Poupança

Guia para ajudar o seu filho a construir uma poupança

Quer ajudar o seu filho a construir uma poupança, mas não sabe por onde começar? Conheça algumas dicas que pode colocar em prática já amanhã.

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Guia para ajudar o seu filho a construir uma poupança

Quer ajudar o seu filho a construir uma poupança, mas não sabe por onde começar? Conheça algumas dicas que pode colocar em prática já amanhã.

Quer ajudar o seu filho a construir uma poupança, mas não sabe por onde começar? O seu filho gasta demais e gostava de dar-lhe algumas dicas para criar uma estratégia sólida de poupança? Saiba que esta tarefa pode ser mais simples do que imagina. E as dicas deste guia podem ser uma ótima ajuda para começar.

No entanto, precisa de adaptar alguns conceitos à idade do seu filho, explicar-lhe com calma o porquê de ser tão importante poupar e os perigos de não ter uma poupança. Não se esqueça que cada passo deve ser implementado e explicado com calma, para que o seu filho consiga absorver toda a informação e colocá-la em prática.

Leia ainda: Como ensinar as crianças a poupar

Comece por explicar o valor do dinheiro e o que é uma poupança

Antes de colocar em prática algumas dicas deste guia de poupança, é fundamental que o seu filho esteja familiarizado com alguns conceitos básicos de literacia financeira. Caso contrário, pode ser complicado ele perceber a importância de poupar e gerir bem o dinheiro que recebe.

Por exemplo, se o seu filho é pequeno, o mais provável é que peça coisas e não entenda qual é a razão para não ter o que deseja. Mas saiba que há um motivo simples para isto acontecer. Atualmente, ele não tem noção do valor do dinheiro. Ou seja, ele não sabe que o dinheiro é limitado, se algo é caro ou barato e que existem diferenças entre compras por necessidade e por desejo.

Assim, não deve começar a ajudar o seu filho a construir uma poupança sem explicar estes conceitos básicos. Caso precise de ajuda para introduzir estes temas, pode começar por dizer que o dinheiro não cresce nas árvores. Explique que o dinheiro que têm para compras é fruto do trabalho dos pais. E este não só é limitado, como é gerido segundo um orçamento que define as várias despesas onde podem gastar este dinheiro.

No entanto, não se esqueça de dar exemplos que ele consiga perceber. Fale das despesas prioritárias que existem, como pagar a casa para ele ter onde morar, a água, eletricidade, o gás, as telecomunicações e a alimentação.

Por fim, explique que há compras que não podem ser feitas de forma imediata e que no dia a dia acontecem imprevistos que requerem dinheiro, como por exemplo uma avaria no carro. E por isso, ter uma poupança é muito importante para fazer face a estas despesas, mas também para viver descansado. Explique ainda que uma poupança permite alcançar vários objetivos, como viajar, comprar um carro, dar entrada para uma casa, etc.

Leia ainda: Literacia financeira infantil: Como falar de dinheiro com crianças?

Toda a poupança requer definir objetivos

Poupar porque sim, sem ter um objetivo definido, pode ser uma meta. Afinal, tendo em conta as probabilidades, mais cedo ou mais tarde esse dinheiro terá um destino. No entanto, ao incentivar o seu filho a definir objetivos de poupança está a ajudá-lo a dar o primeiro passo para implementar uma estratégia de poupança. E isto significa que ele poderá poupar mais e não se irá dispersar na hora de economizar.

Contudo, mostre-lhe primeiro alguns exemplos de objetivos apropriados para a sua idade. E isto porquê? Porque numa fase de aprendizagem é importante que a criança ou o jovem se envolva na experiência e passe por todas as fases com entusiasmo.

Mas se traçar objetivos de poupança que neste momento dizem pouco à criança, como juntar dinheiro para pagar as propinas da faculdade quando o seu filho ainda só tem 10 anos, é normal que não tenha vontade de poupar para esse objetivo. Pelo menos, por agora. Mostre que se ele definir dois objetivos de poupança, poderá poupar para o futuro, mas também poderá poupar para comprar um telemóvel, uma consola, um jogo ou um brinquedo.

Contudo, não é aconselhável que incentive o seu filho a ter mais que dois ou três objetivos. Não se esqueça que quantos mais objetivos existirem, maior a probabilidade de dispersar ou deixar de poupar.

