Imagem de moedas e notas de euro, num ângulo que implica crescimento

Em 2025, o montante de novas operações de depósitos a prazo de particulares totalizou 144,3 mil milhões de euros, mais 14,7 mil milhões de euros do que em 2024. De acordo com a nota de informação estatística do Banco de Portugal, este é o valor de investimento mais alto desde 2003, o ano em que começaram a ser divulgados estes dados.

Apesar do recorde de investimento, a taxa de juro média continua a cair, o que se traduz em depósitos com remunerações mais baixas e, portanto, menos vantajosas. Em dezembro de 2025, o juro médio foi de 1,36%, um valor inferior em 0,8 pontos percentuais a dezembro de 2024.

Mas é interessante recuar ainda mais e comparar com dezembro de 2023, o mês em que os depósitos a prazo atingiram o valor mais alto dos últimos anos 13 anos e meio. Nesse mês, a taxa de juro foi de 3,08%.

Dezembro foi o segundo mês com menos investimento em depósitos

Em dezembro de 2025, as famílias investiram 10,8 mil milhões de euros em depósitos a prazo, o que coloca o mês como o segundo pior do ano. Atrás ficou apenas junho, com um montante de 10,7 mil milhões de euros.

O melhor mês foi maio, com 13,1 mil milhões de euros investidos em depósitos a prazo.

Depósitos até um ano continuam a ser os mais valiosos

Os depósitos até um ano representaram 95% do montante total de novas operações de depósitos a prazo de particulares em 2025. Nestes produtos, a remuneração média caiu de 2,17%, em dezembro de 2024, para 1,37% em dezembro de 2025.

Os depósitos entre um e dois anos representaram 4% do total, com uma taxa de juro média de 1,33% (1,73%, em dezembro de 2024). Por fim, “os novos depósitos com prazo superior a 2 anos mantiveram um peso residual, representando 0,4% do total”, e uma remuneração média de 1,13% (1,26%, em dezembro de 2024).

Portugal é o quarto país a pagar pior pelos depósitos

“Portugal registou a sexta maior redução da taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares entre os países da área do euro”, destaca o Banco de Portugal.

A taxa média de 1,36% coloca o país como o quarto que pior remunera este tipo de produtos, depois de ter ocupado a sexta posição em dezembro de 2024.

Este valor fica abaixo da média da zona euro (1,85%), e apenas à frente da Grécia (1,09%), Chipre (1,19%) e Eslovénia (1,19%).

Montante investido pelas empresas em dezembro foi o segundo maior do ano

Se nos investimentos particulares o mês de dezembro foi o segundo pior do ano, o cenário inverte-se no caso das empresas. O último mês do ano foi o segundo melhor do ano, com um montante investido de 10,1 mil milhões de euros.

No total do ano, as novas operações totalizaram “111,1 mil milhões de euros em 2025, mais 24,1 mil milhões de euros do que em 2024”.

A taxa de juro média passou de 2,65%, em dezembro de 2024, para 1,73% em dezembro de 2025. “Ao longo do ano, esta remuneração permaneceu sistematicamente abaixo da média da área do euro”, aponta o relatório.

Leia ainda: Depósitos a prazo: Como funcionam e o que deve confirmar antes de aplicar o seu dinheiro

Perguntas frequentes

Os depósitos a prazo são produtos bancários em que o cliente aplica um montante por um período definido, recebendo no vencimento o capital e os juros acordados. Têm regras conhecidas à partida e, dentro de certos limites, o capital está protegido pelo Fundo de Garantia de Depósitos.

Os depósitos a prazo estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000 euros por depositante e por banco. Esta proteção aplica-se em situações como insolvência da instituição, mas apenas até ao limite legal e por banco.

Sim. Os juros dos depósitos a prazo estão sujeitos a retenção na fonte em IRS. Em Portugal continental, a taxa para pessoas singulares é de 28%, sendo diferente nos Açores e para empresas.

Depende do produto. Alguns depósitos permitem mobilização antecipada, total ou parcial, mas com penalizações, como a perda dos juros. Outros não permitem qualquer levantamento antes do vencimento.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

Investimentos