Quanto paga a si próprio todos os meses?

Comece a cobrar uma fatura a si mesmo. No início pode ser difícil, mas vai ver que o resultado é animador. Pelo menos, tente!

Pela minha experiência, o clique que faz mudar a mentalidade financeira da maioria das pessoas é quando percebem que trabalharam toda a vida para pagar aos outros e que nunca se lembraram de se pagar a elas próprias.

Vamos lá a ver: Se trabalho para uma empresa e ela paga-me todos os meses, então sou eu que trabalho para mim (levanto-me, cuido de mim, dou-me o pequeno-almoço, trabalho para a minha mulher, marido, filhos, pais, avós, amigos, cozinho, lavo a loiça e a roupa, se limpo a casa, etc.), não deveria também “pagar-me” pelo que faço? Ou seja, eu mereço que parte do dinheiro que entra em casa seja para MIM e para a minha FAMÍLIA. Para gastarmos como quisermos.

Este “gastarmos como quisermos” deve ser interpretado de forma responsável e não como uma justificação para o desbaratar sem critério. Isso é o que muitos de nós fazemos pensando que estamos a “gozar a vida”. Não. Só estamos a estragar o nosso futuro.

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Assim que recebe o seu ordenado, imediatamente pelo menos 10% deve ser para si. O ideal é ser uma transferência automática para uma conta que está longe da vista mas perto do coração. Vai ser a sua rede. Começando pelo Fundo de Emergência, como lhe falei em crónicas anteriores. Depois disso pode começar a investir e a gastar em luxos que devem estar orçamentados.

Esta é a dica que vai começar a fazer diferença na sua vida financeira para melhor. Claro que exige algum sacrifício inicial da sua parte. Depois passa a ser um hábito. E passando a ser um hábito vai acabar por nem dar por ele. Vai começar a fazer parte da sua vida normal. É esse o objetivo. Que nem dê pela poupança (da mesma forma como hoje não dá pela despesa). 

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Repare como às vezes chega ao fim do mês e diz “Não sei para onde foi o meu dinheiro”. O meu objetivo é que chegue ao princípio do mês seguinte, olhe para o extrato dessa tal conta onde se paga todos os meses primeiro e diga “Olha, nem sabia que já lá tinha tanto…”. Percebe a diferença?

É verdade que para muitos de vocês isto será óbvio e se calhar já fazem há anos. Mas a verdade é que noto que são milhares os que nem sequer tentam fazer isto. E a dica é mesmo esta: TENTE. O que é que perde por tentar? O seu dinheiro não vai desaparecer, pelo contrário.

Portanto, o primeiro passo que pode fazer a diferença na sua vida financeira é muito simples. Começar HOJE a colocar 10% do seu ordenado de lado numa conta/envelope/gaveta/PPR/Fundo de investimento/etc. ASSIM QUE O RECEBE. Não espere pelo fim do mês.

Vamos ser práticos. Antes que venha com desculpas pense só nisto alguns segundos. Ainda deve ter (espero) parte do seu salário na sua conta. Faça já isto só para experimentar. Vá ao multibanco e retire esse dinheiro e reserve-o e esqueça que ele existe. Ou vá ao homebanking e transfira esse dinheiro para uma conta que não use habitualmente. Só para testar. Se precisar desse dinheiro ele está à mão de semear. É só ir buscá-lo, certo? O que é que perde por EXPERIMENTAR fazer alguma coisa por si e pelas suas finanças pessoais? Depois logo vê ao fim do mês se lhe fez realmente diferença ou não ter feito isto. Não perde nada.

E viva este mês como se o governo tivesse feito um corte “obrigatório” nos salários de toda a gente. Se fosse a sério, teria de viver mesmo com isso. Assim faça de conta que é o ministro das suas Finanças e que tem mesmo de ser. Para se motivar, multiplique o valor que retirou este mês por 12 e veja qual seria o resultado ao fim do ano. Já nem lhe falo dos juros sobre esse dinheiro. Isso será uma segunda fase. Lembre-se que não precisa de ser 10%. Pode começar com 5% ou o valor que seja razoável para si. O que interessa é o método. Pague-se a si e não apenas aos outros.

Quer ache a ideia boa ou não, esta é a dica fundamental de todos os grandes gurus das finanças. Não deve ser por acaso. Não estou a inventar nada que não tenha já sido inventado. Tente.

Pedro Andersson nasceu em 1973 e apaixonou-se pelo jornalismo ainda adolescente, na Rádio Clube da Covilhã. Licenciou-se em Comunicação Social, na Universidade da Beira Interior, e começou a carreira profissional na TSF. Em 2000, foi convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Atualmente, continua na SIC, como jornalista coordenador, e é responsável desde 2011 pela rubrica "Contas-Poupança", dedicada às finanças pessoais. Tenta levar a realidade do dia a dia para as reportagens que realiza.

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