respeitar horários, já que chegar a casa ao fim da tarde com 4 banhos e 4 jantares para dar também não dá aso a muito tempo dedicado a cada tarefa.

Também não custa nada irmos apagando as luzes quando deixamos um espaço e é uma luta que temos também com os nossos filhos. Quando nos apercebemos que deixaram a luz do quarto acesa, por exemplo, mesmo que já estejam instalados noutro lado, mandamo-los parar com o que estão a fazer e voltar atrás para apagar a luz. Nunca apagamos por eles. Algum dia hão de lembrar-se de apagar à primeira para não terem de interromper o que vão fazer!

Comida

As refeições são outra boa oportunidade para ensiná-los a evitar desperdícios.

Ensinamo-los a comer tudo até ao fim e tentamos adaptar as quantidades no prato ao que já sabemos que cada um é capaz de comer. Não é matemático; às vezes repetem, às vezes deixam. Mas tentamos por tudo que percebam que, o que pedem, é para comer mesmo. Os mais crescidos já têm noção que o que sobra poderia ter sido usado para outra refeição.

Outra solução é cozinhar com sobras de refeições anteriores. Não deixamos de ouvir um “Frango, outra vez?!”, mas é esse “outra vez” que os faz perceber que se aproveitou exactamente o frango da refeição anterior para outra receita. Tudo se transforma!!
Por falar nisso, escrevi também um artigo com as minhas 5 dicas para poupar tempo e dinheiro nas compras de supermercado e que convido o leitor a ler.

Remuneração

Não sou completamente a favor do “Lava-me o carro, dou-te 3€”. Acho que os pais não têm de incentivar os filhos a fazer favores ou ajudar em tarefas que vão beneficiar a família. Podem perfeitamente fazer isso só por essa mesma recompensa. Contribuir com o que está ao alcance deles para o bem-estar de todos.

De qualquer das maneiras, acho que a partir de certa idade, devem ser incentivados a inscrever-se em animação de campos de férias, babysitting e actividades em que sim, recebam uma remuneração. Ter noção do que significa ser recompensado financeiramente por determinado esforço a partir de certa idade faz-lhes bem e é necessário (claro que cada pai saberá a melhor idade consoante os filhos e a responsabilidade de cada um).
Claro que devem ser incentivados a canalizar o dinheiro para qualquer coisa que querem já há uns tempos ou a fazer poupança para quando surgir essa coisa que tanto desejam.

Presentes e exageros

Este ponto é crítico, principalmente quando há capacidade financeira dos pais. Tentam compensar-se ausências com presentes. Às vezes, mesmo estando presentes, não queremos que os nossos filhos fiquem atrás dos amigos da escola que, aparentemente, têm sempre tudo! É estranho, não é? Os caminhos escola – casa são sempre um devaneio de “o Manel tem isto”, “os pais da Maria deram-lhe aquilo” ou “a mãe nem sabe o que é que o João tem”…

Somos sempre os forretas, ou não é? Os nossos filhos nunca têm nada e são os únicos que não recebem presentes fora de época… Pois não! Cá em casa os presentes são para dar nos anos e no Natal. Até lá entretenham-se com os do Manelinho e da Mariazinha, sff.

Está fora de questão a política do “quero!”, “toma!”

Não queremos que pareça tudo fácil e queremos que os dias especiais sejam mesmo especiais. Que haja alguma expectativa na altura certa e que fiquem agradecidos quando recebem o que pediram.
Já para não dizer que numa casa de seis há prioridades. E essas prioridades nunca passam por caprichos… nem de crianças nem de adultos!

Mealheiros

Não tem de começar por aqui mas, uma vez que há sempre aqueles tios ou avós que dão uma moeda de vez em quando, a certa altura torna-se necessário. O desafio aqui é desviar a atenção dos miúdos dos gelados e pastilhas elásticas. Estas pequenas compras-flash que encaixam no orçamento que têm disponível em cada momento vão habituá-los ao típico “chapa ganha, chapa gasta“.
É importante focá-los num objectivo maior, a tal coisa que querem desde há uns tempos mas, por ainda não ter chegado a ocasião, ainda não receberam.

Isto aplica-se também à semanada. É importante que percebam que o orçamento de várias semanas, ao fim de um ou dois meses, ganha outra dimensão. E permite compras com base num orçamento maior. E dá outro sentido à compra e outro valor ao que é comprado.
Acredite que lhes dá verdadeiro gozo o “é meu porque EU comprei”!

Em resumo

São pequenas coisas. Hábitos que irão ajudar os pais a poupar enquanto os filhos estão em casa e os filhos a poupar quando forem eles no comando da gestão.
Pequenos hábitos que levam com eles para a vida.

Detalhes que – nunca esquecer este pormenor – devem aprender connosco… por palavras e exemplo.

Já agora e a propósito do tópico poupança e crianças, não deixe de conhecer o livro “Faz Crescer o teu Mealheiro“, da autora Elisabete Lourenço, criado especialmente para ajudar os pais a ensinarem bons hábitos de poupança às crianças. 🙂

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