Portugal tem uma oportunidade única para se afirmar como um país inovador e competitivo. Mas não nos iludamos: isso não acontece por decreto, nem apenas porque temos talento. É preciso mudar práticas, dinâmicas e mentalidades. É preciso lideranças preparadas para um novo paradigma, onde tecnologia e organização caminham lado a lado.

Durante anos, ouvimos dizer que os portugueses são pouco produtivos. Errado. Os dados mostram que o problema não está nas pessoas, mas na forma como organizamos o trabalho. Em 2025, a produtividade por hora trabalhada em Portugal continua cerca de 25% abaixo da média europeia, mantendo-nos nos últimos lugares do ranking da União Europeia. Trabalhamos mais horas do que muitos países, mas produzimos menos porque insistimos em processos burocráticos, estruturas rígidas e lideranças que ainda confundem controlo com eficácia. Está mais do que provado: produtividade é organização, não genética.

No mundo atual, os dados são a nova moeda. Quem controla dados, controla valor. Portugal pode – e deve – afirmar-se como um hub de dados e computação, AI ready, alavancado pela sua posição estratégica e pelos cabos submarinos que ligam a Europa aos EUA, África e América do Sul. Mas para isso, não basta infraestrutura: precisamos de empresas que saibam usar tecnologia para criar valor, e não apenas para automatizar tarefas. Precisamos de líderes que entendam que inteligência artificial não é um luxo, é uma ferramenta para fechar o nosso crónico gap de produtividade.

E aqui está o ponto crítico: não há transformação tecnológica sem transformação de liderança. É urgente apostar em formação adequada, que prepare gestores para um contexto onde o pensamento crítico e a capacidade de fazer boas perguntas valem mais do que executar tarefas. Liderar hoje é criar ambientes onde a tecnologia liberta tempo para inovação, onde processos são simplificados e onde a cultura organizacional é o verdadeiro motor da mudança.

Se libertarmos e amplificarmos o nosso talento, simplificarmos processos e acelerarmos a adopção de tecnologia, Portugal pode ganhar escala. Mas isso exige ação. Exige que cada empresário, cada líder, cada equipa se pergunte todos os dias: como posso fazer melhor, mais rápido e com mais impacto? Não é sobre esperar que alguém resolva. É sobre assumir que a mudança começa em nós.

O desafio é simples e provocador: queremos ser um país que consome tecnologia ou um país que cria tecnologia e a integra nos modelos de negócio? A resposta define o nosso lugar no mundo. E não temos tempo a perder.

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