Carreira e Negócios

Como escolher entre duas propostas de trabalho

Está com dificuldades em escolher entre propostas de trabalho? Saiba o que deve ter em consideração e como analisar todos prós e contras.

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Como escolher entre duas propostas de trabalho

Está com dificuldades em escolher entre propostas de trabalho? Saiba o que deve ter em consideração e como analisar todos prós e contras.

Quem está à procura de um emprego, pode ver-se confrontado com mais do que uma proposta ao mesmo tempo. E, às vezes, não é simples tomar uma decisão. Até porque há empresas que além de rendimentos monetários, oferecem outras regalias que podem ter um peso relevante na altura em que se tem de escolher.

Afinal, além do ordenado, existem outros fatores preponderantes ao escolher entre duas propostas de trabalho, mesmo que o vencimento seja um dos pilares dessa decisão.

Por isso, se está com dificuldades em escolher entre duas propostas de trabalho, de seguida, vamos ajudá-lo a refletir sobre o que deve analisar, de forma a tomar uma decisão benéfica para a sua vida profissional e pessoal.

Compare os valores dos rendimentos brutos

Na maioria das vezes, a insatisfação salarial é um dos principais motivos para os profissionais procurarem novas oportunidades no mercado. Claro que o dinheiro não é tudo a nível profissional, mas na verdade, um salário justo de acordo com as capacidades e experiência dos profissionais cria um nível de motivação superior na hora de desempenharem as suas funções.

E para quem recebeu mais do que uma proposta de emprego, comparar os valores dos rendimentos brutos oferecidos por cada empresa é fundamental. No entanto, é preciso ter atenção que um rendimento bruto não representa o dinheiro que vai levar para casa todos os meses. Isto porque o seu salário vai ser submetido posteriormente aos descontos para a Segurança Social, mas também à retenção na fonte em sede de IRS. E caso precise de ajuda para apurar o valor que irá levar para casa, pode usar o simulador de salário líquido 2021 do Doutor Finanças, de forma a ficar com uma ideia dos potenciais salários após serem aplicados os respetivos descontos.

Avalie que outros benefícios existem para a sua vida financeira

Tal como referimos no início deste artigo, a maioria das pessoas valoriza bastante outros benefícios que as empresas estão dispostas a oferecer aos seus colaboradores para os manter motivados. E é normal que assim o seja, uma vez que existem outros benefícios que têm um impacto direto na vida dos profissionais, pois permitem aumentar os rendimentos, mas também diminuir algumas despesas.

Por exemplo, o valor do subsídio de alimentação, seja este pago em dinheiro ou em cartão de refeição, convém ser analisado, pois tem um impacto direto nas suas finanças mensais. Em termos de análise, é preciso ter em conta que o subsídio de alimentação pago em dinheiro está isento de impostos até aos 4,77 euros. Já no caso de ser pago em vale ou cartão, então o valor fica livre de impostos até aos 7,63 euros. Atualmente, a maioria dos profissionais vê com bons olhos a opção do cartão de refeição, uma vez que o valor costuma ser mais elevado, e pode ser uma forma de gerar alguma poupança, caso não gaste a totalidade do subsídio.

Depois também é importante perceber se as empresas pagam prémios de produção e assiduidade, pois caso atinja os objetivos definidos terá esse incentivo financeiro. No entanto, nos dias que correm, os trabalhadores estão mais interessados em outros benefícios, como por exemplo:

E não é de estranhar que estes benefícios sejam tão atrativos, pois se analisarmos os mesmos em termos monetários, eles representam uma poupança de centenas de euros mensais. Por isso, na hora de comparar duas ofertas de trabalho, não fique apenas preso ao salário. Faça contas, veja que benefícios são atrativos para si que as empresas oferecem e o valor que pode poupar com estes.

Ao escolher entre duas propostas de trabalho pese também os benefícios não financeiros

Até agora temos referido a importância de analisar benefícios e regalias oferecidas pelas empresas que têm o impacto direto sobre as suas finanças. Mas na verdade, existem outros benefícios não financeiros que são muito valorizados pelos trabalhadores.

Por exemplo, o horário laboral flexível é visto com uma regalia aliciante para quem pretende uma maior disponibilidade para estar com a família ou dedicar-se a outras atividades e hobbies. Já para outras pessoas, o teletrabalho que foi implementado durante a pandemia do Covid-19, também passou a ser visto com bons olhos, mesmo que seja aplicado apenas em alguns dias da semana. Além destes benefícios, algumas empresas em Portugal oferecem aos seus trabalhadores dias extras de férias, ausência remunerada no dia de aniversário, entre outras regalias não financeiras.

Por isso, se está com dúvidas qual é a empresa que oferece as melhor condições e benefícios, deve pesar na balança os benefícios financeiros e os não financeiros. Lembre-se que as regalias financeiras ajudam-no a melhorar a sua qualidade de vida, mas as não financeiras podem dar-lhe um maior bem-estar a nível pessoal e emocional. Tenha isso em consideração.

Ler mais: A relação entre dinheiro e bem-estar emocional

O tipo de contrato não deve ser ignorado

Numa análise superficial de duas propostas de trabalho, por vezes, existem detalhes técnicos que tendem a não ser tão valorizados em prol da remuneração e benefícios oferecidos. No entanto, isso pode ser um erro grave, principalmente se ignorarmos o tipo de contrato que estamos a assinar. Em Portugal, os contratos de trabalho podem assumir diversas formas, como por exemplo:

E a diferença entre cada um destes tipos de contrato é bastante significativa, não só na segurança que transmitem ao trabalhador, como nas próprias condições, direitos e deveres estabelecidos legalmente.

