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Qual o valor do meu salário em 2023?

A sua empresa informou-o sobre alterações salariais no próximo ano, mas não sabe quanto vai levar para casa em 2023? Descubra o valor.

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Qual o valor do meu salário em 2023?

A sua empresa informou-o sobre alterações salariais no próximo ano, mas não sabe quanto vai levar para casa em 2023? Descubra o valor.

Com a subida do salário mínimo e a implementação das novas tabelas de retenção na fonte, é normal que tenha dúvidas sobre quanto vai ganhar no próximo ano. Afinal, o valor do seu salário líquido deverá mudar em janeiro, e novamente em julho, já que, em 2023, teremos dois modelos distintos para a retenção na fonte.

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Embora à primeira vista pareça um pouco confuso, saiba que para alguns contribuintes, a partir de julho de 2023, o salário líquido pode subir ligeiramente.

Contudo, o valor do seu salário em 2023 depende de vários fatores. O valor que cai na sua conta depende sempre dos seus rendimentos e se estes estão ou não sujeitos a impostos, e da sua situação familiar, se é casado ou solteiro e se tem ou não dependentes a seu cargo.

Neste artigo, explicamos-lhe o que vai mudar no próximo ano e como pode calcular o valor do seu salário líquido.

Salário em 2023 sobe obrigatoriamente para quem recebe o valor mínimo

Se é um trabalhador que recebe o salário mínimo, em 2023 o seu ordenado bruto aumenta de 705 euros para 760 euros. No entanto, este não é o valor final que leva para casa, mesmo que não receba subsídio de refeição ou outro tipo de benefício ou complemento salarial.

O salário que cai na sua conta é o salário líquido. E este calcula-se através da seguinte fórmula:

Salário líquido = salário bruto - descontos para a Segurança Social e descontos de IRS

Isto significa que aos 760 euros (salário bruto) vai ter de deduzir os descontos para a Segurança Social, que correspondem a 11% do seu ordenado. Ou seja, recebe 676,40 euros, pois os descontos para a Segurança Social correspondem a 83,60 euros.

No entanto, como pertence ao primeiro escalão de retenção na fonte de IRS, se for um trabalhador dependente, fica dispensado de descontos. Afinal, o primeiro escalão fica isento quando o rendimento bruto é inferior a 762 euros. O mesmo se aplica aos pensionistas.

Já se receber subsídio de alimentação, no setor público, este também aumentou, de 4,77 euros para 5,20 euros por dia. Se trabalhasse 22 dias úteis, a juntar ao seu salário líquido recebia mais 104,94 euros por mês, em dinheiro. Atualmente, recebe 114,40 euros.

Caso o valor seja pago em vale/cartão refeição, o valor máximo para 22 dias úteis correspondia a 167,86 euros. Mas com o novo aumento, este valor sobe para 183,04 euros.

Isto quer dizer, que o seu ordenado líquido pode passar para 790,80 euros, se receber um subsídio de alimentação em dinheiro de 5,20 euros por dia. Já se o subsídio for em vale/cartão refeição, o ordenado líquido passa para €859,44 euros, se o valor diário for de 8,32 euros.

Contudo, tenha em conta que no setor privado, as empresas não são obrigadas a pagar o subsídio de refeição, nem a proceder ao aumento deste benefício.

No primeiro semestre, olhe para o seu escalão de retenção na fonte

Durante os primeiros seis meses do ano, se o seu salário bruto for superior a 762 euros, deve verificar a que escalão pertence nas novas tabelas de retenção na fonte de IRS. O modelo do primeiro semestre é idêntico ao que está em vigor atualmente. No entanto, tendo em conta as mudanças no mínimo de existência e a redução de 23% para 21% da taxa marginal do segundo escalão do IRS, o ordenado líquido de alguns trabalhadores será mais elevado.

Para saber qual é a taxa de IRS que fica sujeito no primeiro semestre, basta aceder às novas tabelas de retenção na fonte 2023, e procurar a sua situação atual.

Isto significa que deve verificar onde se enquadra o seu salário bruto mensal, tendo em conta se é um trabalhador dependente ou pensionista, casado ou solteira e de acordo com o seu número de filhos. Após identificar o seu escalão, basta multiplicar o seu salário pelo valor da taxa de retenção na fonte correspondente.

Por exemplo, se não for casado e trabalhar por conta de outrem, se ganhar até:

  • 766 euros, desconta 2,50%. Mas se tiver um dependente a taxa desce para 0,4%, e a partir de 2 dependentes fica isento.
  • 787 euros, aplica-se a taxa de 4,9%. Com um dependente, aplica-se a taxa de 0,7%, e com mais dependentes aplica-se a isenção.
  • 851 euros, aplica-se uma taxa de 7,8%. Já se tiver um dependente a taxa é de 4,4% e com dois de 0,9%. Se houver mais dependentes, fica isento de tributação.
  • 964 euros, aplica-se uma taxa de 10% sem filhos. Caso tenha um filho a taxa é de 6,6%, e se tiver dois dependentes a taxa desce para 3,4%. Se existirem mais dependentes também beneficia da isenção desta taxa.

Já quando o ordenado se situa entre 1.051 e 1.609 euros a taxa de retenção na fonte varia entre 11,2% e 17,2% sem dependentes.

