Crédito Habitação

9 perguntas às quais deve responder antes de comprar a primeira casa

Quer comprar a primeira casa ainda este ano, mas não sabe se reúne condições? Veja se consegue responder a estas 9 perguntas.

Crédito Habitação

9 perguntas às quais deve responder antes de comprar a primeira casa

Quer comprar a primeira casa ainda este ano, mas não sabe se reúne condições? Veja se consegue responder a estas 9 perguntas.

A compra de uma casa não deve ser uma decisão impulsiva, mesmo que seja uma necessidade urgente. Afinal, grande parte da população não consegue suportar a compra de um imóvel através de capitais próprios. Assim, nestes casos, é incontornável recorrer a um crédito habitação para comprar a primeira casa. Porém, antes de avançar com um crédito habitação, precisa de estar consciente das condições que precisa reunir para concretizar este objetivo.

Dito isto, existem algumas perguntas às quais deve saber responder antes de comprar a primeira casa. De seguida, fique a conhecer nove dessas questões.

1 - A minha situação financeira está estável para comprar a primeira casa?

2- A minha taxa de esforço é inferior a 30%?

3 - Tenho uma poupança entre 10% a 20% do valor do imóvel para dar de entrada?

4 - Consigo suportar os encargos iniciais que envolvem comprar a primeira casa?

5 - Prefiro uma prestação mais baixa com o risco de subir ou uma mais alta que não varia ao longo do contrato?

6 - Consigo um fiador se o banco precisar de mais garantias para comprar a primeira casa?

7 - Sei analisar e comparar propostas de crédito habitação para comprar a primeira casa?

8 - Encontrei um imóvel dentro das minhas possibilidades?

9 - Contrato um crédito habitação para comprar a primeira casa sozinho ou através de um intermediário de crédito?

1-A minha situação financeira está estável para comprar a primeira casa?

Antes de comprar a primeira casa, perceba se tem uma situação financeira estável para dar este passo. Afinal, a compra de um imóvel não é um investimento qualquer. Provavelmente, trata-se de um dos maiores investimentos que fará ao longo da vida. E este investimento requer, por norma, o pagamento de prestações mensais ao banco ao longo de uma, duas, três ou até quatro décadas.  

No entanto, não basta estar confortável financeiramente para pagar a sua futura prestação de crédito. A compra de uma casa através de um crédito habitação implica que detenha uma poupança significativa para cobrir todas as despesas que envolvem este processo.  

Além disso, a juntar à sua prestação mensal, deve somar outros encargos como o seguro de vida do crédito habitação, seguro multirriscos, IMI, o valor do condomínio, entre outras despesas com o sue imóvel.

Assim, inevitavelmente, precisa de fazer contas e olhar bem para o seu orçamento familiar. Após verificar se as suas finanças estão de boa saúde, pense se reúne os rendimentos necessários para cobrir todas as despesas.

Não se esqueça que antes de avançar com um crédito habitação precisa de garantir que a sua situação profissional também está estável. Isto porque os bancos analisam a sua situação financeira e profissional antes de conceder-lhe um crédito habitação. E se os seus rendimentos forem irregulares, insuficientes ou estiver numa situação profissional precária, o seu pedido de crédito pode ser negado ou serem-lhe exigidas garantias adicionais.

Leia ainda: Comprar a primeira casa com crédito habitação: o que deve saber

2-A minha taxa de esforço é inferior a 30%?

A taxa de esforço é uma fórmula de cálculo que os bancos utilizam para determinar o risco que uma nova prestação de crédito representa num agregado familiar. Assim, ela pode ajudá-lo a obter luz verde no seu pedido de crédito habitação, mas também pode ser o motivo de ver o seu pedido de crédito recusado.

Por isso, antes de pedir um crédito habitação para comprar a primeira casa deve calcular a sua taxa de esforço. E como é que este cálculo é feito? Através da divisão dos seus encargos com créditos pelo rendimento líquido do seu agregado familiar, multiplicando o resultado da divisão por 100%. 

