Finanças pessoais

Afinal, o que são as finanças pessoais?

Rita Amaral Rita Amaral , 1 Abril 2019 | 1 Comentários

Ensinam-nos muita coisa na escola, mas ninguém nos diz a lidar com o dinheiro. Neste artigo, explicamos o que são as finanças pessoais.

Cada vez mais se fala do tópico da literacia financeira. A crise que aconteceu nos últimos anos fizeram com que todos nós passássemos a falar de Spread, Taxas de Juro, cartões de crédito, TAEG, etc. Na altura, olhar para o dinheiro era inegável e poupar era a única maneira de sobreviver. Atualmente, as condições económicas estão mais favoráveis, mas há cada vez mais interesse nesta área. 

O que são as finanças pessoais? 

Vemos as finanças pessoais como a maneira de gerir o dinheiro do agregado familiar, registando receitas e despesas e adequando o consumo conforme as necessidades e disponibilidades. Se a Economia é a ciência da gestão de recursos finitos, as Finanças Pessoais são a gestão do nosso dinheiro, que também é ele finito. 

«Isso do dinheiro é muito difícil e eu não percebo nada de matemática». 

Felizmente para saber finanças pessoais, não é preciso ter um alto nível de escolaridade. No fundo, é só fazer uma conta de somar e outra de subtrair: se recebo 1000€ por mês, eu vou certamente gastá-lo. Tudo o que eu gastar é uma despesa que irá ser subtraída, até chegar ao último dia do mês - com ou sem dinheiro. É o que fazemos todos os dias, até à nossa morte: contas de somar e contas de subtrair.

Qual o objetivo das finanças pessoais? 

Toda a informação que passamos nos nossos artigos têm como objetivo ajudar as famílias a chegarem ao final do mês com dinheiro na conta – ou seja, saber poupar. A poupança ao final do mês permite-nos perceber que o dinheiro que recebemos serve para pagar todo o consumo que temos num mês. Assim, podemos consumir melhor, pagar apenas o que precisamos de pagar e ainda ter dinheiro extra para outras utilidades. 

Os instrumentos de finanças pessoais permitem-nos perceber como fazer essa gestão não só mensalmente, mas também ao longo da vida. 

Se pouparmos todos os meses, podemos alocar esse dinheiro a vários objetivos: 

  • Outros tipos de consumo não regulares: férias, compra de um novo equipamento, capital de entrada para uma nova casal
  • Poupança para rentabilização do dinheiro: seguros de capitalização com capital garantido, depósitos a prazo e investimentos das mais diferentes formas
  • Criação de um fundo de emergência: dinheiro muitas vezes utilizado em matéria de saúde, acidentes, situações de desemprego, entre outros
  • Manutenção do estilo de vida em geral: a inflação mostra-nos que qualquer produto sobe de preço todos os anos, pelo que ao pouparmos, podemos continuar a pagar o produto mesmo que suba de preço

Além disso, pouparmos todos os meses é uma maneira de viver o presente e precaver o futuro, alcançando a independência financeira.  

finanças pessoais

Como se podem gerir as finanças pessoais?

Olhar para o orçamento familiar pode ser complexo, com tantos consumos fixos e variáveis que fazemos durante o mês. A ideia é olharmos para o orçamento como dois pratos de uma balança: um lado faz-nos retirar dinheiro do bolso (despesa) e outro lado faz-nos colocar dinheiro no bolso (receitas). 

O ideal não é os pratos estarem equilibrados, mas sim o «prato» das receitas ter mais peso que o «prato» das despesas. Se os pratos estiverem equilibrados, quer dizer que tudo aquilo que recebemos também gastamos, não havendo poupança. Se as receitas forem maiores que as despesas, podemos ter uma vida confortável e atingimos a independência financeira.

Existem duas formas simples de trabalhar esta balança: 

  • Ter ideias para aumentar os rendimentos (segundos rendimentos, trabalhos de part-time, rendimentos passivos, recebimento de juros de aplicações que rentabilizam o capital); 
  • Diminuir as despesas (reduzir as contas básicas de electricidade e água; renegociar o valor do pacote das telecomunicações; estratégias de diminuir custos com a casa, o carro, os cartões de crédito, os seguros, entre outros). 

Como e quando posso começar? 

O primeiro passo é olhar para o orçamento familiar, as despesas e as receitas. 

Para o lado das despesas, necessita de começar a apontar todos os gastos que tem mensalmente, para perceber como pode reduzir cada factura.  

Para as linhas de crédito, deve consultar o Mapa de Responsabilidades do Banco de Portugal. 

