A mesada é um meio para ensinar aos mais pequenos conceitos relacionados com a gestão do dinheiro, como é o caso da poupança. Porque sabemos que nem sempre é tarefa fácil, criámos um guia prático com algumas sugestões para usar a mesada com os seus filhos. 

Definir um orçamento financeiro e poupar são dois conceitos essenciais para uma vida financeira saudável. Estes conceitos servem para os adultos, mas também para as crianças. Defendemos que a literacia financeira deve ser para todos e é fundamental que as crianças entendam cedo o conceito do dinheiro e como o devem utilizar.

A mesada é uma forma que os pais têm de educar as crianças sobre o dinheiro e a poupança. Contudo, é um tema que levanta muitas dúvidas, pela sua importância de formar adultos responsáveis financeiramente. Assim, preparamos para si um guia auxiliador, com algumas sugestões de como poderá usar a mesada com os seus filhos.

“Mas o que é a mesada?”

A mesada é um montante monetário dado à criança para esta gerir. A mesada é um primeiro passo na literacia financeira que prepara as crianças para uma vida com compromissos financeiros importantes, algo que ninguém deixará de precisar no decorrer da vida.

“Quando devo começar a dar mesada aos meus filhos?”

Quanto mais cedo melhor. Uma criança quando entra na escola irá começar a aprender a fazer contas com números. Com a entrada na escola aos 6 anos é relevante começar a introduzir a ideia de receber dinheiro para poupar e comprar coisas de que gosta ou precisa.

“Devo dar mesada ou semanada?”

A mesada ou a semanada apenas variam quanto à periodicidade do valor a receber. Aconselhamos que dê primeiro um valor semanal, pois a criança ainda não terá uma boa noção de gerir dinheiro a um prazo longo de 30 dias. Poderá começar pela semanada e depois passar para mesada a partir da adolescência, quando a criança tem mais sentido de responsabilidade e já aprendeu conceitos importantes na gestão do dinheiro.

A noção de receber um valor mensal assemelha-se ao salário de um profissional, ensinando o adolescente que no futuro o seu rendimento primário também será mensal.

Alguns especialistas defendem que não deve existir semanada ou mesada, pois cria a falsa ilusão na criança que haverá sempre dinheiro todos os meses. O dinheiro existe porque alguém trabalhou por ele; como a criança não trabalha não poderá receber um valor fixo todos os meses. Mesmo que faça a sua tarefa principal do estudo, esta não deve ser ligada a uma remuneração. Numa ótica de aprendizagem de gestão financeira, faz-nos sentido que desde cedo as crianças possam aprender a gerir o seu dinheiro, não só porque será uma necessidade futura como também não terão na escola nenhuma disciplina que os ajude e ensine a gerir o seu dinheiro e, como nenhum de nós consegue viver sem dinheiro, é importante existir algum ensinamento na infância sobre esta temática.

“E como defino o valor a dar de mesada?”

Há vários fatores que influenciam o valor de uma mesada. Primeiramente, a mesada dos filhos deve constar no orçamento familiar pois será uma despesa fixa que irá aumentar nos próximos anos. Este valor terá de ter em conta se irá incluir despesas fixas. O valor a receber deve contemplar as despesas gerais do seu agregado familiar e as despesas específicas do seu filho.

Aqui ficam algumas sugestões defendidas por alguns especialistas nesta matéria:

Dos 6 aos 10 anos

No primeiro ano, 1€ por semana (total mensal = 4€; total anual = 48€)

No segundo ano, 2,60€ por semana (total mensal = 10,40€; total anual = 124,80€)

No terceiro ano, 3€ por semana (total mensal = 12€; total anual = 144€)

No quarto ano, 4€ por semana (total mensal = 16€; total anual = 192€)

No quinto ano, 4,50€ por semana (total mensal = 18€; total anual = 216€)

Caso tenha mais do que um filho, a mesada deve ser adequada aos encargos de cada filho. Deve haver também transparência para a criança entender que o irmão mais velho tem mais mesada não porque é mais velho, mas porque tem mais despesas. Deve também ser dito o valor e porquê e irmos monitorizando a forma como a criança o gasta.

É também importante refletir que a mesada poderá ser ajustada a qualquer momento se se verificar um desequilíbrio no orçamento, como quando um dos pais fica desempregado. Deve ser explicado à criança que o valor irá diminuir e que poderá ser ajustado numa futura oportunidade.