Ou seja, se não tiver nenhum crédito contratado e estiver a ponderar uma prestação de crédito no valor de 600 euros, este é o valor dos seus encargos com crédito. Supondo que o rendimento líquido do seu agregado familiar é de 2000 euros, o cálculo da sua taxa de esforço será o seguinte:

Taxa de esforço = (600/2000) x 100 = 30%.

Nesta situação a sua taxa de esforço seria de 30%. Este é o limite máximo recomendado pelos bancos para uma taxa de esforço associada a um crédito habitação. Se a sua taxa de esforço for superior a 30% pode ver o seu pedido de crédito negado ou serem-lhe exigidas mais garantias, como adicionar um fiador ao seu contrato.

Caso pretenda garantir que a taxa de esforço não é o motivo de recusa do seu crédito habitação, tendo em conta os valores indicados, o ideal seria ter uma prestação mensal de crédito menor que 600 euros.

Mas se tiver mais do que um crédito contrato, o cálculo da taxa de esforço pode levantar algumas dúvidas, uma vez que terá de somar todas as suas prestações à sua futura prestação de crédito habitação. Assim, pode recorrer ao simulador da taxa de esforço do Doutor Finanças, já que esta é a ferramenta ideal para ajudá-lo com estes cálculos.

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3-Tenho uma poupança entre 10% a 20% do valor do imóvel para dar de entrada?

Antes de comprar a primeira casa, saiba que precisa de poupar uma quantia significativa para dar este passo. Afinal, não basta ter um salário que suporte a prestação mensal do seu crédito habitação. A compra de uma casa implica um investimento inicial elevado. E um dos principais fatores que poderá impossibilitar a compra da sua primeira casa é ter de suportar através de capitais próprios cerca de 10% a 20% do valor do imóvel.

Para os jovens com menos de 30 anos, a média salarial em Portugal torna este objetivo difícil de alcançar a curto prazo. Isto porque no mínimo, se quiser comprar um imóvel que custa 150 mil euros, precisa de ter uma poupança de 15 mil euros para a entrada. E atenção que existem mais custos envolvidos, como impostos e outros encargos associados ao processo de aquisição.

Caso esteja a questionar-se porque é que o banco não financia 100% do valor do imóvel que pretende comprar, a resposta é simples. Desde 2018, que nenhuma instituição financeira pode financiar mais de 90% do valor da escritura de aquisição ou da avaliação de um imóvel. Esta decisão foi aprovada pelo Banco de Portugal, de forma a garantir a capacidade de os clientes cumprirem as suas obrigações, dado que o risco de incumprimento era mais elevado se o crédito habitação cobrissem 100% do valor do imóvel. 

No entanto, a entrada do imóvel, não será entregue ao banco onde contrata o seu crédito habitação. Na maioria dos casos, é entregue como sinal quando celebra o CPCV, contrato de promessa compra e venda, da sua futura habitação.

Dito isto, se ainda não reúne uma poupança que cubra este valor, é aconselhável que se foque primeiro neste objetivo. Caso esteja a pensar que uma alternativa viável é contratar um crédito pessoal para pagar a entrada da sua primeira casa, corre o risco de ver o seu crédito habitação recusado e ainda ficar em incumprimento.

Afinal, se juntar a sua prestação do crédito habitação a uma prestação do crédito pessoal, a sua taxa de esforço poderá ser demasiado elevada. Logo, a instituição financeira pode negar-lhe o financiamento da sua habitação, e desta forma terá de pagar um crédito pessoal para a entrada de uma casa que não tem.

4-TConsigo suportar os encargos iniciais que envolvem comprar a primeira casa?

Como acabou de ler, antes de comprar a primeira casa precisa de criar uma poupança significativa que cubra o montante da entrada, mas também os encargos que o processo de compra e financiamento envolvem.

