Investimentos

12 regras de ouro para investir em bolsa

Investir na bolsa exige conhecimento, cautela e disciplina. Conheça 12 regras que o podem ajudar a reduzir os riscos do investimento.

Investir no mercado de capitais é uma alternativa que deve considerar para aplicar parte das suas poupanças, sobretudo face à opção de deixar todo o dinheiro “parado” no banco, atualmente com retornos reais bem negativos. Contudo, o risco é elevado e pode perder parte do seu capital.

É, por isso, essencial que esteja bem preparado, adotando um conjunto de regras que deverá seguir com rigor e disciplina. Pode investir nos mercados através de várias formas, com perfis de risco bem distintos e aplicando o dinheiro em vários tipos de produtos.

Seja novato ou experiente, tenha um conhecimento escasso ou elevado sobre mercados, se pretende investir em bolsa há várias regras que deve seguir. Investir na bolsa não é para todos, mas também não é um exclusivo dos profissionais.

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1 - Conheça o seu perfil de investidor

Gosta de risco e está disponível para perder uma parcela do seu dinheiro para conseguir retornos mais elevados? Ou é conservador e não pode suportar uma perda de capital? Antes de investir tem de responder a várias perguntas deste género. Só depois de conhecer o seu perfil de investidor pode pensar em que produtos deve aplicar as suas poupanças.

Existem diversos testes que pode fazer para medir a sua propensão ao risco, mas é conveniente que o faço junto da sua instituição financeira, que tem a obrigação de fazer esta aferição. Obtidas e analisadas as respostas, ficará com uma noção mais clara em que tipo de produtos deve aplicar o seu dinheiro.

Se concluir que é um investidor conservador, deve ficar longe das ações, mas existem produtos nos mercados de capitais que respondem aos seus requisitos. Se for moderado ou agressivo, a parcela da sua carteira aplicada em ações deverá aumentar. Fica sujeito a perdas de capital, mas também a retornos mais elevados. E como verá mais à frente neste artigo, há várias formas de reduzir o risco dos seus investimentos.   

2 – Informe-se antes de investir

Informação vale dinheiro. Portugal é um dos países europeus com níveis de literacia mais baixos, o que tem um inevitável reflexo negativo na forma como são aplicadas as poupanças. Se quer investir na bolsa, invista primeiro no conhecimento.

É importante que esteja informado sobre o funcionamento dos mercados e da economia, lendo artigos e livros sobre estes temas, sobretudo os que são mais didáticos.

A informação sobre a atualidade é o outro pilar desta importante regra para investir na bolsa. Os preços dos ativos cotados são influenciados por uma série de fatores, pelo que é bom que entenda como os eventos e indicadores influenciam as cotações.

Não é necessário estar a par das notícias com uma base diária e em cima do que acontece nos mercados ao minuto, mas tenha por hábito ler jornais especializados e acompanhar como estão a evoluir as cotações dos principais ativos cotados e indicadores económicos (índices acionistas, matérias-primas, moedas, PIB, inflação, taxas de juro, etc.).

Por exemplo, se está a investir tem de saber que a economia mundial enfrenta atualmente uma ameaça de inflação elevada, os bancos centrais estão no início do ciclo de agravamento das taxas de juro e que as ações e obrigações globais sofreram perdas acentuadas nos primeiros meses de 2022.

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3 - Só invista o dinheiro que não necessita

blocos de madeira com o desenho de um saco com um símbolo de euro, que ilustra a poupança e o salário real

Aplicar na bolsa o dinheiro que precisa para o seu dia a dia, ou que sabe que vai necessitar daqui a algum tempo, é das piores decisões que pode tomar. Desta forma, a decisão de vender os ativos que comprou vai ser determinada pelo seu timing e não por uma decisão racional de investimento.

Mesmo o dinheiro que “sobra” não deve ser aplicado todo nos mercados. Deve ter um fundo de emergência aplicado sem risco e com disponibilidade imediata e dividir o restante capital por produtos com diferentes níveis de risco.

Pior do que arriscar parte do dinheiro que necessita para pagar as suas despesas é pedir emprestado para investir na bolsa. Pode parecer tentador, mas é um cenário que não deve sequer equacionar. Deixe a alavancagem para os especialistas e profissionais.

