Finanças pessoais

9 motivos para o seu dinheiro não chegar até ao final do mês

Tem problemas com o facto de o seu dinheiro não chegar até ao final do mês? Conheça 9 motivos para a origem deste problema e como resolvê-los

A gestão financeira não é uma tarefa fácil para todas as pessoas. Se por um lado existe quem seja extremamente organizado na hora de gerir as suas finanças pessoais, também existem pessoas que se deparam com o problema do seu dinheiro não chegar até ao final do mês. E embora cada caso necessite de uma análise individual, a verdade é que por trás da dificuldade de poupar ou de gastos excessivos, costumam existir maus hábitos de consumo ou falta de conhecimentos sobre literacia financeira.

Claro que para quem tem rendimentos muito baixos, a origem do problema está inevitavelmente ligada ao baixo valor que entra mensalmente no agregado familiar. No entanto, se essa situação concreta não se aplica a si, conheça os principais motivos que podem explicar porque é que o seu dinheiro não chega até ao final do mês.

Há várias razões para que o dinheiro não chegue até ao final do ano. Vamos partilhar nove motivos que podem ajudá-lo a fazer esticar o seu dinheiro.

1 - A falta de planeamento é um dos principais motivos para o dinheiro não chegar até ao final do mês

Quando se fala de finanças pessoais, um dos temas mais referidos é a importância de um planeamento financeiro e a criação de um orçamento familiar. Afinal, quando sabemos exatamente quanto dinheiro temos a entrar e quais são as despesas que temos de suportar, torna-se bem mais simples gerir o nosso dinheiro. Mas a gestão responsável e organizada não é a única vantagem de criar um orçamento familiar. Este orçamento é um dos principais pilares para as famílias começarem a criar uma poupança e alcançarem os seus objetivos e projetos. É através do orçamento familiar que as famílias podem facilmente definir um montante mensal para as suas poupanças, com base nos seus rendimentos e despesas.

Contudo, é importante que assim que os seus rendimentos entrem na conta bancária, o valor destinado às poupanças seja transferido para outra conta que tenha esse propósito. Esta é uma forma prática de não se utilizar o dinheiro para outros fins, pois se o mesmo ficar na sua conta bancária até ao final do mês, o mais provável é acabar por gastá-lo.

Mas se nunca criou um orçamento familiar saiba que não está sozinho. Segundo o estudo publicado pelo Observador Cetelem sobre literacia financeira em 2020, 66% dos inquiridos respondeu que planeia o seu orçamento familiar, mas cerca de 30% afirmou não ter esse hábito. No entanto, isso não quer dizer que não vá a tempo de mudar essa situação, e criar um orçamento para si, de forma a evitar que o seu dinheiro não chegue ao fim do mês.

Dito isto, aconselhamos que reserve um tempo para se sentar e reunir todas as suas fontes de rendimentos e as suas despesas. Depois desta lista estar identificada, é hora de classificá-las e priorizá-las, para que saiba exatamente ao que correspondem e quais se deve debruçar em primeiro lugar. Embora a criação do orçamento familiar pela primeira vez possa ser um processo um pouco mais demorado, vai ver que com o tempo será muito mais simples gerir o seu dinheiro, sem cometer deslizes.

2 - Maus hábitos de consumo

Outro dos motivos que costuma estar na origem para o dinheiro não chegar até ao final do mês são os hábitos de consumo. E, neste aspeto, é preciso refletir um pouco sobre o seu comportamento e como faz as suas compras. Por exemplo, não é incomum ver alguns portugueses adquirem produtos em excesso, o que leva muitas vezes a desperdícios ou a compras desnecessárias. Se aplicarmos este conceito à compra de bens alimentares e produtos essenciais, uma solução muito simples para combater este problema é ir às compras na posse de uma lista do que realmente faz falta.

Claro que os maus hábitos de consumo não se limitam às idas ao supermercado. E por isso mesmo, deve tirar um tempo para refletir sobre se tem ou não hábitos consumistas, de forma a conseguir identificar os mesmos e alterá-los por hábitos de consumo consciente e sustentável. Ou seja, coloque algumas questões a si próprio se precisa de determinadas coisas, se pode arranjar soluções mais económicas ou até se pode reutilizar em vez de comprar. Parecendo que não, ao alterar os seus hábitos de consumo pode notar uma grande diferença nas suas finanças pessoais a curto, médio e a longo prazo.

