Falar de dinheiro com crianças continua a ser um desafio para muitas famílias portuguesas. Apesar de a literacia financeira ganhar cada vez mais espaço nas escolas e no debate público, o tema ainda é frequentemente evitado dentro de casa.
Segundo o Barómetro de Hábitos Financeiros do Doutor Finanças em parceria com a Universidade Católica, cerca de um terço dos pais com filhos até aos seis anos considera que dinheiro não é um assunto para crianças.
Contudo, os hábitos financeiros começam a formar-se muito cedo. Os pedidos no supermercado, as compras online, os jogos digitais ou a forma como os adultos lidam com despesas e consumo influenciam a relação das crianças com o dinheiro. Por isso, falar de dinheiro com crianças de forma simples e natural pode ajudar os mais novos a desenvolver hábitos mais conscientes de poupança, consumo e gestão financeira.
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A partir de que idade se deve falar de dinheiro com crianças?
Falar de dinheiro com crianças pode começar muito mais cedo do que muitos pais imaginam. Entre os dois e os três anos, as crianças começam a desenvolver os primeiros impulsos de consumo, sobretudo através de pedidos no supermercado, brinquedos ou pequenas recompensas. Nesta fase, o mais importante não é ensinar conceitos complexos, mas sim criar uma relação saudável com o dinheiro, explicando de forma simples que existem escolhas, limites e prioridades.
À medida que crescem, os ensinamentos devem evoluir de acordo com a idade, maturidade e contacto com o consumo, incluindo hoje a realidade dos pagamentos digitais e das compras online.
O que as crianças conseguem compreender em cada fase?
As crianças não desenvolvem a mesma perceção sobre dinheiro ao mesmo ritmo. Enquanto nos primeiros anos o foco deve estar em escolhas simples e espera, mais tarde já é possível introduzir conceitos como poupança, planeamento, consumo digital ou gestão de uma semanada. O mais importante é adaptar a linguagem e os exemplos à realidade da criança, para que os conceitos sejam facilmente compreendidos no dia a dia.
Idade | Conceitos que podem ser trabalhados |
3 aos 5 anos | Escolhas simples, esperar pela vez, perceber que o dinheiro serve para comprar |
6 aos 9 anos | Diferença entre necessidades e desejos, primeiros objetivos de poupança, introdução de semanada |
10 aos 12 anos | Gestão de quantias mais elevadas, comparação de preços, poupança para objetivos concretos. |
13 aos 15 anos | Alteração da semanada para a mesada, maior autonomia financeira, gestão regular de dinheiro, compras online e consumo digital |
16 aos 18 anos | Orçamento mensal, contas digitais, planeamento de despesas e riscos do crédito |
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