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4 - Não percebe, não invista

Warren Buffett é considerado por muitos o maior investidor de todos os tempos. Um dos seus conselhos mais valiosos passa por nunca investir no que não conhece, não percebe ou não sabe o que é. Sejam empresas, negócios, setores de atividade ou produtos.

Buffett nunca investiu nas empresas de Internet que surgiram no final do século passado. Passou ao lado dos ganhos estratosféricos que muitas companhias registaram na altura, mas ficou incólume quando rebentou a bolha das “dotcom” em 2000. O dono da Berkshire Hathaway ainda hoje lamenta não ter investido mais cedo em empresas como a Google e a Amazon, mas explica que há cerca de 20 anos não conseguia perceber como estas empresas conseguiriam ganhar dinheiro. Por isso não investiu. Faça o mesmo.

Há muitas empresas com negócios complexos,  e produtos financeiros com estruturas difíceis de entender, que deve deixar de lado nas suas alternativas de investimento.

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5 - Privilegie o longo prazo

Esta é daquelas regras fundamentais para minimizar o risco dos seus investimentos. A chave do sucesso de um investimento é o seu horizonte temporal, e não o timing em que é feito. Comprar ações (ou outros títulos) quando estão em mínimos e vender quando atingem máximos é o sonho de qualquer investidor. Mas não deve ser essa a sua preocupação.

O prazo mínimo do investimento em ações (ou títulos expostos a estes ativos, como os fundos de investimento) deve ser superior a cinco anos, o que possibilita uma redução do risco. Os dados históricos mostram que as ações são a classe de ativos com os retornos mais elevados no longo prazo, permitindo ao investidor passar ao lado dos normais períodos de forte volatilidade por que passam as ações. Pelo contrário, numa aplicação com um horizonte temporal de 12 meses, cresce a ansiedade do investidor e a probabilidade de perder dinheiro é bem mais elevada.

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6 – Diversificar é fundamental

“Não colocar os ovos todos no mesmo cesto” é dos conselhos mais básicos que se pode dar a um investidor. Mas não é por isso que deixa de ser um dos mais relevantes, uma vez que é uma das melhores formas de baixar o risco.

Uma carteira composta por ações de empresas de diferentes setores e geografias, ou características opostas (empresas de elevado crescimento vs companhias com negócios estáveis e previsíveis) minimiza o risco de perder dinheiro. A mesma estratégia também se aplica para uma carteira específica de matérias-primas, obrigações, ou outros ativos. Mas o melhor será mesmo equilibrar a sua carteira com ativos diferentes, ou seja, aplicando o dinheiro em ações, obrigações, matérias-primas, etc.

O peso de cada ativo dependerá da sua apetência ao risco, mas sabe à partida que o desempenho negativo de um deles será mitigado pelo retorno gerado por outros. Não está livre de todos os ativos gerarem uma rendibilidade negativa, mas a probabilidade de tal acontecer é muito menor. Mesmo que invista em produtos financeiros que já oferecem uma diversificação, como fundos de investimento, deve optar por várias soluções.

7 – Limite as perdas

Regressando a Warren Buffett, as duas primeiras regras do lendário investidor também são famosas. A primeira passa por nunca perder dinheiro e a segunda por nunca esquecer a primeira regra. Se é impossível garantir o cenário de não perder dinheiro em ativos de risco, é bem mais fácil limitar o prejuízo.

Quando investe num ativo ou produto, defina à partida a rendibilidade negativa que está disponível a assumir, agindo em conformidade se esse limite for atingido. Por exemplo, se comprou um título por 50 euros e não admite perder mais de 10%, venda se chegar aos 45 euros. Vai perder dinheiro, mas dentro da margem que definiu.

A estratégia inversa também deve ser considerada. Quando faz um investimento deve definir um retorno objetivo e vender assim que a valorização se concretizar. De preferência, assim que efetuar o investimento, implemente desde logo as ordens de vendas nos limites inferior e superior.

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8 - Rendibilidades passadas não garantem rendibilidades futuras

Ecrãs de computador que mostram vários gráficos com desempenho de investimentos de gestão passiva

Este é outro dos chavões dos mercados. Mas é importante que tenha muito claro que não é por um ativo ter registado um bom desempenho, que seja mais provável que o repita no futuro. Cada caso é um caso, mas pode até indicar que o potencial de valorização pode ser mais limitado.

