Carreira e Negócios

O impacto da pandemia no desemprego em Portugal

O Covid-19 está a ter repercussões económicas o que leva à quebra dos rendimentos e em muitos casos, ao desemprego. Saiba com o que contar.

Adriana Cabrita Adriana Cabrita , 21 Setembro 2020

O aumento do emprego em Portugal estava a ser uma constante nos últimos anos, tendo a taxa de desemprego descido para níveis recorde. Contudo, a pandemia provocada pelo Coronavírus veio desestabilizar toda a economia. Uma das consequências mais imediatas foi a eliminação de muitos postos de trabalho.

As medidas de apoio tomadas pelo Governo para ajudar famílias e empresas, tais como o lay-off simplificado, os complementos, as moratórias, o regime de sucessão do lay-off simplificado e outros apoios sociais têm amortecido o aumento do desemprego. Mas não o têm eliminado.

Taxa de desemprego sobe

O desemprego voltou a subir, em agosto, com um aumento de 0,5% face ao mês de julho, o que significa que houve 2.029 pessoas a inscreverem-se no espaço de um mês. Já comparado com o mesmo mês do ano passado, o aumento foi de 34,5%, ou seja, mais 105 mil pessoas, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

O Governo prevê que esta realidade se prolongue no resto do ano, estimando uma taxa de desemprego este ano de 9,6%, segundo o cenário macroeconómico que integra o Programa de Estabilização Económica e Financeira. 

Leia ainda: Governo altera lay-off a partir de agosto. Famílias recuperam rendimentos 

Desempregados inscritos nos centros de emprego superam os 409 mil 

No fim do mês de agosto de 2020, estavam registados, nos Serviços de Emprego do Continente e Regiões Autónomas, 409.331 indivíduos desempregados, número que representa 74,5% de um total de 549.549 pedidos de emprego.

Por faixas etárias, a população mais jovem deverá estar a sentir maiores dificuldades, uma vez que, do total do dos desempregados registados nos centros de emprego, mais de 88% são jovens com idades até aos 25 anos.

Estes números confirmam o que já se sabia. Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelaram que a taxa de desemprego para a população com idades entre 15 e 24 anos se tenha situado nos 27,4%, em junho. De salientar, que é habitual que este grupo etário tenha uma taxa de desemprego bastante superior aos restantes grupos, mas esta é a taxa mais elevada desde setembro de 2016.

Por regiões, em agosto, o aumento mais pronunciado deu-se no Algarve (uma subida de 177,8% face ao mesmo mês de 2019), embora a região tenha recuperado 10,6% face ao mês de anterior (foi a região que, em termos percentuais, mais viu o desemprego recuar face a julho). Ainda assim, face há um ano, o desemprego mais do que duplicou, com mais 13.072 desempregados.

Já a região autónoma dos Açores viu o desemprego reduzir, em termos homólogos, 1,3%.

Ainda é cedo para saber como vai evoluir a situação económica do país e consequentemente o mercado laboral. Mas o Governo prevê que a taxa de desemprego no próximo ano recue para 8,7%.  

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O valor e a duração do subsídio de desemprego  

calculadora subsidio de desemprego

Saber que se vai enfrentar o desemprego é uma situação de angústia e que gera muitas dúvidas, por isso é importante saber com o que pode contar, ou melhor, com quanto pode contar e durante quanto tempo. Foi a pensar nisso que o Doutor Finanças desenvolveu um simulador de subsídio de desemprego.  

Para que consiga simular corretamente o valor e duração do seu subsídio de desemprego deve ter na sua posse as seguintes informações: 

  • Número de dias com contribuições, nos 24 meses anteriores ao desemprego; 
  • Quantos meses contribuiu na totalidade da sua carreira; 
  • Idade; 
  • Salário médio bruto dos primeiros 12 meses nos últimos 14 meses; 
  • Número de meses com descontos nos últimos 14; 
  • Valor do subsídio de férias; 
  • Valor do subsídio de Natal; 
  • Situação do agregado familiar e número de dependentes. 

Leia ainda: Seguro de desemprego: uma forma de assegurar os seus rendimentos

Como requerer o subsídio de desemprego durante a pandemia 

Se estava a contrato por conta de outrem e ficou numa situação de desemprego involuntário é determinante que se inscreva no IEFP e verifique se tem direito ao subsídio de desemprego. Este benefício monetário foi criado para compensar a falta de remuneração dos cidadãos que perderam o seu emprego de forma involuntária. 

No entanto, devido à pandemia do coronavírus, o IEFP criou várias medidas excecionais e alterações temporárias o subsídio de desemprego.  

O atendimento do IEFP para esclarecimentos informativos passa a ser prestado exclusivamente por via telefónica, através do número 300 010 001 das 8h às 20h, e online.  

As intervenções técnicas e entrevistas, nomeadamente para apresentação de ofertas de emprego ou ajustamento em medida de emprego, serão realizadas sempre que possível em sistema de videoconferência. Mesmo que exista a possibilidade de um atendimento presencial, não deve dirigir-se ao IEFP sem antes efetuar um pré-agendamento, uma vez que funciona através do sistema de marcações.  

Para além destas soluções, existe o site iefponline destinado aos desempregados à procura de novas oportunidades de emprego. É através desta plataforma que também pode registar-se no centro de emprego, e ainda pedir o subsídio de desemprego. Em caso de dúvida pode consultar o manual de Submissão online de Requerimentos de Subsídio de Desemprego. 

Numa situação de desemprego estar informado pode ser a sua melhor defesa para fazer frente a todos os cenários. Reveja o seu orçamento familiar. Negoceie todas as suas despesas, desde a prestação do ginásio, aos serviços de luz ou telecomunicações. Consolide os créditos ou transfira o crédito habitação pode ser muito útil no equilíbrio das suas finanças em situação de desemprego. 

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