Finanças pessoais

Como saber se as suas finanças pessoais estão de boa saúde

Não sabe se as suas finanças pessoais estão de boa saúde? Veja como fazer um diagnóstico às suas finanças e o que deve ter em atenção.

Atualmente, são cada vez mais as pessoas que se preocupam em aumentar os seus conhecimentos sobre literacia financeira com o objetivo de melhorarem as suas finanças pessoais. No entanto, ainda existem muitas pessoas que têm as suas finanças desorganizadas e não possuem métodos e planos para alcançarem os seus objetivos financeiros.

E quando pensamos sobre o estado de saúde das nossas finanças, para ficarmos descansados não basta ter dinheiro suficiente para pagar as contas mensais. Afinal, para as nossas finanças pessoais estarem de boa saúde precisamos de ter um conhecimento profundo sobre as mesmas. E para alcançarmos esse conhecimento, é fundamental que as nossas finanças estejam organizadas e que exista um planeamento a curto, médio e a longo prazo para as nossas poupanças e investimentos.

Por isso, se pretende fazer um diagnóstico sobre o estado de saúde das suas finanças pessoais, de seguida, deixamos algumas sugestões do que deve analisar, mas também do que precisa ter em consideração.

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Olhe para o seu orçamento familiar e analise-o

Ao longo dos últimos anos já falamos diversas vezes sobre a importância de criar um orçamento familiar, de forma a ter um planeamento sobre a aplicação do seu dinheiro. E a verdade é que o número de portugueses que possui um orçamento familiar tem aumentando anualmente. Segundo o estudo do Observador Cetelem sobre literacia financeira em 2020, 66% dos inquiridos afirmaram que possuem um orçamento familiar. Este valor representa um aumento de 8% face a 2019. No entanto, cerca de 30% revelou que ainda não tem este hábito, principalmente os inquiridos mais jovens e mais velhos, que continuam a optar por não o fazer.

Por isso, se já possui um orçamento familiar, é importante que olhe para o mesmo e veja se o mesmo se encontra atualizado. Verifique se os seus ganhos não sofreram alterações, se as despesas não aumentaram, e se existe forma de aumentar a sua poupança. Lembre-se que um orçamento pode rapidamente ficar desatualizado, e por isso, deve revê-lo com alguma frequência. Caso contrário, corre o risco das suas contas não baterem certo, e tomar uma decisão com base numa estabilidade que pode não corresponder à realidade.

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Se ainda não possui um orçamento familiar, lembre-se que este é o primeiro passo para ter uma vida financeira saudável e ter um controlo sobre as suas despesas. E na realidade, não custa assim tanto retirar um tempo para reunir todos os seus rendimentos e despesas. Embora seja necessário alguma dedicação para criar o primeiro orçamento, a sua manutenção é bem mais simples.

Pense nos benefícios que o mesmo traz, como saber exatamente o valor que precisa para pagar as suas despesas mensais e anuais. Para além disso, este permite-lhe olhar para as suas finanças numa situação de crise ou de necessidade de aumentar as poupanças, e ver onde pode cortar sem muito esforço.

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Pense se está a cumprir os seus objetivos financeiros

Um dos indicadores que revela o estado de saúde das nossas finanças pessoais é o cumprimento das nossas metas e objetivos financeiros. Afinal, se estamos a conseguir alcançar os nossos objetivos e temos as nossas contas em ordem, é sinal que estamos no bom caminho para atingir o sucesso.

Quando falamos em metas e objetivos financeiros não nos referimos a algo específico, porque essas metas e objetivos variam de pessoa para pessoa. Existem pessoas que traçam objetivos para aumentar a sua poupança, poupar para a reforma, comprar um carro ou uma casa, juntar um montante para abrir um negócio ou para investir. Independentemente dos seus objetivos pessoais, o mais importante é que estabeleça as suas metas e objetivos a curto, médio e a longo prazo. Depois, basta traçar um plano para alcançar cada um deles.

Lembre-se que é muito importante que pese as suas prioridades, de forma a estabelecer quais são os objetivos a curto prazo (mais fáceis de atingir), e quais são os objetivos a médio e a longo prazo (que requerem mais tempo para serem alcançados). Tente definir sempre o montante exato que vai poupar para cada um dos seus objetivos. Por vezes, é preferível o valor ser menor e conseguir cumprir o mesmo sem falhar, do que estabelecer valores que dificilmente conseguirá cumprir mensalmente.