3 - Facilidade em cair na tentação de campanhas publicitárias ou promocionais

Embora as campanhas promocionais possam muitas vezes representar uma poupança na aquisição de determinados produtos ou serviços, é preciso ter alguns cuidados quando as promoções andam de mãos dadas com o consumismo. Para além de muitas campanhas publicitárias ou promocionais não serem tão vantajosas como aquilo que é anunciado, a verdade é que se cair facilmente neste tipo de tentação, estas escolhas são mais prejudiciais do que vantajosas.

Na hora de gerir um orçamento familiar, os seus rendimentos estão a ser canalizados para as suas despesas essenciais e para outras despesas que considera fundamentais para si. Mas se acabar por ignorar aquilo que está estabelecido, por ter a oportunidade de adquirir certos produtos ou serviços em promoção, vai colocar o seu orçamento em risco, podendo mesmo gastar todo o seu dinheiro antes do final do mês. É muito importante que nestas situações as compras sejam feitas de forma responsável e não apenas porque podem representar uma boa oportunidade.

4 - Não ter um fundo de emergência

Não é novidade que as despesas inesperadas são uma forte ameaça às finanças pessoais de muitos agregados familiares. Afinal, se existir um orçamento familiar que apenas foi criado com o propósito de identificar rendimentos e despesas habituais, ficam de fora os valores para cobrir despesas inesperadas e criar uma poupança. E este tipo de gestão, pode trazer vários problemas quando as despesas inesperadas assumem valores mais elevados, pois terá que encontrar uma solução para o problema que surgir.

Muitas vezes a única solução que as famílias encontram para fazer face a despesas imprevistas é recorrer aos cartões de crédito ou a um crédito pessoal. No entanto, este tipo de problema pode ser mais simples de lidar se tiver um fundo de emergência criado.

Caso não saiba o que é um fundo de emergência, este não é nada mais que um "pé de meia" para cobrir situações de emergência ou perdas de rendimentos durante um período alargado, seja de 6 meses ou 1 ano. Ou seja, um fundo de emergência é uma poupança que deve cobrir todas as suas despesas por um mínimo de seis meses. Agora, certamente está a pensar que é muito difícil criar este tipo de poupança quando se tem um ordenado mais baixo. Mas isso não é verdade. Um fundo de emergência pode ser criado a longo prazo, seja em 1, 2, 3 anos ou mais. O mais importante é começar a criá-lo e não quanto tempo levará para atingir o objetivo final.

Por exemplo, se todos os meses poupar 50 euros para o seu fundo de emergência, em 5 anos terá um fundo de 3000 euros. Se for impossível começar por 50 euros, opte por 20 ou até por 10 euros. O que importa é que comece o seu fundo, e quando surgir uma emergência tenha algum dinheiro de parte para não afetar as suas finanças ou colocá-lo numa situação bastante desagradável.

5 - Não pensar no futuro e sim no presente

Se reparar, ao longo deste artigo temos falado de ponderação, reflexão, evitar compras por impulso, planeamento e até criar objetivos de poupança a longo prazo. E porquê é que o fazemos? Porque para melhorar as suas finanças pessoais é fundamental que deixe de tomar decisões em cima do joelho e apenas baseadas no presente, e comece a projetar objetivos futuros.

Na realidade, existem diversas pessoas que lidam com problemas financeiros pelos mais variados motivos. Umas porque têm poucos recursos, outras porque estão a gerir mal o seu dinheiro e outras porque nunca pensam no futuro. E olhar para o futuro não significa que tenha que viver uma vida de sacrifícios financeiros em prol do que um dia poderá vir a acontecer. Olhar para o futuro permite-lhe gerir melhor as suas finanças para alcançar os seus objetivos e desejos, e ao mesmo tempo dar-lhe uma maior estabilidade e liberdade financeira.

Por isso, é aconselhável que pare um pouco para pensar naquilo que pretende alcançar. Gostava de viajar mais no futuro? Queria investir para um dia vir a ter um rendimento extra sem ser o seu ordenado? Pretende ter uma reforma mais confortável? Quer comprar uma casa daqui a uns anos? Todos estes objetivos podem estar ao seu alcance se criar metas de poupanças direcionadas aos mesmos. Mas para isso precisa de pensar a longo prazo e ter disciplina na hora de poupar. Não importa quanto tempo levará até alcançar os seus objetivos, mas sim focar-se nos mesmos e canalizar o seu dinheiro e o seu esforço nesta realização.