“O meu filho tem mesada, quais são os compromissos que ele deve assumir por isso?”

A criança pode receber uma mesada, mas não é totalmente independente. A mesada pode servir para poupar para alguns prazeres – como gomas, um lanche com os amigos ou uma compra mais a longo prazo, como uns ténis, pelo que aconselhamos que na definição do valor da mesada seja pensado que encargos passarão a ficar a cargo dessa mesada. Essa informação deverá ser passada à criança de forma clara.

Para os adolescentes, o valor pode contemplar algumas despesas fixas, como o cartão do bar da escola e carregar o telemóvel, por exemplo.

Este momento é uma boa oportunidade para introduzir a diferença entre desejo e necessidade. A mesada deve ser usada de acordo com estes dois conceitos, dando a ideia de que há compromissos mensais que têm de se sobrepor aos desejos imediatos que a criança possa ter.

“E se preferir não dar mesada todos os meses?”

Existem dois tipos de mesada: a mesada incondicional e a mesada a pedido. A mesada incondicional é a mesada que acontece todos os meses, independentemente se a criança realiza tarefas específicas. A mesada a pedido é um valor não estipulado e não fixo e que é dado sempre que haja necessidade ou que a criança fundamente o pedido.

Esta última mesada pode fazer sentido nos primeiros anos, uma vez que a criança tem poucas necessidades. Contudo, a longo prazo, não ajuda no controlo do orçamento familiar e também dá a ilusão de que basta pedir que o dinheiro aparece. Existe também uma mesada extra, que está ligada com a realização de uma atividade especifica, como lavar o carro dos pais. Nestas tarefas não deve contemplar as tarefas já rotineiras como estudar e manter o quarto arrumado.

Aconselhamos que atribua mesada aos seus filhos, disponibilizando-a mensalmente no mesmo dia.

“Como podemos ajudar a criança a gerir a poupança?”

A mesada é um instrumento de educação financeira, mas não basta dar. É uma oportunidade de educar o seu filho para o uso do dinheiro, a importância de ter um orçamento, o controlo e gestão de trocas por coisas e desejos.

Para gerir melhor a poupança, pode ajudar o seu filho na definição de pequenas poupanças, para objetivos a curto e a longo prazo. Pode assim criar três mealheiros para diferentes necessidades.

Um primeiro mealheiro para a semanada, o segundo para guardar o valor para uma compra especial (uns ténis, um brinquedo, um jogo de consola), e o terceiro para cumprir um objetivo a longo prazo (a carta de condução, um carro, um curso).

Lembre-se de que está a ajudá-lo a definir prioridades, mas que deve ser a criança que deve escolher os seus próprios objetivos. Se quiser um brinquedo específico, diga-lhe para comprá-lo com a sua mesada e espere para ver como a criança articula o seu desejo com o gastar a sua poupança. Aí terá mais independência e começará a tomar as suas próprias decisões.

“O meu filho já gastou o dinheiro todo a meio do mês – dou-lhe mais?”

É natural que nos primeiros tempos seja difícil para a criança gerir o dinheiro. Por isso, haverá situações em que a criança irá gastar todo o dinheiro que tem e irá querer mais. Nestas situações, não o critique, ensine-o a avaliar o que correu mal. A criança deve entender que é preciso poupar para ter qualidade de vida e que não é possível ter tudo na hora que se quer.

Diga-lhe também que se precisa de mais dinheiro terá de esperar pela mesada seguinte. Esta experiência irá ajudar a prevenir comportamentos semelhantes no futuro, permitindo à criança fazer uma melhor avaliação do seu consumo e da sua poupança.

Caso precise de mais dinheiro, pode sempre realizar uma tarefa extra para poder ter rendimento extra, percebendo a importância do trabalho.

A educação financeira nas crianças é fundamental para uma saúde financeira saudável em adulto. Comece desde cedo a falar destes temas e dê-lhes uma conotação séria. A mesada deve ser dada num dia específico e não deve ser esquecida. O hábito irá dar lugar a comportamentos de consumo e poupança responsáveis que serão implementados de forma responsável na vida adulta.

Já agora! Aproveite e leia o artigo “Poupança: sim, as crianças também podem (e devem) colaborar” e descubra outros conselhos para incentivar bons hábitos de poupança. Ajude os seus filhos a poupar hoje para um melhor futuro amanhã!

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