Caso olhe para as metas que traçou no passado e perceba que não as está a cumprir, é hora de rever as suas prioridades. Analise o que é que pode mudar, se esse objetivo devia ou não ter sido estabelecido como curto prazo ou se definiu um estratégia que não é viável. Lembre-se que por vezes mais vale voltar a estaca zero, e redefinir micro metas e objetivos. Afinal, o que importa é conseguir alcançar o objetivo, mesmo que leve mais tempo a consegui-lo.

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Identifique quais são as suas maiores dificuldades ao gerir as suas finanças pessoais e como pode ultrapassá-las

Em muitas famílias portuguesas, poupar é uma tarefa bastante complicada. A verdade é que quanto menores são os rendimentos, mais difícil fica criar uma poupança, pois mensalmente sobra muito pouco dinheiro. Contudo, nem sempre a dificuldade de poupar está ligada a rendimentos muito baixos. Por vezes, a grande dificuldade prende-se a uma má gestão das suas finanças pessoais. E isto tipo de problema, pode facilmente ser ultrapassado se conseguir identificar as suas dificuldades.

Por exemplo, imagine que depois de fazer o seu orçamento familiar mensal deviam ter sobrado 150 euros. Na altura que fez o seu orçamento tinha definido que 100 euros seriam aplicados numa poupança, com o objetivo de a longo prazo ter o montante necessário para dar entrada para uma casa. Mas o problema é que na maioria dos meses, chega ao último dia do mês com menos de 50 euros. Então pode concluir-se que está a gastar mais do que planeou em algumas despesas. Uma ótima forma de resolver este problema, para além de analisar melhor os seus gastos, é transferir no início do mês os 100 euros para a conta destinada à sua poupança. Desta forma, não terá hipóteses de gastar o montante que tinha reservado para a sua poupança em despesas que não são essenciais.

Claro que isto é apenas um simples exemplo. Mas a verdade é que fundamental olhar para a sua gestão financeira e saber identificar os problemas que existem. No fundo, só assim será possível arranjar soluções para os problemas que enfrenta atualmente.

Para saber o estado de saúde das suas finanças pessoais é imprescindível que analise os seus créditos

Para quem tem mais que um crédito, é extremamente importante analisar os valores que tem em dívida e perceber se existe forma de saldá-los ou reduzir a despesa que tem com os mesmos. Embora existam créditos que são uma despesa inevitável a longo prazo, como é o caso do crédito habitação, existem diversos créditos ao consumo que quando não são bem pensados podem trazer o risco de endividamento.

Caso tenha apenas prestações relativas ao seu cartão de crédito, talvez esta seja uma ótima altura para rever a sua dívida e ver se existe possibilidade de saldar a mesma o mais breve possível. Mas se tiver mais do que dois financiamentos para além do crédito habitação, então talvez a melhor solução para si seja um crédito consolidado. Lembre-se que ao consolidar os seus créditos pode reduzir significativamente o montante mensal que paga em prestações. E ao reduzir essa despesa, as suas finanças pessoais ficam menos sobrecarregadas com este tipo de encargos, o que lhe permite aplicar esse montante que poupou nos objetivos financeiros que tem traçados.

Reveja os seus seguros

Tal como fez com os seus créditos, deve também retirar um pouco do seu tempo para rever os seus seguros. E isto porquê? Porque ao longo da vida é normal que a nossa carteira de seguros aumente, e por vezes acabamos a pagar um preço demasiado elevado para as vantagens e coberturas associadas.

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Por exemplo, existem seguros que são obrigatórios, como é o caso do seguro automóvel de responsabilidade civil, o seguro de vida e seguro de multirriscos associados ao crédito habitação. No entanto, nenhum destes seguros obriga-o a ficar fidelizado eternamente a uma seguradora ou a uma instituição bancária. Na realidade, muitas vezes compensa analisar outras propostas de seguros, pois no caso dos seguros obrigatórios do crédito habitação, a mensalidade tende a ser mais elevada. Por isso, faça contas e analise se existem opções mais vantajosas para si, mesmo que perca a bonificação no spread do seu crédito.

Para além disso, no caso de ter seguro de saúde, planos de saúde e seguros associados ao seu cartão de crédito, é importante que olhe para as coberturas dos mesmos. Este tipo de análise permite-lhe identificar se não tem coberturas repetidas e quais são as apólices mais benéficas para si. Não tenha receio de negociar com as seguradoras, excluir coberturas de que já não precisa ou até mesmo cancelar seguros que atualmente já não fazem sentido.

