Há quanto tempo não renegoceia todos os seus contratos?

Acredite quando lhe digo que “poupar” não tem de ser um sacrifício (no sentido de passar fome ou de não se divertir).

A segunda grande lição que aprendi com a minha terrível experiência pessoal em 2008 (a primeira foi cortar com tudo o que era supérfluo ou desnecessário, como lhe expliquei na crónica anterior) foi renegociar todos os meus contratos.

Vou insistir neste ponto com mais detalhe porque estou convencido de que muitas pessoas concordam imediatamente com o que acabei de dizer, mas depois… não fazem nada. Preguiça, medo, vergonha, ignorância? Porquê?

Repito que esta é a forma mais simples e rápida de se aumentar a si mesmo todos os anos. Diria mesmo todos os meses. 

Vou dar-lhe alguns exemplos meus, reais, para servirem de incentivo aos mais renitentes. Isto aplica-se a todos nós, haja crise ou não. Hoje, ou daqui a 10 anos.

Contratos de eletricidade e gás

De 6 em 6 meses vou à internet e com simuladores, ou analisando diretamente os preçários das empresas fornecedoras de eletricidade e gás, vejo qual é a mais barata. Se fazem mais barato do que o que tenho, mudo. Não tenho contemplações. Se depois tiver problemas de faturação ou outros, mudo outra vez e não volto tão cedo.

Nos últimos anos fui cliente da Endesa. Já fui cliente da EDP, da Galp e da Goldenergy. Recentemente, fiz as contas e cheguei à conclusão de que pagaria menos pelos meus consumos novamente na Goldenergy. Peguei nos preços e contactei o apoio à cliente da Endesa. Nada feito. Não baixavam. Não pouparia imenso, mas para mim 4 ou 5 euros por mês já é relevante para eu decidir mudar. Estamos a falar de 60 euros por ano que ficam no meu bolso. Mudei mesmo para a Goldenergy. Tudo pelo telefone.

Agora vejam como as coisas são. Assim que lhes chegou o pedido de cancelamento, a Endesa ligou-me a perguntar se eu não aceitaria uma promoção de 60 euros durante 6 meses se continuasse com eles (10 euros de desconto por mês). Fiz as contas e aceitei. Com 2 telefonemas poupei mais 60 euros. Quando terminassem os 6 meses, procuraria outra empresa que estivesse a fazer a mesma promoção para novos clientes (há várias) e receberia mais 60 euros só por mudar. 120 euros num ano. Fora a poupança adicional nos tarifários.

Tem de conhecer as várias promoções a cada momento de cada empresa. Isso dá trabalho? Claro que dá! Faça disto um jogo com os seus amigos ou familiares: ganha quem conseguir, em janeiro de cada ano, o preço por kWh mais barato. Basta trocarem um foto da fatura. Já vi apostas menos úteis.  

Seguro de vida

Renegociei em 2020 pela terceira vez nestes 13 anos de crédito à habitação o meu seguro de vida. Baixei o prémio mensal para valores de 2015 e aumentei a cobertura do ITP (depois explico-lhe o que é isto, ou aqui na página do Doutor Finanças já deve ter várias páginas que explicam a diferença de coberturas dos vários seguros) de 66,6% para 60%. Tive de mudar de seguradora, mas não me aumentaram o spread, porque negociei com o banco para substituir o seguro por outro produto. 

Em resumo, vou poupar mais 22 euros por mês (264 euros por ano). No acumulado das renegociações desde 2012 estou a poupar cerca de 420 euros por ano com as reduções de prémio consecutivas. Estou ou não a aumentar-me a mim próprio e a proteger melhor o meu futuro e da minha família?

Telecomunicações

Não me importo nada de ficar fidelizado mais 2 anos desde que me baixem os preços. Renegociei novamente o meu contrato de TV+NET+VOZ. Fiquei a pagar menos 4 euros por mês do que o que pagava antes. Mais 48 euros de poupança por ano nos próximos 2 anos. No momento em que escrevo estou a pagar 59 euros por mês por TV, internet, telefone fixo e 3 telemóveis. Tive novamente de ameaçar sair para a concorrência. E saía mesmo. Não era bluff (eles percebem quando fazemos de conta que queremos sair). Só descanso (e assino por mais 2 anos) quando consigo o mesmo ou mais serviços por menos dinheiro do que pagava antes. Em 2014 - fui ver - pagava por menos serviços 71 euros. 

Seguro do carro

Todos os anos peço ao mediador que me veja em que companhia pago mais barato e tenho mais coberturas. Todos os anos mudo. Neste momento tenho o seguro numa companhia que não conhecia. Naturalmente alguns de vocês acharão isso estranho porque querem confiar numa seguradora conhecida e reconhecida. 

Para mim, se a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) as autoriza a funcionar em Portugal não tenho razões para duvidar de que farão um bom trabalho. Se precisar delas e não ficar satisfeito será a primeira e última vez que serei cliente delas. Mas não é por medo que vou pagar a mais do que poderia. O que me interessa são as coberturas e não a fama da empresa. 

Nunca vá só pelo mais barato. Isso pode sair caro. Do ano passado para este baixei o seguro do carro de 352 euros para 316 euros. Menos 36 euros em relação ao ano anterior. Com as coberturas que me interessam (nem mais, nem menos).

Comissões bancárias

Continuo impressionado com a quantidade de pessoas que continua a pagar comissões bancárias sem necessidade. Quando lhes digo que não pago ou quanto estou a poupar comentam “Ah, mas a mim cobram-me 9 euros por mês…”, como se fosse uma fatalidade. 

Mude para uma Conta de Serviços Mínimos bancários, ou feche todas as contas em que paga comissões e junte tudo no banco onde pode ficar a pagar menos (de preferência nada). Este ano, e daqui para a frente, vou poupar mais 45 euros por ano porque fechei uma das contas. 

Só com estes cinco exemplos poupei num ano (eletricidade 120 euros + seguro de vida 264 euros + telecomunicações 48 euros + seguro do carro 36 euros + comissões bancárias 45 euros) mais 513 euros. É dinheiro que fica no meu bolso, mais uma vez sem prejudicar em nada a minha qualidade de vida. Compreende quando lhe digo que “poupar” não tem de ser um sacrifício (no sentido de passar fome ou de não se divertir)?

As situações reais que acabo de lhe referir provam claramente que a soma de pequenas poupanças em várias renegociações representam muito dinheiro ao fim do ano. É dinheiro que fica na sua carteira em vez de ir “engordar” grandes empresas que têm milhões de lucros todos os anos, graças à inércia e preguiça dos seus clientes que pagam tudo o que lhes pedirem, sem nunca questionar ou os confrontar com as propostas da concorrência.

Pedro Andersson nasceu em 1973 e apaixonou-se pelo jornalismo ainda adolescente, na Rádio Clube da Covilhã. Licenciou-se em Comunicação Social, na Universidade da Beira Interior, e começou a carreira profissional na TSF. Em 2000, foi convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Atualmente, continua na SIC, como jornalista coordenador, e é responsável desde 2011 pela rubrica "Contas-Poupança", dedicada às finanças pessoais. Tenta levar a realidade do dia a dia para as reportagens que realiza.

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