Quer investir junto do banco, mas ir além dos tradicionais depósitos a prazo? Os depósitos estruturados são uma alternativa com garantia de capital e, geralmente, com uma remuneração mínima garantida. No entanto, podem render mais do que os depósitios a prazo.
É isso mesmo: podem render mais, mas não é certo que isso aconteça. Isto porque a remuneração dos depósitos estruturados só é conhecida no fim do prazo e está dependente da evolução de instrumentos financeiros, como ações ou valores de índices acionistas, por exemplo.
Saiba o que são depósitos estruturados e perceba se são uma boa opção para si.
O que são depósitos estruturados?
De forma simples, pode dizer-se que os depósitos estruturados permitem combinar a segurança e garantia de capital dos depósitos a prazo com a volatilidade dos mercados financeiros.
Por isso, a remuneração só é conhecida no final do prazo, uma vez que a taxa de juro que o banco vai pagar está dependente do comportamento dos ativos associados.
Ou seja, é um produto que tem uma componente de segurança (típica dos depósitos a prazo) e outra de imprevisibilidade (característica dos investimentos em ações e outros ativos voláteis).
Esta conjugação é um dos principais riscos destes produtos: é que apesar de o capital ser garantido, ou seja, não se perder dinheiro, a remuneração pode ser inferior à dos depósitos a prazo se o cenário for desfavorável.
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Como funcionam na prática?
Geralmente, os depósitos estruturados têm um rendimento mínimo garantido, que pode mesmo ser inferior ao dos depósitios a prazo. Por exemplo, há depósitios estruturados com prazo de dois anos cujo rendimento mínimo é 1%.
Mas como dissemos acima, estes produtos têm uma componente variável, dependente do comportamente de outros instrumentos financeiros. O banco pode decidir, por exemplo, que a remuneração está dependente da evolução das ações de três empresas, e que o juro só é pago se todas elas valorizarem no final do prazo definido.
Imagine que investe 10 mil euros num depósito estruturado a dois anos. O banco garante que, no final desse período, vai receber pelo menos 1%. Mas há uma condição: se as ações de três empresas valorizarem nesses dois anos, a remuneração é de 9% (independentemente da grandeza de valorização daquelas ações).
Vamos ver dois cenários possíveis. No primeiro, todas as ações valorizam, pelo que recebe 10.900 euros (10 mil do investimento + 900 de juros).
No segundo cenário, nenhuma ou nem todas as ações valorizam no prazo de dois anos. Aqui, recebe apenas os juros mínimos, ou seja 1%. Neste caso, o banco vai pagar-lhe 10.100 euros (10 mil do investimento + 100 de juros).
Ou seja, ao investir num depósito estruturado pode ganhar mais do que num depósito a prazo tradicional, mas também pode acabar com uma rentabilidade quase nula.
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Vale a pena?
Os depósitos estruturados podem ser interessantes para quem procura uma alternativa aos depósitos tradicionais, mas não quer arriscar demasiado. No entanto, é importante perceber que a rentabilidade não é garantida e que o ganho extra depende de condições muito específicas. Se não se concretizarem, o retorno será mínimo.
Outro ponto a considerar é a liquidez, ou seja, a facilidade de ter acesso ao dinheiro quando quiser. Estes produtos têm prazos fixos e, regra geral, não permitem fazer mobilizações antecipadas. Por outras palavras, se investir num depósito estruturado a dois anos, tem mesmo de esperar até ao final do prazo para voltar a ter o dinheiro.
Assim, estes produtos não são pensados para quem possa precisar do dinheiro antes do vencimento.
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Depósito tradicional ou estruturado?
A principal diferença entre os dois é a previsibilidade. No depósito tradicional, sabe exatamente quanto vai receber no final. No estruturado, existe uma possibilidade de ganhar mais, mas também a de ficar quase na mesma. É uma questão de avaliar se quer assumir essa incerteza em troca de um potencial prémio.
Se valoriza segurança absoluta e liquidez, o depósito tradicional é a escolha certa. Se aceita alguma incerteza e quer tentar melhorar a rentabilidade sem arriscar demasiado, o estruturado pode ser uma opção.
O que deve ter em atenção antes de investir?
Antes de avançar, leia sempre o Documento de Informação Fundamental disponiblizado pelo banco. É aqui que vai saber qual é o ativo ou ativos de referência, como é calculada a valorização, quais os custos adicionais e quais as condições de mobilização, ou seja se pode pedir o reembolso antecipado e quais as eventuais penalizações se isso acontecer.
Nota: Os depósitos estruturados estão abrangidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD). Se, por razões diretamente relacionadas com a situação financeira do banco, este não reembolsar o cliente, o FGD assegura esse pagamento, até ao limite de 100 mil euros por depositante.
Perguntas frequentes
Normalmente, garantem o capital investido, mas a rentabilidade não é assegurada. É importante confirmar sempre as condições do produto.
O depósito a prazo tem rentabilidade fixa e previsível. O estruturado depende do mercado, podendo oferecer ganhos superiores ou, pelo contrário, inferiores aos dos depósitos a prazo.
Geralmente, não é possível resgatar o dinheiro antes do prazo, pelo que deve investir com a consicência de que não vai ter acesso ao capital antes do final do prazo.
No entanto, dependendo das condições do produto e do banco, pode haver a possibilidade de resgatar antecipadamente. Nestes casos, tem de considerar eventuais penalizações.
Se o banco não puder pagar por razões diretamente relacionadas com a sua situação financeira, o Fundo de Garantia de Depósitos assegura o reembolso, até ao limite de 100 mil euros por depositante.