Construir uma poupança implica aprender algumas estratégias

Gerir o dinheiro nem sempre é uma tarefa fácil. Enquanto adultos, o orçamento familiar é um pilar da gestão das finanças pessoais. Mas mesmo com um valor definido para poupar, se não retirarmos esse dinheiro assim que recebemos, o mais provável é chegar ao fim do mês e falharmos nos objetivos de poupança. Para resolver este problema, há quem decida recorrer a uma poupança automática, em que o dinheiro é debitado da conta bancária no dia que definiu.

Com as crianças e os jovens, também é importante criar estratégias de poupança. Embora existam inúmeras estratégias para gerir o mealheiro dos mais novos, há conceitos atrativos que podem passar alguns valores essenciais ao seu filho.

Por exemplo, o método "Spend, Save, Share", que em português significa, "Gastar, Poupar, Ajudar", facilita a gestão diária, cria uma necessidade de poupança, mas também desperte o lado solidário dos mais novos.

Na prática, esta estratégia é facilmente implementada com a técnica dos 3 mealheiros. Ou seja, poderá dar ao seu filho três mealheiros com objetivos distintos, que são:

  • Gastar: Serve para colocar dinheiro que cobra as despesas que existem no dia a dia e para compras imediatas.
  • Poupar: Neste mealheiro o seu filho deve colocar o dinheiro para os seus objetivos de poupança.
  • Ajudar: Onde ele irá colocar dinheiro para ajudar outras crianças ou causas solidárias.

Mas como é que é feita a divisão do dinheiro por estes três mealheiros? Através da regra dos 50-40-10. Ou seja, 50% do dinheiro do seu filho deve ser usado no mealheiro do gastar, 40% no mealheiro do poupar e 10% no do ajudar.

Para ter uma noção mais clara, se der 10 euros ao seu filho, 5 euros são para o mealheiro do gastar, 4 euros para o do poupar e 1 euro para o do ajudar.

Uma estratégia não resulta com o seu filho? Experimente outra

Quando o assunto é poupanças, saiba que existem várias estratégias para chegar ao mesmo objetivo. Caso observe que uma estratégia não está a ter efeito com o seu filho, deve incentivá-lo a experimentar novas técnicas de poupança. Por exemplo, é possível utilizar a técnica dos três mealheiros, mas de uma forma diferente.

Nesta estratégia de poupança, as crianças e jovens devem usar os mealheiros da seguinte forma:

  • 1.º mealheiro: Serve para depositar o dinheiro que precisa para pagar as despesas do dia a dia (dinheiro da semanada ou mesada)
  • 2.º mealheiro: Neste mealheiro a criança ou jovem deve juntar dinheiro para uma compra de valor mais elevado que pretende fazer.
  • 3.º mealheiro: Serve para criar uma poupança para o futuro.

Ou seja, esta é uma estratégia onde há um mealheiro para gerir o dinheiro para o dia a dia e outros dois que servem exclusivamente para poupanças. No entanto, um mealheiro tem o objetivo de satisfazer uma compra por desejo e outro mealheiro a necessidade de poupar a longo prazo.

Lembre-se que todas as estratégias de poupança podem demorar algum tempo a assimilar. Por isso, não incentive a mudar de estratégia assim que o seu filho falha. Os erros são essenciais para as crianças e os jovens compreenderam o que fizeram mal e como podem evitar essa situação no futuro.

Para o seu filho construir uma poupança atribua-lhe uma semanada/mesada

Ter conhecimentos de conceitos, estratégias e até definir objetivos é fundamental para construir uma poupança. Mas se o seu filho não souber gerir dinheiro, dificilmente conseguirá poupar. E se quiser ajudá-lo a construir uma poupança que é feita através da sua própria gestão financeira, a melhor solução é atribuir-lhe uma semanada ou mesada.

E caso pense que ao dar dinheiro ao seu filho não o está a ajudá-lo a lidar corretamente com o dinheiro, saiba que os especialistas defendem o contrário. Quando dá dinheiro regularmente ao seu filho pode responsabilizá-lo pela gestão que este faz do dinheiro da mesada/semanada.

No entanto, lembre-se que nenhuma criança nasce a saber gerir o seu dinheiro. Por isso, para que esta gestão seja entendida da melhor forma é aconselhável começar por uma semanada e com pequenos valores. Explique para que serve esse valor e definam em conjunto onde ele será gasto. Mas não se esqueça que mesmo com a atribuição de pequenos valores, o seu filho deve ser incentivado a poupar para os objetivos que definiu.

Independentemente da estratégia de gestão e de poupança que ensinar ao seu filho, lembre-se que caso atribua uma semanada ou mesada, deve estabelecer um dia fixo para entregar esse valor. Imagine pode ser todas as segundas feiras, como no dia 3 de cada mês.