Não se esqueça que contratar boas apólices de seguros é uma ótima forma de estar protegido e tranquilo. Contudo, é desnecessário pagar um preço demasiado elevado quando existem melhores soluções para si no mercado.

Analise o estado das suas poupanças e confira se definiu bem as suas prioridades

Definir metas de poupança desde cedo é uma ótima forma de manter as suas finanças pessoais saudáveis e protegidas. E tal como referimos anteriormente, as metas de poupança também devem ser definidas por prioridades, sendo importante estabelecer objetivos a curto, médio e a longo prazo.

Quando falamos de ter uma vida financeira estável temos que ter em consideração que essa estabilidade muitas vezes é assegurada por um fundo de emergência. E por isso é prioritário que o seu foco se debruce sobre esta poupança. Lembre-se que um fundo de emergência deve cobrir as suas despesas durante um período mínimo de 6 meses. É este fundo que permite-lhe ficar descansado se surgirem despesas inesperadas ou até no caso de um membro da sua família perder os rendimentos.

Dito isto, analise o estado da sua poupança para o seu fundo de emergência, mas também o estado de outras metas de poupança que definiu no passado. Veja se os valores estipulados estão a ser cumpridos e se as prioridades foram bem definidas. Uma ótima solução é definir uma poupança automática para as metas de poupança prioritárias, de forma a concluir o seu objetivo sem grandes entraves. Já no caso de objetivos de poupança a médio e a longo prazo, reveja os valores que definiu e veja se os mesmos podem ou não ser otimizados.

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Tem investimentos? Eles são fundamentais para umas finanças pessoais saudáveis

Quando falamos em investir, estamos a falar de ter a intenção de gerar mais dinheiro, seja através da maximização do nosso capital inicial ou de uma rentabilização das nossas poupanças. Contudo, todas as pessoas que pretendem iniciar-se no mundo dos investimentos, devem saber que o dinheiro que vão usar pode perder-se, e por isso nunca devem ser usadas quantias que lhe façam falta a curto e a médio prazo.

No entanto, caso queira melhorar o estado de saúde das suas finanças através de investimentos, primeiro deve pensar se tem as suas contas em dia, o seu fundo de emergência assegurado, e uma poupança que pretende ver rentabilizada a troco do risco de poder perdê-la. Depois, é fundamental que se informe sobre o mundo dos investimentos, os produtos que existem e os seus riscos, os diferentes perfis de investidor e as soluções que existem mais adequadas para si.

Segundo vários especialistas, a chave do sucesso no mundo dos investimentos passa por constituir uma carteira com produtos financeiros diversificados. E porque é que isto é uma boa estratégia? Porque esta diversificação garante um maior equilíbrio e diminui o risco do seu investimento. Por outras palavras, ao investir em produtos diferentes, de vários setores, mas também com riscos distintos e prazos diversos, as suas perdas podem ser diluídas no saldo positivo de outros investimentos que fez. Para além disso, esta diversidade potencia a rentabilidade dos seus investimentos, uma vez que o montante total é distribuído entre vários ativos.

Tenha sempre em consideração que caso tenha um perfil de investidor mais conservador, a melhor opção é começar com investimentos de baixo risco, mesmo que os ganhos não sejam significativos. Mais vale rentabilizar pouco o seu dinheiro, do que ter o mesmo parado sem qualquer maximização.

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Faça um balanço sobre as suas conquistas e do que precisa de melhorar

Por fim, faça um balanço sobre o estado das suas finanças pessoais. Assinale as suas conquistas, de forma a manter os mesmos processos que têm corrido bem. Já nas situações em que verificou alguns problemas, é hora de traçar uma estratégia para melhorar essa situação. Veja que soluções existem para gerir melhor as suas finanças, o que pode fazer para cortar despesas e aumentar as poupanças. Este diagnóstico deve ser feito de tempos a tempos, de forma a conseguir identificar com maior facilidade o que está a correr bem e o que precisa ser ajustado.

O segredo para ter as suas finanças pessoais de boa saúde passe acima de tudo pela organização das mesmas e a definição de boas estratégias a curto, médio e longo prazo. Não se esqueça disso.

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2 comentários em “Como saber se as suas finanças pessoais estão de boa saúde

  1. Bom artigo. É sempre bom recordar algumas coisas.
    Mas em “Pense nos benefícios que o mesmo trás” é “traz” do verbo “trazer”.