Vista aérea de cidade perto do mar

O preço das casas em Portugal revela um mercado cada vez mais fragmentado. Em março de 2026, comprar casa pode custar 10.023 euros/m² em Grândola ou apenas 438 euros/m² em Murça, uma diferença superior a 9.500 euros por metro quadrado. No arrendamento, o contraste também é expressivo: entre 34,39 euros/m² em Mora e 1,97 euros/m² em Oliveira de Frades, a diferença ultrapassa os 30 euros/m².

Os dados mais recentes do Observatório Imobiliário mostram que já há 7 municípios onde os preços das casas superam os 5.000 euros/m² e 5 que ultrapassam os 20 euros/m² no valor das rendas, mas também evidenciam um padrão menos óbvio: não é apenas o litoral contra o interior. Existem diferenças profundas dentro das mesmas regiões e até dentro do mesmo distrito.

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Comprar casa pode custar 23 vezes mais dependendo do município

A diferença entre os extremos do mercado é um dos dados mais marcantes. Grândola lidera nos preços de venda com 10.023 euros/m², seguido de Cascais (7.623 euros/m²) e de Lisboa (7.341 euros/m²). Logo depois surgem Loulé (6.185 euros/m²), Lagos (5.870 euros/m²), Oeiras (5.291 euros/m²) e Albufeira (5.284 euros/m²).

No outro extremo, os preços descem drasticamente. Murça apresenta uma média de 438 euros/m², seguido de Oleiros (497 euros/m²) e Carrazeda de Ansiães (498 euros/m²).

A distância entre Grândola e Murça ultrapassa os 9.500 euros/m², o que significa que comprar casa no município mais caro pode custar cerca de 23 vezes mais do que no mais barato.

Mora e Calheta lideram rendas acima de 30 euros/m²

O arrendamento revela uma realidade distinta. Mora (34,39 euros/m²) e Calheta (33,43 euros/m²) lideram claramente o ranking nacional, acima de municípios mais previsíveis como Cascais (25,43 euros/m²), Loulé (21,71 euros/m²) e Lisboa (21,06 euros/m²).

Esta diferença mostra que o mercado de arrendamento não segue exatamente o da compra. Municípios fora dos grandes centros conseguem liderar os preços, o que aponta para dinâmicas muito específicas de oferta e procura.

Loulé, Lagos e Albufeira destacam-se na venda e no arrendamento

Há municípios que se destacam por surgirem simultaneamente nos rankings mais caros da venda e do arrendamento.

É o caso de Loulé (6.185 euros/m² na venda e 21,71 euros/m² no arrendamento), Lagos (5.870 euros/m² e 17,94 euros/m²) e Albufeira (5.284 euros/m² e 17,62 euros/m²). Estes valores mostram uma pressão consistente nos dois mercados.

Mais do que picos isolados, estes municípios apresentam preços elevados de forma transversal, o que reforça o papel do Algarve como uma das regiões mais caras do país para viver.

Há municípios onde comprar casa custa menos de 500 euros/m²

Apesar da subida generalizada dos preços, continuam a existir zonas com valores ainda baixos.

Na venda, Murça (438 euros/m²), Oleiros (497 euros/m²) e Carrazeda de Ansiães (498 euros/m²) lideram os preços mais baixos. Também Penamacor (513 euros/m²), Sabugal (532 euros/m²) e Pinhel (538 euros/m²) ficam muito abaixo da média nacional.

Estes valores mostram que ainda existem oportunidades de compra a preços reduzidos, embora localizadas sobretudo em territórios com menor procura e menor densidade populacional.

Municípios mais baratos para arrendar ficam abaixo de 3 euros/m²

No arrendamento, há um grupo de municípios onde os preços permanecem muito abaixo da média, mesmo num contexto de subida generalizada.

Oliveira de Frades lidera com 1,97 euros/m², seguido de Paredes de Coura (2,45 euros/m²) e Vale de Cambra (2,50 euros/m²). Também Estarreja (3,11 euros/m²), Alvaiázere (3,32 euros/m²) e Chaves (3,39 euros/m²) surgem entre os valores mais reduzidos do país.

Estes números mostram que existe um conjunto de municípios onde arrendar casa continua a ter um custo residual face à média nacional de 16,45 euros/m². Mais do que a diferença para os municípios mais caros, o dado relevante é este: há territórios onde o mercado de arrendamento ainda não acompanha a tendência de subida registada nas principais zonas urbanas.

Grândola e Alcácer do Sal mostram um fosso de 7.000 euros/m² no mesmo distrito

As diferenças não existem apenas entre regiões. Também dentro do mesmo distrito os contrastes são muito vincados.

No distrito de Setúbal, Grândola regista 10.023 euros/m² na venda, destacando-se claramente dos restantes municípios, enquanto Alcácer do Sal apresenta cerca de 2.730 euros/m². A diferença ultrapassa os 7.000 euros/m² dentro do mesmo território.

No arrendamento, o cenário altera-se. Alcácer do Sal atinge cerca de 8,55 euros/m², enquanto Grândola fica nos 7,40 euros/m², o valor mais baixo do distrito. Estes dados mostram que os preços podem seguir trajetórias distintas entre compra e arrendamento, mesmo dentro da mesma região.

Os números que resumem o mercado por município

Indicador

Venda (euros/m²)

Arrendamento (euros/m²)

Média nacional

3.693

16,45

Município mais caro

Grândola – 10.023

Mora – 34,39

2.º mais caro

Cascais – 7.623

Calheta – 33,43

3.º mais caro

Lisboa – 7.341

Cascais – 25,43

Município mais barato

Murça – 438

Oliveira de Frades – 1,97

Diferença entre extremos

9.585

32,42

Perguntas frequentes

O Observatório Imobiliário em Portugal é uma ferramenta criada e operacionalizada pelo Doutor Finanças com o objetivo de sistematizar e divulgar dados fiáveis sobre o mercado residencial em Portugal, permitindo uma leitura clara das dinâmicas de preços, oferta e acessibilidade à habitação.
Baseia-se na análise contínua de anúncios imobiliários de venda e arrendamento, cruzados com estatísticas oficiais do INE, cobrindo todo o território nacional, com detalhe por distrito e município.

O Observatório recolhe e trabalha dados sobre:

  • Preços de venda por m² (apartamentos e moradias);
  • Valores de arrendamento por m²;
  • Acessibilidade à habitação, através do Índice de Acessibilidade Habitacional, que relaciona rendimento médio das famílias com prestações de crédito;
  • Oferta disponível (número de imóveis em venda/arrendamento);
  • Dinâmica do mercado.

Estes indicadores são atualizados regularmente e permitem acompanhar tendências nacionais, distritais e municipais.

A informação resulta da recolha automática e contínua de anúncios imobiliários online, posteriormente tratada para garantir consistência estatística.
É complementada com dados oficiais, sobretudo do INE, para criar uma base de dados “viva”, fiável e representativa do mercado.

O Observatório destaca-se porque:

  • Atualiza dados de forma contínua;
  • Cobre simultaneamente venda, arrendamento e acessibilidade, oferecendo uma visão integrada;
  • Desagrega informação por distrito, município e freguesia, permitindo comparações locais mais rigorosas;
  • Foi criado para resolver a fragmentação e dispersão de informação imobiliária existente no mercado, contribuindo para maior transparência.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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