E que encargos são estes? No fundo, tratam-se de impostos, registos e comissões, relativos ao seu crédito habitação e processo de aquisição. Por exemplo, terá de suportar :

  • Comissões bancárias: Ao longo do processo de crédito habitação, o banco cobra comissões de avaliação, de estudo do processo, de formalização, entre outras comissões. O valor total das comissões varia sempre de banco para banco. Contudo, trata-se de um encargo que ronda, por norma, os 1.000 euros.
  • O registo da sua casa: Sim, também terá de pagar o registo da compra da sua casa. Quando opta pelo serviço Casa Pronta, paga 700 euros por este registo. Este é o valor tabelado do registo da compra de uma casa através de um crédito habitação. No entanto, poderá tratar de todos os procedimentos que envolvem a compra e venda de um imóvel no mesmo balcão.

Já a nível de impostos, é fundamental que faça contas aos encargos com:

  • IMT - Imposto Municipal sobre Transações onerosas de Impostos: Não existe um valor fixo para o IMT, dado que este imposto varia consoante a natureza do imóvel (urbano ou rústico), a finalidade (habitação própria permanente ou segunda habitação), a localização e o seu valor. Caso pretenda calcular o valor deste imposto, utilize o simulador de IMT.
  • Imposto do Selo: Juntamente com o IMT terá de suportar o valor do Imposto do Selo relativo à compra da sua casa. Para apurar este encargo, primeiro precisa de saber o valor da escritura do seu imóvel, para posteriormente aplicar a taxa de 0,8%.
  • Imposto do selo relativo ao seu crédito habitação: Como último encargo, terá de suportar o imposto do selo relativo ao seu financiamento que, por norma, corresponde a 0,6% do valor do seu crédito habitação.
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4-Prefiro uma prestação mais baixa com o risco de subir ou uma mais alta que não varia ao longo do contrato?

Antes de contratar um crédito habitação para comprar a primeira casa, questione-se sobre os seus objetivos. E isto porquê? Porque quando pede simulações de crédito a várias instituições financeiras, precisa de indicar os moldes em que pretende o seu crédito habitação. E isto implica escolher, por exemplo, o regime de juros (taxa variável, fixa ou mista) e a maturidade do seu crédito (prazo do crédito habitação).

Em ambos os casos (maturidade e regime de juros) não existe uma escolha certa padrão. Ou seja, a escolha certa da maturidade e do regime de juros depende dos objetivos de cada pessoa. E por isso, deve questionar-se se prefere pagar mais pela sua prestação de crédito, mas manter um valor fixo da prestação ao longo do contrato (taxa fixa) ou ter eventualmente uma prestação mais baixa, correndo o risco de esta subir no futuro (taxa variável).  

Também poderá optar por uma taxa mista permitindo-lhe ter uma taxa fixa durante o período inicial do seu contrato, sendo posteriormente aplicada uma taxa variável ao restante prazo. No fundo, esta é opção que garante um misto de estabilidade devido à taxa fixa, com os prós e contras de ter uma taxa Euribor associada ao contrato.

Leia ainda: Taxa fixa, variável ou mista. O que escolher no crédito habitação? 

Já em termos de maturidade do contrato, quanto menor for o prazo, menos juros irá pagar. Logo, no final, o seu crédito habitação ficará mais barato em comparação a um financiamento com uma maturidade maior. Contudo, quando opta por um prazo menor, as suas prestações mensais serão sempre mais elevadas. Para saber qual é o crédito mais caro a longo prazo, deve olhar para o valor do MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor).

Contudo, relembramos que desde abril de 2022 existem novos prazos máximos para o crédito habitação. Se tem menos de 30 anos, o prazo máximo do seu crédito é de 40 anos. Caso tenha entre 30 e 35 anos, o prazo máximo recomendado desce para os 37 anos. Mas se já tem mais de 35 anos, o prazo máximo do seu contrato de crédito habitação não pode ultrapassar os 35 anos.