6 - O uso frequente do cartão de crédito pode "ajudar"

Falando de alguns problemas mais concretos, muitas vezes, chegar ao final do mês sem dinheiro está relacionado com uma má gestão dos cartões de crédito. Não é novidade que os cartões de crédito têm as suas vantagens e por vezes são a salvação em horas de aperto financeiro. No entanto, quando temos em nossa posse um cartão de crédito, a utilidade que damos ao mesmo deve ser ponderada.

Por exemplo, sempre que usamos um cartão de crédito e não efetuamos o pagamento a 100% do valor utilizado, dentro do prazo estipulado para pagamento, vamos ter que pagar taxas de juro elevadas. E se tiver mais que um cartão de crédito e todos os pagamentos forem fracionados em várias prestações, entramos numa bola de neve composta por várias prestações e juros que levam ao risco de endividamento. Para além disso, se recorrermos a créditos para pagar determinadas despesas para as quais não tínhamos um orçamento disponível, é normal que no final do mês nos encontremos num aperto financeiro.

Por isso, é fundamental que no futuro olhe para a utilização dos cartões de crédito com alguma ponderação. Caso neste momento tenha diversos créditos contratados, aconselhamos que veja a possibilidade de fazer um crédito consolidado. Ao consolidar os seus créditos não só pode diminuir o valor das prestações que paga atualmente, como também pode conseguir uma folga no seu orçamento mensal.

Ler mais: Saiba como gerir melhor os seus cartões de crédito

7 - A conta ordenado pode ser um inimigo das suas finanças se a gestão não for cuidada

Tal como acontece com os cartões de crédito, a conta ordenado traz vantagens em determinadas alturas da nossa vida, uma vez que nos permite o acesso a um "plafond extra", e ainda pode nos isentar de algumas comissões e trazer bonificações quando fazemos o crédito habitação. No entanto, se não tiver cuidado, também corre o risco de todos os meses estar a pagar taxas de juros semelhantes às dos cartões de crédito. Para além disso, o valor a descoberto que muitas vezes representa 100% de um ordenado, pode levar a problemas de gestão financeira, uma vez que está sempre a contar com um dinheiro que no fundo não é seu, e sim um valor a crédito.

E caso queira equilibrar as suas finanças e deixar de ter o problema do seu dinheiro não chegar até ao final do mês, então talvez o melhor seja colocar o objetivo de saldar o montante que tem em dívida. Desta forma pode debruçar-se novamente no seu orçamento familiar, e ver de que forma pode fazer face às suas despesas sem ter que estar constantemente a recorrer à conta ordenado.

8 - A comodidade do homebanking também pode estar a contribuir para o seu dinheiro não chegar até ao final do mês

Os pagamentos por homebanking são sem dúvida uma grande vantagem que evita deslocações constantes ao multibanco para fazer pagamentos e transferências. Para muitas pessoas, o homebanking até ajuda a gerir melhor as suas finanças, uma vez que é possível consultar o saldo sem sair de casa. Mas este tipo de comodidade também traz novos desafios para algumas pessoas, visto que fica mais fácil ceder a tentações de compras online. E se este é o seu caso, então é importante que comece a ter alguma atenção na hora de utilizar esta ferramenta, pois ela pode levar a compras impulsivas, e consequentemente abalar o seu orçamento familiar.

9 - Falta de literacia financeira

Por último, a falta de literacia financeira também é um dos fatores que têm um impacto direto na forma como gerimos o nosso dinheiro. Quanto mais sabemos sobre finanças pessoais, mais ferramentas temos para lidarmos com o nosso dinheiro de uma forma saudável e inteligente. E este tipo de conhecimento evita chegarmos a situações mais complexas, como ter a conta a zeros antes do final do mês.

Claro que não precisa ser um especialista em finanças pessoais, nem dominar temas complexos que não têm utilidade no seu dia a dia ou para a sua vida futura. No entanto, ao perceber diversos conceitos, estar a par de boas estratégias de gestão financeira, de poupanças e até de investimentos, é muito mais simples ter uma visão mais alargada sobre o rumo que pode dar ao seu dinheiro.

E caso pretenda começar a aumentar os seus conhecimentos sobre literacia financeira, no Portal do Doutor Finanças pode encontrar inúmeros artigos sobre finanças pessoais, dicas de gestão, créditos e seguros, investimentos, e tantos outros temas úteis do dia a dia. Lembre-se que a informação é poder, e pode fazer toda a diferença na sua forma como encara o seu dinheiro.

Ler mais: Como saber se as suas finanças pessoais estão de boa saúde

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