Pode sempre utilizar papel e caneta ou uma tabela de Excel. Para ter o menor trabalho possível, pode descarregar o Boonzi, a primeira aplicação portuguesa de gestão de despesas, em que pode transferir o seu extrato bancário e fazer uma análise de cada uma das despesas. 

Para o lado das receitas, necessita de calcular o seu salário líquido, uma vez que aquilo que aufere do seu trabalho está sujeito a retenção IRS e à contribuição da Segurança Social. Deverá assim utilizar a Calculadora de Salário Líquido 2019. 

Quando tiver as despesas e as receitas, deve então fazer uma simples conta de subtrair: se o valor for negativo, então está a gastar mais do que aufere. O contrário diz-lhe que está com uma boa situação financeira e que deve poupar o máximo possível.

A melhor altura para começar é mesmo hoje. Mesmo as crianças devem ter conhecimentos básicos de literacia financeira para poderem ter bons hábitos como adultos. A noção do valor do dinheiro é fundamental na educação primária para que se perceba como se deve usar o dinheiro. Com a entrada na adolescência, será mais fácil perceber a relação entre despesa e receita, que será consolidada de forma saudável na idade adulta e com a entrada no mercado de trabalho.

E a poupança? 

A poupança não deve ser feita quando há rendimento disponível. Muitas famílias dizem que poupam quando o dinheiro chega ao final do mês. Assim, se não sobrar dinheiro, nunca vão poupar e basta uma ligeira mudança nas suas vidas (como a conta da luz ser maior no inverno devido aos aquecimentos) para ter de contrair dívidas, sem ter uma previsão de pagamento.

Assim, recomendamos que a poupança seja feita logo no início do mês. Pense em apenas 10% do seu agregado familiar (se o agregado familiar for 2000€, estamos a falar de uma poupança de 200€). Se não for possível este valor, não tente ir abaixo dos 100€.

Se lhe é difícil poupar, é altura de rever o lado das despesas para reduzi-las a um mínimo possível e ao mesmo tempo procurar formas de rentabilizar o seu tempo e trabalho.

A poupança deve maioritariamente ser para um fundo de emergência. É dinheiro que não é usado para consumos diários e que tem usabilidades diversas. Quanto maior for o fundo, mais confortável poderá ter a sua vida financeira.

Como chegar à independência financeira? 

A liberdade financeira acontece quando os rendimentos de uma pessoa não dependem inteiramente do seu trabalho. Isto é, se ficasse sem emprego os seus investimentos e outros rendimentos garantiriam uma renda suficiente para fazer face às suas despesas. 

Tal é possível se adotar novos hábitos e comportamentos face ao consumo. Com a mudança de paradigma, pode aplicar os seus novos conhecimentos para cortar a sua despesa e atingir resultados.  

A independência financeira é possível se seguir estes passos: 

  • Diagnóstico: faça um «raio X» às suas finanças, percebendo exatamente onde gasta o seu dinheiro. Só sabendo a sua realidade é que poderá identificar os problemas; 
  • Plano de ação: faça um plano para poder melhorar o seu diagnóstico. Tal implica deixar a inércia e tomar uma atitude para comprar melhor, registar cada gasto, viver abaixo das possibilidades, distinguir necessidade de desejo, comparar propostas em vez de aceitar logo a primeira que lhe apareça. 
  • Manter o equilíbrio: depois do período de esforço, deve continuar a manter os resultados até atingir a liberdade financeira. 

A economia vive de ciclos pelo que ao olhar para a sua carteira, deverá perceber quais são os momentos de maior contração e adequar-se. Assim, nos momentos de crescimento é possível resistir à euforia do consumo e endividamento rápido e nos momentos de depressão resistir aos cortes e manter o estilo de vida.  

Onde ter mais conhecimento? 

Para poder perceber melhor o dinheiro, pode ler livros, atender seminários, seguir perfis de finanças pessoais. Sobretudo, na procura deste novo conhecimento, deve ter uma mente crítica. Deverá olhar para uma proposta entendendo as condições que lhe são impostas; perceber o que são as taxas de juro e o peso que têm no orçamento; conhecer o seu enquadramento fiscal e os benefícios que pode ter. 

O assunto é complexo e pode envolver mais dados de Fiscalidade, Contabilidade, Emprego e outros temas. Contudo, deve-se lembrar que as finanças pessoais são uma conta de subtrair que tem de ter um resultado positivo.

Assim, consegue cumprir todos os seus encargos financeiros. Esse é o seu ponto de partida para qualquer relação que tenha com o seu dinheiro.  

Partilhe este artigo
Etiquetas
  • #como gerir finanças pessoais,
  • #finanças pessoais,
  • #orçamento familiar

Deixar uma resposta

6 comentários em “Afinal, o que são as finanças pessoais?