Na prática, uma pessoa solteira que ganhe um salário bruto em 2023 de 850 euros, se não tiver filhos e for um trabalhador dependente, desconta 66 euros. Já para a Segurança Social, o desconto é de 93,50 euros. Isto quer dizer que o seu salário líquido será de 690,50 euros em 2023.

Em 2022, a taxa de retenção na fonte era superior, fixando-se nos 10,10%, o que equivalia a um desconto de 85 euros. Ou seja, em relação ao ano anterior, o valor do desconto desce 19 euros.

Leia ainda: Crédito habitação: Famílias podem ter “alívio” mensal no IRS em 2023

O valor das taxas difere no caso dos casados

Caso seja casado (mas o único titular), até aos 788 euros paga 3,20% se não tiver filhos. Caso tenha dois dependentes a seu cargo fica isento da taxa de retenção na fonte. Já se o seu salário em 2023 for até 830 euros, sem filhos, fica sujeito a uma taxa de 4,60%, que desce para 0,80% se tiver um dependente.

Quando o ordenado é até 874 euros, aplica-se a taxa de 5,50% a quem não tem filhos, de 1,70% com um dependente e de 0,80% a quem tem dois dependentes. No caso de o salário bruto ser até 925 euros, aplica-se a taxa de 6,40% quando não tem filhos, 3,60% quando tem um dependente, e quando tem dois 1,10%

Se o salário em 2023 for entre 1.017 euros e os 2.056 euros, a taxa de retenção para quem não tem filhos varia entre os 7,20% e os 15%. Com um dependente inicia-se em 4,50% e vai até aos 13,30%. Já com dois dependentes, a taxa pode variar entre os 2,80% e 12,50%. É fundamental que consulte as tabelas para saber exatamente qual é a taxa aplicável ao seu caso.

No caso dos casados (dois titulares), se o salário bruto for até 766 euros, a taxa é de 2,5% para quem não tem filhos, de 1,8% com um dependente e de 0,4% com dois dependentes. Se o salário em 2023 for até 787 euros, sem filhos a taxa é de 4,9%, com um dependente 3,6% e com dois 0,9%.

Contudo, entre os 851 euros e os 2.035 euros, a taxa de retenção na fonte varia entre 7,8% e os 20,9% para quem não tem filhos. Com um dependente, vai desde os 5% até aos 20,4%, com dois dependentes dos 3,3% até aos 18,5%. No entanto, quando tem mais que dois dependentes é preciso verificar ainda melhor a tabela, pois as isenções desta taxa só se aplicam até aos 851 euros para quem tem 5 ou mais dependentes.

Exemplo do salário em 2023 de um casado com dois dependentes

Se for casado e tiver dois dependentes (tendo em conta que existem dois titulares com rendimentos) e o seu salário em 2023 for de 1.000 euros, a taxa de retenção na fonte é de 6,4%, o que equivale 64 euros. Já para a Segurança Social vai descontar 110 euros.

Assim, o seu salário líquido será 826 euros.

Leia ainda: IRS: O que muda no próximo ano

O que muda no salário de 2023 no segundo semestre?

Assim que o primeiro semestre de 2023 chegar ao fim, entra em vigor um novo modelo de tabelas de retenção na fonte, que funciona numa lógica de taxa marginal, semelhante à utilizada na liquidação anual do imposto.

E se olhar para as tabelas de retenção na fonte, verifica que consoante os seus rendimentos e a sua situação familiar e profissional, há várias colunas a analisar. Isto porque tem de ter em conta a taxa marginal, a parcela a abater e a taxa efetiva mensal de retenção no limite do escalão. Já quando tem filhos, ainda existe uma parcela adicional a abater por cada dependente.

Embora este cenário seja mais difícil de compreender, por envolver mais cálculos, de acordo com as simulações divulgadas pelo Ministério das Finanças, no segundo semestre há uma diminuição geral da retenção mensal de IRS. Logo, o valor do salário líquido aumenta.

Com base na simulação divulgada pelo Governo, um solteiro que não tem filhos, e tem um salário bruto de 1.350 euros, desconta em 2022 de retenção na fonte 219 euros. Mas a partir do próximo e até ao final de junho, o valor da retenção na fonte desce para 204 euros. Contudo, a partir do dia 1 de julho, a mesma pessoa fica a descontar 194 euros.

No caso de a entidade empregadora aumentar o salário em 5,1% em 2023, o trabalhador passa a auferir um salário bruto de 1.419 euros. A retenção na fonte, de janeiro a junho, será de 230 euros, e no segundo semestre de 213 euros. Ou seja, mesmo com um aumento de 5,1% no salário, no segundo semestre de 2023 o trabalhador descontará menos do que em 2022, quando auferia 1.350 euros.

Tem dúvidas sobre o seu salário em 2023? Use o simulador de salário líquido

Os trabalhadores cujo salário inclui vários componentes, sendo uns sujeitos a retenção na fonte e Segurança Social e outros não, costumam ter muitas dificuldades em apurar o seu salário líquido.

Uma vez que o salário em 2023 sofre alterações para quase todos os trabalhadores, dadas as novas tabelas de retenção na fonte, o melhor é recorrer a um simulador para apurar o seu ordenado líquido.

Através do simulador de salário líquido 2023, pode descobrir o valor exato que irá receber e descontar para o IRS e Segurança Social. Além disso, se tiver outros rendimentos, seja subsídio de refeição, duodécimos ou outros rendimentos adicionais, basta preencher os campos com os valores corretos.

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