Crédito

Como poupar no crédito habitação

Pedro Pais Pedro Pais , 21 Outubro 2013 | 33 Comentários

A prestação do crédito habitação consome normalmente uma parte significativa e permanente do orçamento familiar. Neste artigo damos-lhe algumas dicas para poupar com o empréstimo da sua casa.

Pedro Pais é o fundador do financaspessoais.pt e do forumfinancas.pt. O Pedro é um dos maiores promotores de literacia financeira em Portugal contribuindo com centenas de artigos, ferramentas e simuladores que ajudam as pessoas a poupar, a investir ou a decifrar os mistérios da fiscalidade.

Num passado já distante, uma forma de atingir este objectivo era renegociar os spreads com a instituição bancária, contudo face à situação actual, e excepto em casos muito pontuais, é impossível encontrar tal possibilidade junto do financiador. Assim sendo, que opções existem?

Transferir seguro de vida

Na constituição do crédito habitação existe também a adesão a um seguro de vida, normalmente a uma seguradora associada ao banco que efectua o crédito. Com frequência, o prémio (pagamento) é pouco competitivo face às melhores ofertas no mercado, pelo que é possível transferir o seguro para outra seguradora e poupar muito dinheiro, pois estamos a falar de uma componente muito significativa do encargo total mensal. Em alguns casos que temos observado, a poupança mensal atinge valores muito significativos (especialmente em idades mais avançadas), que pode representar ao longo de 30-40 anos uma poupança acumulada de mais de € 20.000, já para não falar que pode aplicar esse valor num investimento à sua escolha.

Mesmo que o seu contrato de crédito preveja alguma penalização de spread para quando existe mudança de seguradora, a poupança é frequentemente superior à eventual penalização.

Transferir seguro multirriscos ou renegociar

O seguro multirriscos associado ao crédito habitação é, da mesma forma que o seguro de vida, frequentemente pouco competitivo, sendo que uma transferência para uma seguradora mais competitiva pode originar poupanças. Contudo, o nível de poupança associado é normalmente menor, pelo que pode não compensar eventuais penalizações do spread, se o contrato assim o prever; é uma questão de fazer bem as contas.

Ainda que a transferência não seja solução, por experiência própria podemos afirmar que nos seguros multi-riscos existe margem de manobra para renegociação. Para uma negociação mais eficaz, convém que se prepare devidamente, pelo que deve tentar obter antecipadamente:

  • Quais as coberturas da sua apólice e respectivo capital seguro
  • Qual o prémio que paga actualmente
  • Simulações de outras seguradoras para a cobertura que actualmente dispõe
  • Simulações de outras seguradoras para as coberturas mínimas do seguro multirriscos

Com esta informação, deve dirigir-se pessoalmente ao balcão da seguradora e tentar efectuar a renegociação do seguro. Esta renegociação pode assumir diversas formas: manter as coberturas actuais mas baixar o prémio; baixar as coberturas e baixar o prémio; manter o prémio mas aumentar as coberturas. A ideia é conseguir trazer os valores que paga para valores mais próximos dos melhores do mercado, que pode e deve mostrar sempre que achar conveniente. Como é evidente, o sucesso não é garantido, mas investindo algum do seu tempo pode trazer-lhe resultados muito positivos.

Optimizar outros produtos agregados

Para além dos seguros de vida e multi-riscos, os créditos habitação trazem também agregados outros produtos obrigatórios, tais como cartões de crédito. Nestes casos, a despesa não costuma ser muito significativa, mas se pudermos optimizar sem um esforço desmesurado, é sempre poupança bem-vinda.

Antes de mais, deve identificar que produtos são esses. Para tal, além de uma ideia de quais sejam, pode consultar o seu contrato de crédito e extractos bancários. Pode também entrar em contacto com o seu gestor de conta, para obter mais informação.

Identificados os produtos, resta "cortar". Uma solução é cancelá-los, caso não lhe façam falta e se não tiver penalizações ao nível do spread. Outra solução é trocar os produtos por outros mais baratos: no exemplo dos cartões de crédito, muito provavelmente o seu banco terá outros cartões de crédito gratuitos (ou muito mais baratos) que pode utilizar ao invés do que aquele que actualmente dispõe, cumprindo na mesma os critérios dispostos no contrato de crédito.

 Amortizar o crédito antecipadamente

Uma última solução, que exige disponibilidade financeira, é amortizar antecipadamente o crédito habitação. Com a amortização antecipada diminui o capital em dívida, pelo que o cálculo dos juros incide sobre um valor mais pequeno, ou seja, paga menos juros e consequentemente origina poupanças significativas. Pode consultar qual é a poupança mensal utilizando a nossa ferramenta de prestação após amortização antecipada.

A amortização antecipada é uma excelente forma de poupar dinheiro, tanto a curto como a longo prazo. Não é contudo indicada nas seguintes situações:

  • Quando a TAE do seu crédito é muito baixa. Em termos gerais, se a TAE for inferior a 2% existem opções de investimento com risco muito baixo que permitem obter um retorno líquido mais elevado do que se amortizar, como é o caso actual dos certificados de aforro ou de alguns depósitos a prazo).
  • Quando não tiver fundo de emergência constituído
  • Quando estiver a prever efectuar uma aquisição/gasto e sem o valor que seria aplicado na amortização antecipada fosse necessário recorrer ao crédito

A sua experiência?

Já conseguiu poupar no crédito habitação? Utilizou alguma destas sugestões para poupar? O Doutor Finanças pode ajudá-lo a renegociar ou transferir o seu crédito habitação, poupando-lhe o tempo e as chatices das burocracias.