Se precisar de ajuda para perceber quais são as melhores condições do mercado para os seus objetivos, o Doutor Finanças pode ajudá-lo com esta missão de forma totalmente gratuita.

4-Consigo um fiador se o banco precisar de mais garantias para comprar a primeira casa?

No caso da sua situação profissional ser um pouco instável, ter rendimentos irregulares ou uma taxa de esforço superior a 30%, o banco pode pedir-lhe que adicione um fiador ao seu contrato de crédito habitação para o processo seguir em frente. E nesta situação, deve questionar-se se consegue alguém que assuma o risco de ser seu fiador.

Um fiador é a pessoa que se irá responsabilizar pelo pagamento dos montantes em dívida, caso entre em incumprimento com as suas prestações do crédito habitação. No entanto, nem sempre é fácil encontrar alguém que esteja disposto a assumir este tipo de responsabilidade. Afinal, numa situação normal, o fiador não pode ser removido do contrato.

Leia ainda: Fiadores: direitos e deveres num crédito habitação

7-Sei analisar e comparar propostas de crédito habitação para comprar a primeira casa?

O primeiro contacto com uma FINE - Ficha de Informação Normalizada Europeia pode parecer um bicho de sete cabeças. No entanto, saiba que após perceber alguns conceitos básicos, esta ficha permite-lhe comparar facilmente diversas propostas de crédito, pois assume o mesmo formato em todos os bancos.

Mas, num primeiro contacto, é normal que existam algumas dúvidas, pois na FINE constam diferentes taxas, comissões, encargos, produtos associados, entre outras condições contratuais. E se não souber a que correspondem muitos destes valores, a interpretação dos mesmos complica-se, e pode levá-lo a optar por uma proposta pouco vantajosa para as suas necessidades.

Assim, olhe para a FINE apresentada por cada banco, e foque-se nos seguintes pontos:

Taxas de juro

A FINE apresenta a taxa de juro associada ao seu empréstimo. Esta pode ser uma taxa fixa, variável ou mista. Se for uma taxa variável ou mista, terá uma a taxa Euribor associada ao seu crédito. No caso da taxa mista, a taxa Euribor entra em vigor após o período inicial fixo terminar. Contudo, saiba que existem diferentes prazos para a Euribor, mas os mais comuns no crédito habitação são a 6 e 12 meses.

Quando junta à Euribor o spread estipulado pelo banco, descobre qual é a TAN do seu crédito habitação. A TAN, Taxa Anual Nominal, mostra-lhe o valor final da sua taxa de juro. Ou seja, se tiver um spread (margem de lucro do banco de acordo com os riscos e garantias do empréstimo) de 1% e a Euribor a 12 meses a 0,8%, a sua TAN corresponde a 1,8%, durante 12 meses. Numa taxa fixa ou mista (período inicial fixo) a TAN é composta pelo swap e pelo spread

Maturidade do Contrato

A maturidade do seu contrato de crédito habitação influência, e muito, o valor final que pagará pelo financiamento da sua habitação. Como referimos, quantos mais anos demorar a saldar o seu crédito, mais juros irá pagar. No entanto, um crédito com uma maturidade menor, permite-lhe reduzir o valor dos juros, mas aumenta-lhe consideravelmente a prestação mensal.

E na hora de comparar propostas de crédito com diferentes prazos, precisa de ter estes fatores em consideração. Lembre-se que um crédito com uma maturidade menor, representa uma poupança a longo prazo, mas poderá perder liquidez devido a uma prestação de crédito mais elevada. Já um contrato de crédito com um prazo superior, permite-lhe gerir melhor o seu orçamento familiar, mas em contrapartida torna o seu crédito mais caro.

Para ter uma noção dos valores em caso, apresentamos o seguinte exemplo:

Imagine que precisa de um financiamento de 120 mil euros, e tem duas propostas idênticas com uma TAN de 2% (spread + Euribor a 12 meses). Numa proposta de crédito o prazo de maturidade é de 420 meses (35 anos). Já na outra, a maturidade do contrato é de 480 meses (40 anos).

