A prestação do crédito habitação consome normalmente uma parte significativa e permanente do orçamento familiar. Neste artigo damos-lhe algumas dicas para poupar com o empréstimo da sua casa.

Pedro Pais é o fundador do financaspessoais.pt e do forumfinancas.pt. O Pedro é um dos maiores promotores de literacia financeira em Portugal contribuindo com centenas de artigos, ferramentas e simuladores que ajudam as pessoas a poupar, a investir ou a decifrar os mistérios da fiscalidade.

Num passado já distante, uma forma de atingir este objectivo era renegociar os spreads com a instituição bancária, contudo face à situação actual, e excepto em casos muito pontuais, é impossível encontrar tal possibilidade junto do financiador. Assim sendo, que opções existem?

Transferir seguro de vida

Na constituição do crédito habitação existe também a adesão a um seguro de vida, normalmente a uma seguradora associada ao banco que efectua o crédito. Com frequência, o prémio (pagamento) é pouco competitivo face às melhores ofertas no mercado, pelo que é possível transferir o seguro para outra seguradora e poupar muito dinheiro, pois estamos a falar de uma componente muito significativa do encargo total mensal. Em alguns casos que temos observado, a poupança mensal atinge valores muito significativos (especialmente em idades mais avançadas), que pode representar ao longo de 30-40 anos uma poupança acumulada de mais de € 20.000, já para não falar que pode aplicar esse valor num investimento à sua escolha.

Mesmo que o seu contrato de crédito preveja alguma penalização de spread para quando existe mudança de seguradora, a poupança é frequentemente superior à eventual penalização.

Transferir seguro multirriscos ou renegociar

O seguro multirriscos associado ao crédito habitação é, da mesma forma que o seguro de vida, frequentemente pouco competitivo, sendo que uma transferência para uma seguradora mais competitiva pode originar poupanças. Contudo, o nível de poupança associado é normalmente menor, pelo que pode não compensar eventuais penalizações do spread, se o contrato assim o prever; é uma questão de fazer bem as contas.

Ainda que a transferência não seja solução, por experiência própria podemos afirmar que nos seguros multi-riscos existe margem de manobra para renegociação. Para uma negociação mais eficaz, convém que se prepare devidamente, pelo que deve tentar obter antecipadamente:

  • Quais as coberturas da sua apólice e respectivo capital seguro
  • Qual o prémio que paga actualmente
  • Simulações de outras seguradoras para a cobertura que actualmente dispõe
  • Simulações de outras seguradoras para as coberturas mínimas do seguro multirriscos

Com esta informação, deve dirigir-se pessoalmente ao balcão da seguradora e tentar efectuar a renegociação do seguro. Esta renegociação pode assumir diversas formas: manter as coberturas actuais mas baixar o prémio; baixar as coberturas e baixar o prémio; manter o prémio mas aumentar as coberturas. A ideia é conseguir trazer os valores que paga para valores mais próximos dos melhores do mercado, que pode e deve mostrar sempre que achar conveniente. Como é evidente, o sucesso não é garantido, mas investindo algum do seu tempo pode trazer-lhe resultados muito positivos.

Optimizar outros produtos agregados

Para além dos seguros de vida e multi-riscos, os créditos habitação trazem também agregados outros produtos obrigatórios, tais como cartões de crédito. Nestes casos, a despesa não costuma ser muito significativa, mas se pudermos optimizar sem um esforço desmesurado, é sempre poupança bem-vinda.

Antes de mais, deve identificar que produtos são esses. Para tal, além de uma ideia de quais sejam, pode consultar o seu contrato de crédito e extractos bancários. Pode também entrar em contacto com o seu gestor de conta, para obter mais informação.

Identificados os produtos, resta “cortar”. Uma solução é cancelá-los, caso não lhe façam falta e se não tiver penalizações ao nível do spread. Outra solução é trocar os produtos por outros mais baratos: no exemplo dos cartões de crédito, muito provavelmente o seu banco terá outros cartões de crédito gratuitos (ou muito mais baratos) que pode utilizar ao invés do que aquele que actualmente dispõe, cumprindo na mesma os critérios dispostos no contrato de crédito.

 Amortizar o crédito antecipadamente

Uma última solução, que exige disponibilidade financeira, é amortizar antecipadamente o crédito habitação. Com a amortização antecipada diminui o capital em dívida, pelo que o cálculo dos juros incide sobre um valor mais pequeno, ou seja, paga menos juros e consequentemente origina poupanças significativas. Pode consultar qual é a poupança mensal utilizando a nossa ferramenta de prestação após amortização antecipada.

A amortização antecipada é uma excelente forma de poupar dinheiro, tanto a curto como a longo prazo. Não é contudo indicada nas seguintes situações:

  • Quando a TAE do seu crédito é muito baixa. Em termos gerais, se a TAE for inferior a 2% existem opções de investimento com risco muito baixo que permitem obter um retorno líquido mais elevado do que se amortizar, como é o caso actual dos certificados de aforro ou de alguns depósitos a prazo).
  • Quando não tiver fundo de emergência constituído
  • Quando estiver a prever efectuar uma aquisição/gasto e sem o valor que seria aplicado na amortização antecipada fosse necessário recorrer ao crédito

A sua experiência?

Já conseguiu poupar no crédito habitação? Utilizou alguma destas sugestões para poupar? O Doutor Finanças pode ajudá-lo a renegociar ou transferir o seu crédito habitação, poupando-lhe o tempo e as chatices das burocracias.