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33 comentários em “Como poupar no crédito habitação

  1. Boas,tenho um credito habitação desde 2004,no contrato exigiram os tais 5 produtos 1 deles era conta ordenado, fui actualizar os dados por causa do BP,no entanto verificaram que entrava pouco dinheiro infelizmente fiquei desempregado e então ameaçaram-me que teria de resolver a situação que o spread ia dispara mais ou menos para 3%.Entretanto queriam que eu adquiri-se o c crédito 123 eu ainda fiquei por dissidir,outra situação quanto ao seguro de vida meu e da minha mulher tiram-me quase 60 euros, nunca tive prestações em falta isto é de lei eles podem gozar com os clientes e chantagiar por causa dos spreads.O seguro é pelo banco eu poderia mudar sem perder o conteúdo?.Obrigado.

  2. Boa tarde.

    Gostaria de obter uma ajuda, eu tenho um empréstimo Bonificado na CGD, e queria mudar o seguro de paredes que pertence ao Banco CGD, sendo o Bonificado será que perco alguma coisa sobre o empréstimo Bonificado se mudar de seguradora.

    Peço que me ajudem nesta situação pois estou a pagar um valor absurdo no seguro pelo banco 180€, conseguindo eu arranjar um seguro melhor por menos dinheiro…

    Obrigado pela ajuda de todos….

  3. Eu tenho um seguro do condomínio que cobre danos nas habitações mesmo assim tenho que pagar o seguro associado ao crédito de habitação.

  4. Boas noites!

    Concordo com todas as afirmações atrás referidas.
    Mas, quanto às amortizações seria óptimo se conseguissemos efectuar amortização no número de prestações, ou seja, amortizar nas últimas prestações, reduzindo o prazo do empréstimo. porque poupa-se nos juros (que só valerá a pena se estiverem altos) nas despesas das mensalidades, na fidelização que temos com o banco, e outros produtos que temos de possuir.

    1. Boa tarde

      De facto, a forma mais eficaz de poupar juros com as amortizações é reduzir o tempo de pagamento, mantendo o valor da prestação (quando existe disponibilidade financeira para tal, claro está…).

      Existe alguma ferramento que permita calcular o total de juros que se pouparia amortizando o capital em dívida, encurtando o prazo de pagamento e mantendo o valor da prestação? Ou que permita jogar em simultâneo com o prazo de pagamento e com o valor da prestação?

      É que o simulador que identifiquei permite apenas a variação do valor da prestação e não do prazo de pagamento…

      Obrigado

  5. Boa tarde.
    Ao principio de ter comprado a casa(CGD)fui obrigado a comprar um seguro multirriscos assim como adquirir um de vida.De tanto procurar arranjei um seguro multirriscos com as mesmas condiçoes mas muito mais barato.Passado uns anos,penso que 3 ou 4 anos depois de ter comprado a casa fui ameaçado pela CXGD de que teria que voltar a adquirir o seguro e caso não o fizesse ameaçaram-me com o aumento do SPREAD,O MAXIMO.Bem não tive outra alternativa senão voltar a Fidelidade(parceria com a CGD),So que neste caso fiz um seguro so de paredes e o recheio fiz noutra seguradora.É caso para dizer que são mesmo uns velhacos.
    Cumpriemntos

    1. Boa tarde, a mim aconteceu-me o mesmo, mudei o seguro ara outra companhia e a CGD ameaçou aumentar o spread. Quando me dirigi à CGD disse-lhes que se tinha mais barato eles não tinham o direito de me aumentar o spread. Foram ver e como não arranjavam nada com valores semelhantes, disseram-me que tudo bem e que não aumentariam o spread.

  6. Boa noite.

    Obrigada pelos posts, sempre úteis.

    Há um ano fiz um crédito habitação de 70000€, a 40 anos, com spread de 3.6%, euribor a 3 meses e um extra para cobrir situações de desemprego nos primeiros 5 anos. Com tudo somado a taxa final ronda os 4%. Ao longo deste ano, entre poupanças e dinheiro que não precisei consegui amortizar 10 mil euros, estando a dever neste momento cerca de 60 mil euros.

    Desde o início que as condições não me agradaram mas por vários motivos não tive oportunidade de negociar as condições ou procurar noutro banco algo melhor. Contudo, passado um ano, tentei sondar o meu gestor de conta sobre a hipótese de renegociar o spread ou baixar o número de anos, sendo a resposta de que o banco não irá rever as condições sem que existam alterações significativas que o justifiquem.

    A minha questão é, em relação ao número de anos do crédito, o banco tem a liberdade de estabelecer o que lhe for mais rentável, independentemente do que o cliente solicitar ou há algo a proteger o cliente, permitindo que este decida se quer ou não alterar o prazo?

    Obrigada e cumprimentos.

    1. boas Andreia eu no ano passado fiz como tu, contraí um emprestimo se calhar no mesmo banco que tu Totta e estou com um spread de 4,75 cujo o rácio de finaciamento é de 69% da avaliação, embora já fiz umas pequenas amortizações.
      Agora que os bancos estão a abrir o crédito novamente já procurei dois e fizeram-me mais barato o spread quase 2% só que há custas associados temos que colocar em cima da mesa todas as contas. Eu vou te ser sincero já troquei quase todos os seguros, mas mesmo assim os spreads estão mesmo muito caro.
      Tenho algum receio em trocar pois nos bancos ainda não há nenhuma concorrência.
      Vou testar mais bancos e peço a este blog que coloque uma tabela com a informação dos bancos e quais os que estão a financiar.
      Nos consumidores devemos expressar aqui se aquela informação é correcta.

      Cumprimentos,

    2. Tudo indica que no próximo ano os spreads vão baixar significativamente e alguns bancos voltem mesmo a pagar os custos de transferência do créditos!