Comprar ou arrendar casa? Em 2018, com o aumento da procura e a subida de preços dos imóveis e também das rendas, fizemos as contas e damos resposta a esta questão.

A dúvida sobre comprar ou arrendar casa surge, inevitavelmente, em algum momento da vida.

Mas, agora, com o fervilhar do mercado imobiliário, esta decisão exige ponderação extra. A lei da oferta e da procura ditou o aumento dos preços, tanto em imóveis para venda, como para arrendamento. Por isso, antes de avançar com qualquer decisão, estude as duas opções e faça as contas.

Neste artigo, ajudamo-lo a ponderar os prós e os contras de ambos os cenários e a perceber qual das opções é a mais favorável do ponto de vista financeiro.

Arrendar

Esta é uma situação mais benéfica para quem procura uma solução temporária.

Os contratos de arrendamento não têm, por enquanto, prazo mínimo. Isto pode representar uma vantagem ou não, dependendo do caso.

Mas vamos a contas:

Para arrendar um T1 (de 50m2) em Lisboa, tem de estar pronto para pagar, no mínimo, 800 € mensais.
Ao fim de um ano, terá pago 9.600€, aos quais poderá deduzir 502€ (valor máximo de dedução em IRS do valor das rendas – calculado a 15%). Contas feitas: no arrendamento deste T1 na capital gastaria 9.098€ anuais, que por mês dá significa um gasto de 758€.

A estes valores não se acrescentam preocupações com obras de manutenção, pagamento de impostos sobre imóveis, condomínios ou outros gastos.

No entanto, por mais anos que passem, este imóvel não será seu.

Comprar

Quem opta por comprar casa, procura, na maioria dos casos, uma solução permanente. Este investimento para o futuro, será um ativo que o proprietário pode gerir como entender.
Mas neste caso, os cálculos podem ser um pouco mais complexos, porque implicam outras variantes e parcelas. 

Analisemos, então, os valores:

Para comprar um T1 (também de 50m2) em Lisboa, o investimento pode rondar os 150 mil euros.

Suponhamos que contratualiza um crédito a 30 anos, com spread 1,25% e uma entrada de 20% (30 mil €).

Deve considerar os seguintes custos iniciais para este exemplo que ilustramos:

  • Abertura de processo (um valor que varia consoante a entidade bancária): 550€
  • Imposto Municipal de Imóveis (variável consoante o valor do imóvel): 1.860€
  • Imposto de Selo (0,8% do valor do imóvel): 1.200€
  • Escritura(variável consoante o valor do imóvel): 751€

TOTAL: 4.361€

Além destes valor iniciais, deve calcular os custos fixos que terá após a compra:

Prestação: 370€ / mês
Seguro de vida para casal: 100€ / mês
Condomínio: 45€ / mês
Seguro Multirriscos: 30€ / ano
IMI: 400€/ ano

TOTAL: 6.610€/ ano, cerca de 550€/ mês.

Somando tudo (valor da entrada +custos iniciais + fixos após a compra): pagará, ao fim de 30 anos, cerca de 232.661€, o que dá uma média de 646€/ mês.

Conheça ao detalhe a papelada e os custos que tem de suportar para comprar casa.

Conclusões:

Se considerássemos apenas o valor do imóvel (150 mil euros), ao fim de 15 anos a pagar uma renda de 800 euros, teria o imóvel pago. Considerando o total de despesas com a compra (232.661 euros), o imóvel ficaria pago, com a mesma renda, em 24 anos.

Importa, no entanto, para efeitos imediatos, comparar o valor mensal a pagar em cada um dos casos (758€ no arrendamento, 646€ na compra). Nesta lógica, compensa em 112€ comprar o imóvel em vez de o arrendar.

Apesar de comprar parecer ser a solução mais benéfica, implica um investimento inicial avultado. São cerca de 35 mil euros, nesta situação apresentada. Relembramo-lo que os bancos já não estão a financiar a 100% nenhum crédito habitação, a não ser que o imóvel seja do banco. Logo, o mais provável é ter que dar uma percentagem de entrada, que por norma, ronda os 20%.

Leia ainda: Financiamento a 100% no crédito habitação: É possível ou não?

Nesta simulação, deixamos alguns tópicos que podem não ter sido contabilizados, mas que podem influenciar o seu orçamento mensal:

  • Nestes cálculos não considerámos aumentos de renda ou variações das taxas de juro. Deve colocar sempre essa possibilidade, contemplar alguma folga orçamental, para não ter surpresas desagradáveis.
  • Tenha em atenção à valorização ou desvalorização do imóvel, sujeita aos ciclos económicos.
  • A variável localização também é importante para estes cálculos. O preço por metro quadrado pode variar, tal como o valor das rendas, de localidade para localidade. Nem todas as cidades do país seguem a mesma tendência das mais turísticas, como Lisboa e Porto.
  • Questões mais pessoais como a estabilidade profissional, a idade ou a situação familiar devem também pesar nesta fórmula, apesar de não serem tão mensuráveis como as apresentadas.
  • A prestação ao banco não deve passar dos 33% do seu ordenado. É a chamada taxa de esforço, estudada pelos bancos para a atribuição dos créditos.
  • No caso do arrendamento, há a possibilidade de o senhorio terminar o arrendamento, que poderá influenciar a sua estabilidade familiar.

Se optar por comprar casa e recorrer a um crédito habitação, saiba que este é um processo que requer tempo e paciência. Contudo, no Doutor Finanças fazemos esse trabalho por si, de forma totalmente gratuita, recolhendo a sua documentação e fazendo a melhor proposta para o seu caso.