Ao estabelecer um dia fixo é mais fácil os jovens e as crianças conseguirem retirar um valor para poupar assim que recebem o dinheiro. Além disso, esta regularidade permite antecipar necessidades futuras e otimizar a gestão do dinheiro.

Caso tenha dúvidas sobre o valor que deve atribuir, saiba que não existe um montante ideal pré-definido. Tudo depende da sua realidade financeira e a do seu filho. Por isso, deve olhar para o seu orçamento familiar e perceber qual é o valor que poderá atribuir.

Construir uma poupança requer mudanças de hábitos de consumo

Enquanto adultos, sabemos que o dinheiro não estica. Logo, sempre que é necessário fazemos ajustes ao nosso orçamento. Mas o mais provável é que o seu filho não tenha essa noção. E se ele estiver há vários meses a tentar alcançar um objetivo de poupança e ainda está longe de consegui-lo, é normal que esteja frustrado ou queira desistir.

Nestas alturas é importante que intervenha. Explique que poupar a quantia que queremos nem sempre é um processo rápido. Mas existem soluções para acelerar este processo. No entanto, envolvem sacrifícios e mudanças de hábitos de consumo.

Por exemplo, mostre ao seu filho que para alcançar o valor que pretende mais rápido, deverá aumentar o montante que poupa mensalmente. Este aumento pode ser feito através de cortes de gastos não essenciais, como almoços ou jantares fora, mas também através do cancelamento de serviços, aplicações ou subscrições que não têm utilidade.

Além disso, fale que os hábitos de consumo também têm um papel preponderante na poupança. Logo, é essencial revê-los. Quando o seu filho vai às compras, costuma saber exatamente o que vai comprar? Há uma reflexão sobre a necessidade de cada compra? Costuma procurar por opções em segunda mão ou vender aquilo que já não pretende utilizar? 

Todos estas pequenas alterações podem aumentar significativamente o valor que o seu filho poupa mensalmente. Claro que terá que fazer alguns sacrifícios. Mas quanto mais cedo ele tiver essa noção, melhor.  

Leia ainda: 5 dicas para ensinar os jovens a evitar o consumismo 

Ensine-o a comparar preços

Outra forma de ajudar o seu filho a construir uma poupança é ensiná-lo a comparar preços. Não se esqueça que quanto mais poder de decisão e gestão o seu filho tiver, maior será o risco de ele precipitar-se a fazer as suas compras.

E para que ele consiga poupar e desenvolver bons hábitos de consumo, explique-lhe que o mesmo produto está à venda em vários locais por valores diferentes. E se ele se precipitar a comprar numa loja, pode estar a desperdiçar dinheiro que podia ser aplicado na sua poupança. Esta pesquisa pode ser feita online por cada produto, mas também pode usar sites que comparam o preço dos produtos.

Não recrimine o seu filho por errar a construir uma poupança

Nem sempre é fácil assistir aos erros dos filhos, principalmente quando estes se repetem. No entanto, em vez de recriminar a gestão que ele faz do dinheiro, invista o seu tempo a explicar-lhe onde ele está a errar e os perigos deste tipo de gestão.

Por exemplo, se o seu filho continua a gastar a mesada sem poupar, explique-lhe que será muito complicado alcançar certos objetivos na vida que requerem um valor mais elevado. Fale também do perigo de uma má gestão associada a maus hábitos de consumo.

Afinal, se ele não poupar no futuro e fizer compras por impulso, é bem provável que recorra a cartões de crédito ou a um crédito ao consumo para adquirir certos luxos. E se este comportamento se mantiver, em alguns meses poderá não ter dinheiro para pagar as despesas essenciais, e ainda correr o risco de ficar sobreendividado e com o nome na lista negra do Banco de Portugal.

Seja coerente com a sua educação financeira

Por vezes, as aprendizagens dos mais novos falham devido à falta de coerência entre o que é ensinado e praticado. Afinal, a maioria das crianças e jovens seguem os comportamentos dos pais e os exemplos que eles praticam. Logo, se não praticar bons hábitos de consumo e não retirar mensalmente um valor para poupar, é natural que o seu filho também não o faça. Aliás, corre o risco que ele veja o seu comportamento como normal e nem preste atenção aos seus ensinamentos.

Dito isto, tenha atenção que ajudar um filho a construir uma poupança requer paciência e é um percurso que deve ser feito passo a passo. Tente não saltar etapas, use exemplos práticos que ele perceba, e oiça com atenção as suas dúvidas e problemas. Assim, poderá adaptar a educação financeira às necessidades individuais do seu filho.

Leia ainda: 10 estratégias para poupar mais

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