Ainda assim, deve analisar a performance histórica de um ativo ou produto financeiro, que lhe poderá indicar padrões e ajudar a adotar as melhores decisões de investimento. A análise técnica é uma estratégia seguida por muitos investidores, mas só deve ser seguida por quem tem conhecimento para interpretar gráficos.

9 - Tenha expectativas realistas e deixe as emoções de parte

Quando define um investimento, é importante que defina um objetivo realista e alinhado com o comportamento histórico desse ativo ou produto. Ter como meta uma rendibilidade exagerada é o primeiro passo para depois tomar decisões menos acertadas.

Desconfie e mostre ceticismo se receber, ou tomar conhecimento de uma recomendação que aponte para retornos muito desfasados da média do mercado. Receitas milagrosas que prometem ganhar muito dinheiro em pouco tempo devem ser ignoradas.

O investimento não é um jogo e nunca deve ser visto como tal. Ganhar dinheiro é o único propósito. Sobretudo no mercado de ações, muitos investidores têm empresas cotadas preferidas, que podem depois toldar a melhor decisão na hora de vender o título.

Não invista numa fabricante de automóveis porque sempre teve veículos dessa marca, ou num banco porque é cliente há muitos anos. Não ligue aos conselhos de investimento dos seus amigos ou colegas de trabalho. A decisão de investimento deve ser individual, racional e bem fundamentada.

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10 – Não contrarie o mercado

Entre as muitas estratégias de investimento, há uma que passa por tomar decisões que vão contra as tendências dominantes no mercado. Vender ações se grande parte dos investidores está a comprar. Apostar nas empresas de valor se o grosso do investimento está a ser canalizado para cotadas de crescimento.

Como se viu na bolha das tecnológicas em 2000, Buffett é um dos contrarians mais bem sucedidos. Mas é uma estratégia só ao alcance dos profissionais, pelo que não tente derrotar o mercado.

O “efeito manada” é muito poderoso e mesmo que tenha argumentos para opções de investimento diferentes, não arrisque contrariar as tendências. Por mais irracionais que parecem alguns movimentos, assuma que “os mercados têm sempre razão”. Se não compreende as razões que justificam as variações de determinados ativos, o mais acertado é ficar de fora.

Não contrariar o mercado não significa que deve ser um dos “animais da manada”. Não deve comprar uma ação, ou investir num ativo, só porque vê todos à sua volta a avançar nesse sentido.

11 - Não entre em pânico

As melhores decisões de investimento passam muitas vezes por nada fazer. Comprar e vender títulos com frequência aumenta os custos de transação e potencia o aumento da exposição da sua carteira à volatilidade. Sobretudo em alturas de desvalorizações, é habitual os investidores adotarem decisões precipitadas vendendo os títulos.

Os mercados são feitos de ciclos, oscilando entre movimentos de alta e baixa, pelo que não deve entrar em pânico nas alturas em que as descidas das bolsas abrem os telejornais. Também não é boa altura para comprar se as subidas das bolsas forem notícia de destaque.

Se o seu investimento não atingiu os limites que tinha pré-definido e se a sua estratégia é de longo prazo, não se precipite. Analise os motivos que justificam o desempenho negativo, pode até mudar de estratégia, mas a melhor opção pode mesmo passar por “desligar os écrans” e manter tudo na mesma.

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12 – Confie nos profissionais

Se chegou até ao final deste artigo, pode acontecer que esteja a pensar que não tem tempo e conhecimento para investir na bolsa e, por isso, será melhor continuar a deixar todas as suas poupanças em produtos sem risco e retornos baixos, mas garantidos.

Há sempre alternativas e uma das melhores opções pode sempre passar por confiar nos profissionais para gerir as suas poupanças. Pode ser o seu banco, uma corretora ou uma firma de gestão de carteiras, que poderá encontrar a melhor forma de aplicar as suas poupanças, tendo em conta o seu perfil de risco e os seus objetivos.

Mesmo assim, é importante que monitorize a evolução do investimento e compare com os retornos do mercado.

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Nasceu em 1977, sendo jornalista desde 1999. Iniciou a carreira no Jornal de Negócios, onde esteve mais de 20 anos, ocupando várias funções, sempre com foco no online. Atualmente é jornalista independente, assina a newsletter diária de mercados Morning Call e colabora de forma regular com o ECO. Formado em Gestão no ISEG, tem especial interesse por tudo o que está relacionado com os mercados financeiros.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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