Na proposta com o prazo a 40 anos, ficaria com uma prestação mensal de 363,39 euros. No final do contrato, se a TAN se mantivesse inalterada, pagaria de juros 54.427,57 euros. Mas se optasse pela proposta com o prazo de 35 anos, a sua prestação mensal seria de 397,52 euros. Quanto aos juros, pagaria no fim do contrato 46.956,44 euros. Ou seja, a diferença entre prestações é de 34,12 euros. Mas em termos de juros, há uma poupança de 7.471,13 euros.

Comissões e encargos

Para saber quanto irá pagar de comissões e outros encargos relativos ao seu processo de crédito, a FINE é uma ótima aleada. Afinal, todos os bancos são obrigados a prestar essas informações antes de um cliente avançar com o seu crédito habitação. Assim, poderá conhecer quanto é que cada instituição financeira cobra por:

  • Comissão de dossier: Cobre os custos do banco com a análise do processo de crédito. Atenção que esta comissão poderá ser cobrada independentemente da aprovação do seu crédito habitação.
  • Comissão de avaliação: Na FINE irá encontrar quanto é que a instituição financeira cobra pela avaliação de um perito ao imóvel que pretende comprar. É segundo esta avaliação que o banco estabelece o valor do financiamento. Imagine que o imóvel que pretende comprar está no mercado à venda por 120 mil euros. No entanto, se a avaliação do banco ao imóvel corresponder a um valor menor, de por exemplo 100 mil euros, o banco poderá apenas financiar 90 mil euros (90% do valor do imóvel).
  • Comissão de formalização: Esta comissão diz respeito ao valor que o banco cobra ao cliente quando celebra o contrato de crédito habitação.

Leia ainda: Sabe as comissões que são cobradas num crédito habitação?

Produtos associados ao seu contrato de crédito

Quando contrata um crédito habitação é obrigado a subscrever a dois seguros: o seguro de vida crédito habitação e o seguro multirriscos.

O seguro de vida crédito habitação tem o objetivo de garantir o recebimento do valor do empréstimo à entidade credora. Isto porque dependendo da cobertura, em caso de morte ou invalidez, a entidade bancária fica como credora hipotecária na apólice. Logo, o nível de risco que o banco corre é menor no caso cliente ter um seguro de vida crédito habitação.

Já o seguro multirriscos, protege o imóvel e os bens no seu interior de vários imprevistos, de acordo com as coberturas que subscrever. O capital seguro deve ser correspondente à reconstrução do imóvel, de forma à seguradora cobrir 100% do seu valor.

Estes dois seguros costumam constar na proposta do crédito habitação. Se aceitar subscrever a estes dois produtos junto da entidade que irá financiar a compra da sua casa, por norma, a entidade financeira oferece-lhe uma bonificação no seu spread. Ou seja, desce o valor do spread.

Mas saiba que nem sempre compensa obter uma bonificação no spread associada à subscrição destes produtos. Afinal, se estes dois seguros tiverem um custo inferior noutra entidade, pode poupar um valor significativo mensalmente, mesmo com a aplicação de um spread mais elevado.

Para ter certeza de qual a opção mais benéfica terá de fazer contas e ter várias propostas na mão. Contudo, saiba que nenhuma entidade financeira pode obrigar os clientes a subscreverem a estes dois seguros num parceiro ou na própria instituição. Todos os clientes são livres de escolherem qual a entidade onde vão contratar o seguro de vida e multirriscos.

MTIC e TAEG

Na sua FINE existem dois pontos importantes para comparar propostas de crédito. São estes o MTIC e a TAEG.