Além disso, é essencial que leia com muita atenção cada contrato de trabalho antes de tomar uma decisão final e assinar o mesmo. E isto porquê? Porque alguns contratos de trabalho podem estabelecer cláusulas que implicam alterações ao modelo de trabalho que lhe está a ser proposto na entrevista. Por exemplo, alguns contratos têm um cláusula que implica a mobilidade geográfica do trabalhador em determinadas situações. E ao não estar atento a esta cláusula, pode ter uma surpresa desagradável se a sua empresa indicar que o seu local de trabalho passará a ser noutro local, longe da sua área da residência.

Por isso, leia bem os contratos que lhe são propostos, veja se as condições estipuladas na entrevista estão descritas no contrato e analise todas as cláusulas presentes no mesmo.

Nas entrevistas tente perceber qual é o ambiente de trabalho

Embora nem sempre seja fácil perceber qual é o ambiente de trabalho em cada empresa quando não fazemos parte da equipa, o processo de entrevistas é um levantar do véu para a forma como cada empresa funciona a nível pessoal. Por isso, é importante que desde a sua entrada na sede da empresa ou no local onde se vai realizar a entrevista esteja atento ao ambiente ao seu redor. Veja como os colaboradores interagem entre si, se o ambiente é mais descontraído ou formal, entre outros pormenores que consiga captar.

Já na entrevista, a forma como o entrevistador passa os valores da empresa, bem como o que é valorizado e promovido, pode ser um forte indicador do ambiente de trabalho ali vivido. Lembre-se que o período laboral ocupa a maior parte dos nossos dias úteis, e por isso é fundamental sentirmo-nos bem no nosso local de trabalho. A verdade é que nem todas as empresas oferecem uma cultura e ambiente de trabalho que seja aliciante para todos os trabalhadores, logo deve tentar imaginar se aquele ambiente se adequa ou não à sua personalidade.

Dito isto, não se esqueça de comparar o ambiente de cada empresa que lhe ofereceu uma proposta de trabalho, e pense qual é a que lhe deixou uma maior vontade de fazer parte da equipa.

Avalie as perspetivas de evolução dentro da organização ao escolher entre duas propostas de trabalho

Por fim, na hora de escolher entre duas propostas de trabalho não se esqueça de ter uma visão mais ampla do que pode ser a sua carreira profissional. Ou seja, imagine que se candidatou para um cargo específico, do qual tem experiência e conhecimentos. Até aqui está tudo certo. Mas é importante que pense se vai querer exercer essas tarefas o resto da sua carreira ou pretende evoluir dentro da organização e ter mais responsabilidades.

A verdade é que existem empresas onde há a real possibilidade de crescer dentro da organização, seja a curto, médio ou a longo prazo. Por norma, essas empresas oferecem um plano de carreira mais sólido e permitem que os trabalhadores alcancem novos cargos através da meritocracia. E embora esta referência seja feita no final da lista, este fator é um ponto que deve ser muito valorizado na hora de tomar uma decisão entre duas propostas de trabalho.

Não se esqueça que há muitos profissionais de sucesso que começaram por desempenhar tarefas menores e foram subindo até alcançarem cargos de grande responsabilidade. Mas para que tal seja possível, para além das suas capacidades e desempenho, a empresa onde está inserido têm que ter uma mentalidade que permita essa evolução aos seus trabalhadores. E cabe-lhe a si tentar perceber quais são as empresas onde existem perspetivas de evolução e as que oferecem mais resistência a este progresso.

Pense no seu futuro profissional, mas também na sua vida pessoal na hora de escolher entre duas propostas de trabalho

Depois de analisar as condições das propostas de trabalho que tem em mãos e outros fatores que referimos neste artigo, não se esqueça que todas as mudanças requerem uma análise dos nossos objetivos e ambições a longo prazo. Ou seja, mudar de emprego é sempre uma decisão que tem um forte impacto na nossa vida profissional, e por isso mesmo não é uma decisão que deve ser tomada sem um período de reflexão. Lembre-se que todas as escolhas que faz devem permitir que se aproxime dos objetivos que pretende atingir no futuro. Afinal o sucesso profissional é um longa jornada assente nas escolhas que tomamos e nos desafios que estamos dispostos a correr.

No entanto, não se esqueça que para a maioria das pessoas encontrar o equilíbrio ideal entre a carreira e a vida pessoal não é uma tarefa fácil. E por isso, pense também nos objetivos que tem a longo prazo para a sua vida pessoal. Aceitar um trabalho que lhe permite conciliar melhor a sua carreira com a vida pessoal, pode aumentar consideravelmente o seu bem-estar geral e os seus níveis de felicidade.

Na realidade, aquilo que pode parecer uma ótima oferta de trabalho para uma pessoa, não tem de representar o mesmo para si. E dito isto, o mais importante é que analise as propostas de trabalho e tome decisões de acordo com os seus objetivos, profissionais e pessoais, e a sua personalidade. Dê prioridade àquilo que valoriza numa empresa, aos benefícios que realmente importam para si, sempre de acordo com o que pretende alcançar e lhe traz felicidade.

Ler mais: Carreira profissional: quais as várias decisões que deve tomar quando pensa ter um filho?

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