Imagem de um jogo de tabuleiro com notas e peças de peões

A saber: em 2030, o mundo estará partilhado por seis nações – Estados Unidos da América, Rússia, China, Índia e Brasil. Dissemos seis, certo? O bloco que falta é a Europa, isto se conseguir manter-se unida, claro… Bom, aceitemos o cenário de que a União Europeia se mantém como um dos protagonistas na corrida mundial do estado mais influente e poderoso. Mas, na verdade, não serão estas entidades apenas umas marionetas, manietadas por quem realmente manda? Não estará o controle dos destinos mundiais, afinal, nas mãos de poderosos investidores internacionais que operam nos bastidores?

Imperialismos de tabuleiro

O que poderia ser o início de uma tese sobre poder e economia mundial é somente a descrição de um jogo de tabuleiro. Em “Imperial 2030”, os jogadores assumem a pele de investidores. O seu papel? Nunca perder de vista a maximização do retorno do seu investimento. Nem que, para isso, tenham de exercer um controlo implacável sobre as grandes potências mundiais. O objetivo é simples, na teoria, mas de concretização complexa. Mesmo num tabuleiro, o mundo é palco de constantes mudanças. Num lance, geram-se novos conflitos que requerem novas estratégias. Por isso, “Imperial 2030” é, segundo os seus criadores, um jogo de estratégia que combina cálculo económico e perícia militar. E onde nada fica dependente da sorte dos dados ou das cartas.

Imperial 2030

Agora, será que conseguem adivinhar onde é que os tais investidores estão sedeados? Muito bem, na Suíça, essa região neutral onde não podem entrar os exércitos das seis potências, as quais surgem no tabuleiro divididas grosseiramente por blocos. A Europa, por exemplo, é representada pelas províncias de Paris, Roma, Berlim e Londres. Os Estados Unidos são os espaços de Nova Iorque, Chicago, Nova Orleães e São Francisco. O Brasil vê-se parcelado nas zonas de Manaus, Fortaleza, Brasília e Rio de Janeiro. Quanto ao resto do globo, pois surge segmentado em 27 regiões terrestres. O México e o Canadá, a Argentina e o Peru, o Irão e a Turquia, a Guiné e o Congo, a Mongólia e a Austrália… Já os mares, estão divididos em 11 regiões diferentes. Tudo à espera de ser conquistado por tropas e frotas. Talvez seja por isso inevitável que parte do jogo esteja intrinsecamente ligada à construção de fábricas de… armamento. E de estaleiros de… navios de guerra.

Leia ainda: A incrível revolução industrial japonesa

Quanto mais se empresta, mais se comanda

Dissemos no início que isto era um jogo, não dissemos? Deve ser mesmo, pois cada jogador começa com um capital inicial que, dependendo do número de pessoas sentadas à mesa, oscila entre os 13 e os 35 milhões. É muita massa, convenhamos. Mas, tal como nos chega rapidamente às mãos, assim desaparece, sob a forma de títulos de dívida às nações que nos calharam inicialmente. E até aqui se podem formar estranhas alianças. Os Estados Unidos e a Índia; o Brasil com a Rússia; a Europa ao lado da China.

Imperial 2030

Após termos enchido os tesouros destas potências, cada investidor fica só com dois milhões no banco. É tempo, então, de os utilizar com muita cabeça, pois, em Imperial 2030, o controle de cada nação será adjudicado ao investidor que lhe tiver emprestado mais dinheiro. No fundo, esse financiador-mor será o verdadeiro governo da nação, decidindo em cada ronda se ela produz (exércitos ou frotas), constrói (fábricas), importa (unidades militares), manobra (as tropas e os navios de forma a ocupar regiões do globo) taxa ou investe. Neste mundo ficcionado também existe a hipótese de ocorrerem batalhas navais e invasões terrestres. Mas centremos as atenções na parte do investidor que, quando acionada, permite cobrar aos tesouros nacionais os juros dos empréstimos concedidos. É o dinheiro a entrar novamente nos cofres suíços, mas não para ficar lá parado. Mal tenha uns milhões em caixa, o investidor terá de pensar na forma de os utilizar. Deverá diversificar, apostando noutra fação, ou ficar ao lado do aliado inicial? É que com um esforço financeiro, talvez se consiga o controle dos destinos da Rússia ou da Índia…

Leia ainda: De jovem ingénuo a adulto responsável

Jurar fidelidade aos aliados ou ao lucro?

E se tanto se tem falado de taxas, pois aqui elas também assumem papel crucial. No turno da taxação, as seis potências recebem rendimentos provenientes das suas fábricas e das regiões ocupadas. Depois, há que pagar salários aos soldados e marinheiros. Os bons desempenhos neste capítulo geram bónus: quanto mais dinheiro uma potência angaria em taxas, maior o bónus. E a entrada de dinheiro equivale também ao aumento de poder. Aliás, é assim que o jogo se ganha: quando uma potência chegar aos 25 pontos na escala do poder, tudo termina.

Neste periclitante equilíbrio de forças económicas e militares, os jogadores podem realizar pactos de não-agressão ou acordos de zonas de influência. Mas o mais curioso talvez seja a existência de bancos suíços. Em Imperial 2030, além de dominarmos potências através dos milhões investidos, até podemos ficar donos de uma entidade bancária. Eis-nos então à cata de títulos de dívida com taxas de juro altas, seguindo as dicas estratégicas incluídas no folheto das regras: «[o jogador] não deve esquecer-se do seu papel enquanto investidor que precisa desesperadamente de dinheiro, de maneira a vencer o jogo.» Por isso mesmo é que a fidelidade à nação que inicialmente se controla poderá ter os seus limites. No fundo, este tabuleiro mostra-nos que o dinheiro é capaz de mandar mais do que a ideologia de um governo.

Mas isto é só um jogo, sem nenhuma ligação à realidade. Certo?

Leia ainda: Assentar carris para desbravar o mundo

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

Cultura e LazerVida e família