O MTIC - Montante Total Imputado ao Consumidor, consta nas primeiras páginas da FINE e mostra-lhe quanto vai pagar na totalidade pelo seu crédito. Ou seja, este engloba o valor total das suas prestações, comissões e encargos, juros e produtos associados. Mas atenção que precisa de procurar a alínea onde consta o valor global a pagar de MTIC. Quanto menor for este valor, mais barato será o seu crédito habitação.

No caso da TAEG - Taxa anual efetiva global, esta é o indicador mais completo para avaliar se um crédito é mais caro do que outro. Afinal, ela engloba todos os custos, como prestação, juros, comissões, encargos e seguros. Ao olhar para a TAEG percebe o custo anual total do seu empréstimo, mas em vez do valor em euros, ela mostra-lhe o custo numa percentagem face ao valor total do empréstimo.

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8-Encontrei um imóvel dentro das minhas possibilidades?

Outra pergunta que deve responder é se o imóvel que pretende comprar está dentro das suas possibilidades financeiras. Para saber responder a esta questão, precisa de calcular a sua taxa de esforço, fazer contas a todas as despesas iniciais e adicionais referentes à compra da sua casa.

Depois de todos estes cálculos e levantamento de despesas, olhe para o seu orçamento e perceba se este imóvel é a escolha certa para sua situação financeira atual.

Mas para perceber melhor que contas deve fazer, apresentamos um exemplo que pode servir como referência para os seus cálculos. Imagine que pretende comprar um apartamento T2 no concelho de Sintra, totalmente remodelado, e que está à venda por 160.000 euros.

Como é que pode saber se este apartamento está dentro das suas possibilidades financeiras? O primeiro passo é verificar se tem uma poupança que cubra a entrada deste imóvel, uma vez que o banco não irá financiar o valor do imóvel a 100%. Se a resposta for afirmativa, isto significa que tem 16.000 euros para cobrir 10% da entrada do imóvel.

Além dos 16.000 euros de entrada, irá precisar de pagar os impostos associados à compra do imóvel e ao financiamento que precisa.

Leia ainda: Preciso de ter imóvel escolhido para pedir uma pré-aprovação de crédito habitação?

Encargos iniciais

Estes encargos seriam os seguintes:

  • IMT: 2.359,77€;
  • Imposto do Selo sobre a compra: 1.280€;
  • Imposto do selo sobre o empréstimo: 864 euros, dado que o financiamento seria de 144.000 euros (taxa aplicada de 0,6%);
  • Serviço casa pronta: 700 euros;
  • Comissões associadas ao financiamento: 1000 euros.

Isto significa que para comprar a sua primeira casa teria de ter uma poupança de 22.203,77 euros para cobrir todas estas despesas iniciais.

Prestação mensal e a sua taxa de esforço

O passo seguinte é verificar se a prestação mensal permite-lhe ter uma taxa de esforço inferior a 30%. Para chegar a esta conclusão, vamos usar como exemplo o mesmo valor de financiamento de 144.000 euros. Se o prazo do contrato for de 35 anos, tiver um spread de 1,1% e optar por uma taxa de juro variável com uma taxa Euribor a 12 meses (valor médio de maio de 0,287%), a sua TAN seria de 1,387%. Logo, a sua prestação mensal durante 12 meses seria de 432,98 euros.

Mas dado que os juros estão a subir, imagine que a taxa Euribor a 12 meses chega aos 2%. Nesta situação, a sua TAN seria de 3,1%, o que faria com que a sua prestação mensal fosse de 562,25 euros durante um ano.

Para apurar se estas prestações implicam uma taxa de esforço a cima dos 30%, precisa de verificar qual o montante total dos rendimentos líquidos do seu agregado familiar. Se os rendimentos forem de 2000 euros e não tiver mais nenhum crédito contratado, a prestação de 432,98€ faria com que a sua taxa de esforço fosse de 22%. Já se a prestação fosse de 562,25€, então a sua taxa de esforço seria de 28%.

