MLS, a abreviatura de Multiple Listing Services traduz-se em português para Serviço de Angariação Múltipla.

O MLS já faz parte da história da mediação desde o século XIX. Surge no mercado norte-americano pela necessidade de partilha do negócio entre profissionais de mediação que necessitavam de um sistema para gerir a comissão correspondente a dois clientes que cada um dos agentes detinha: o cliente comprador e o cliente vendedor.

Como se tornou uma prática cada vez mais democratizada, as agências imobiliárias sentiram a necessidade de tornarem a partilha num sistema e, mais tarde, num sistema informatizado, para trazer maior transparência e rigor ao método de partilhas e referências.

Esta sistematização foi simplificada no final dos anos 50, mas o maior desenvolvimento dá-se nos anos 80 e, de forma localizada, na Califórnia, estendendo-se posteriormente, mas muito rapidamente, por todos os estados norte-americanos em sintonia com a evolução dos sistemas informáticos e tecnológicos.

Se o grande objetivo de um agente imobiliário ou mediador é o de promover uma propriedade com o objetivo de a transacionar de forma célere, é prioritário ter acesso a toda a informação sobre o imóvel e contexto. Isto para que a possa difundir de forma assertiva, rápida e principalmente, segura, para a maior parte dos mediadores, para multiplicar exponencialmente as possibilidades de encontrar o maior número de compradores.

O MLS pode hoje ser visto como um depósito seguro de informação que está disponível para uma vasta rede de profissionais, que podem ser locais, nacionais ou, quem sabe num futuro próximo, globais.

Sendo o imobiliário um negócio maioritariamente local, é normal que os MLS locais funcionem muito bem tendo como base a especialização de cada angariador/mediador.

Atualmente estes MLS locais juntam-se a outros MLS e evoluem para MLS nacionais.

Para que o sistema funcione entre todos e todas as marcas, há que haver regras firmes de funcionamento da angariação, com eventuais penalizações para quem não as respeite e com a possibilidade, inclusive, de exclusão do profissional da rede de MLS.

O rigor existe em prol do funcionamento do MLS, mas principalmente em prol do setor que, desta forma, pode dar a garantia de qualidade de informação e serviço para os seus clientes finais, compradores e vendedores.

Para que os pressupostos se cumpram, normalmente os sistemas de MLS têm uma Comissão de Ética que regulamenta e atua sobre situações de violação das regras, deliberando e fazendo cumprir as eventuais ações punitivas.

Para aderir a este sistema há que aceitar as regras e remunerar uma organização, normalmente externa e neutra, que gere todo o sistema para garantir o seu funcionamento. Geralmente este custo é anual.

Esta organização tem a forma de associação que, como disse, deve ter um órgão neutro de decisão ética para evitar eventuais conflitos de interesses e deve também ser composta por elementos das agências participantes, normalmente os donos destas empresas.

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MLS: A realidade em Portugal

Por receio, por proteção de interesses, por falta de profissionalização ou simplesmente por inércia, em Portugal, o MLS não conseguiu passar do papel para o terreno para benefício da transparência e profissionalismo da classe. Tudo se resume à falta de atitude para mudar, experimentar, agir e abraçar o desconhecido. Acima de tudo, resume-se a uma falta de atitude para partilhar.

Não existem dúvidas de que a partilha é a base de qualquer rede de Mediação Imobiliária, seja ela uma rede de franchising ou uma rede própria. Sabemos ainda que a nutrição da rede de contactos ou networking é o fulcro de qualquer negócio imobiliário, e por isso não me parece fazer muito sentido que as empresas ou profissionais que estão ligados num sistema de rede não exponenciem o mesmo e teimem muitas vezes em querer continuar de costas voltadas.

Muitos franchisings (até fora da Mediação Imobiliária) mencionam o networking na sua base do negócio, e isto acontece por alguma razão.

Quem está numa rede de franchising sabe que a força está no todo. Por isso, nada melhor do que tirar o melhor proveito da sua rede, utilizando ferramentas como MLS internos das suas marcas, sabendo que poderiam alargar o seu potencial alargando também a sua vontade de partilha.

A dimensão da marca, a formação e a tecnologia que as empresas fornecem ditam as regras, mas é no ADN que está a maior força para inspirar outros a fazer as coisas da mesma maneira e com um único método.

Citando o autor Seth Godin: “Aquilo que nos leva a pertencer a uma tribo”.

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A constituição de uma tribo

No essencial, a constituição de um MLS não é mais que a constituição de uma tribo, uma tribo local (ou não fosse o mercado imobiliário local). Um local onde um grupo de pessoas segue algo (neste caso, uma cidade ou uma zona), com o objetivo de oferecer aos seus habitantes atuais e futuros a melhor informação possível (neste caso, o melhor serviço imobiliário possível). Para isso, juntam-se em grupos profissionais de Mediação Imobiliária que se identificam entre si no serviço, na forma de trabalhar, na visão e na atitude de partilha, formando assim tribos locais e alavancando os seus negócios.

Por todos estes motivos, o MLS é, antes de mais, uma forma de estar no mercado imobiliário (atual e futuro) e pode dizer-se que é uma forma vencedora e proativa.

O mercado norte-americano de mediação imobiliária profissional, entre outros similares, é o que detém a maior quota de mercado de transações feitas pela mediação (último dado da NAR, 91% das transações). Tudo isto acontece sem obrigar o proprietário a ter de vender o seu imóvel através da mediação, porquê?

O maior motivo deste feito é o sistema de partilha de MLS com mais de 80 anos de operacionalidade e o que prova é que é na capacidade de partilha do negócio entre profissionais que têm como único objetivo dar o melhor serviço para quem compra e vende que está a base do nosso negócio, a base da transparência e a base da credibilização.

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