Ou seja, se a Euribor a 12 meses subir para 2%, continua a conseguir pagar a sua prestação de crédito habitação sem grande dificuldade. Mas, num cenário um pouco mais preocupante, em que a Euribor alcançasse os 4%, a sua prestação de crédito passaria para 735,96 euros.

E neste caso, a sua taxa de esforço passaria para 37%. Embora não seja uma taxa de esforço alarmante, poderá ser necessário ajustes no seu orçamento familiar se os juros atingirem esse valor. Tenha sempre a subida dos juros em mente quando pensa contratar um crédito habitação com uma taxa variável.

Leia ainda: Juros a subir: Até onde pode aumentar a prestação do meu crédito?

Despesas mensais adicionais e IMI após comprar a primeira casa

Contudo, não se esqueça que além da sua prestação de crédito mensal, terá de pagar os seguros de vida e multirriscos e o condomínio. Se os seguros representarem uma despesa mensal de 40 euros e o condomínio de 20 euros, deve somar mais 60 euros à sua prestação mensal. No caso de uma prestação de 562,25€, a soma de mais 60 euros, daria um total de 622,25 euros.

Por fim, não se esqueça de fazer contas ao IMI. Um T2 em Sintra, em que VPT (Valor Patrimonial Tributário) seja de 160.000 euros, implica o pagamento de 480 euros de IMI. Este valor é referente ao total anual. Mas dado o valor do imposto, poderia pagar o seu IMI em duas prestações de 240 euros (em maio e novembro).

Ou seja, se dividir o seu IMI por 12 meses de forma a garantir que terá dinheiro para pagar este imposto, todos os meses teria de colocar de parte mais 40 euros.

No final de contas, mensalmente, a compra da sua primeira casa representaria um encargo de 662,25 euros. Ou seja, as despesas com a habitação corresponderiam a cerca de um terço dos seus rendimentos líquidos. O que à partida significa que esta aquisição está dentro das suas possibilidades financeiras. Claro que se o seu orçamento familiar estiver repleto de outro tipo de despesas, pode precisar de ajustá-lo devido às novas necessidades.

9-Contrato um crédito habitação para comprar a primeira casa sozinho ou através de um intermediário de crédito?

Por último, questione-se se pretende comprar a primeira casa sem qualquer tipo de ajuda ou se prefere recorrer aos serviços de um intermediário de crédito. Um intermediário de crédito pode ser uma excelente ajuda no processo da compra da primeira casa.

Afinal, irá beneficiar da experiência de profissionais especializados que têm um maior poder de negociação face aos consumidores comuns. E isto pode significar um contrato de crédito habitação com condições que dificilmente conseguiria, como taxas de juros mais baixas do que é habitual.

Além disso, os intermediários de crédito podem ajudá-lo a tornar todo o processo mais célere e esclarecer muitas das suas dúvidas. Isto porque terá um acompanhamento personalizado desde o início ao fim do processo. Já para não falar que não terá de analisar diversas propostas, pois as melhores chegaram às suas mãos e apenas terá de decidir se pretende ou não avançar com o processo de compra.

Por fim, saiba que a maioria dos intermediários de crédito prestam todo este serviço de forma totalmente gratuita. Mas atenção. Se a sua escolha for um intermediário de crédito não vinculado, este pode cobrar-lhe pelos serviços e pela consultoria. No entanto, o contrato deve indicar o valor que pagará por estes serviços.

Contudo, tenha atenção a escolher um intermediário de crédito de forma a evitar burlas e um mau negócio para si. Lembre-se que deve confirmar junto do Banco de Portugal se o intermediário de crédito está autorizado a exercer essa atividade. Tente ainda perceber se esse intermediário tem uma vasta rede de parceiros, de forma a apresentar-lhe as melhores condições do mercado.

No Doutor Finanças, contamos com uma equipa de doutores especializados em crédito habitação, que podem ajudá-lo a esclarecer todas as suas dúvidas e ainda encontrar as melhores propostas de crédito para comprar a sua primeira casa. E tudo isto sem custos para si.

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