Finanças pessoais

Investidores estrangeiros continuam a apostar no imobiliário em Portugal?

2020 prometia ser um dos melhores anos de sempre no setor imobiliário. Mas será que Portugal continua a ser uma aposta para os investidores internacionais?

Adriana Cabrita Adriana Cabrita , 1 Setembro 2020

Nos últimos anos, o mercado imobiliário viveu tempos bastante favoráveis, com os preços das casas a baterem recordes e o número de transações a aumentar. Embora a maior fatia da procura e da compra seja da responsabilidade de famílias portuguesas, o interesse e aposta do mercado estrangeiro em Portugal também contribuiu para o aumento dos preços dos imóveis no mercado nacional.

O capital estrangeiro teve um peso relevante no imobiliário em Portugal em 2019. Os investidores internacionais foram responsáveis por 78% do montante aplicado em imóveis, de acordos com os dados da consultora Cushman & Wakefield publicados num estudo.  

O ano 2020 arrancou da melhor forma para o setor imobiliário e prometia ser um dos melhores anos de sempre. Contudo, a pandemia provocada pelo novo Coronavírus, veio abrandar e gerar um clima de grandes incertezas neste setor.  

Começou a especular-se que existiria uma descida nos preços do imobiliário e, por este motivo, muitos portugueses acabaram por adiar a compra do seu imóvel.  E este contexto reflectiu-se na dinâmica do setor. Houve uma quebra significativa nas transações, mas não nos preços, pelo menos para já. E ainda não é esperado um ajuste de preços significativo, uma vez que ainda que continua a existir mais procura do que oferta.

Figuras de casas e prédios em madeira ao lado uma lupa

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O mercado imobiliário português continua bastante atrativo 

Apesar de o impacto do confinamento provocado pelo Coronavírus, os investidores estrangeiros não perderam o interesse em Portugal e algumas mediadoras imobiliárias já registam crescimento no segmento internacional, de acordo com a informação recolhida pelo Jornal Económico, o que aponta para uma retoma deste segmento.

O interesse estrangeiro pelo mercado imobiliário não vai desaparecer por completo. Pode haver projetos adiados, investimentos congelados, mas o imobiliário tenderá a recuperar e o interesse externo deverá ganhar nova força e atenuar algumas quebras no setor.  

Nos próximos meses antecipamos o "regresso dos investidores estrangeiros" ao mercado nacional e "uma retoma da forte procura do início do ano", claro, que tudo isto "depende da duração da pandemia e da retoma económica", salienta Cláudio Santos, CCO e partner do Doutor Finanças. 

Segundo a Cushman & Wakefield, há cerca de sete mil milhões de euros disponíveis para investir no mercado nacional, de acordo com um inquérito realizado entre os dias 6 e 17 de maio a 53 investidores e cujas conclusões foram publicadas no dia 6 de julho.  A consultora acrescenta ainda que “muitos investidores demonstram a sua disponibilidade para negócios oportunistas nesta altura, enquanto que os players mais conservadores aguardam ainda para ver o desenrolar da situação, estando, contudo, prontos para investir num futuro próximo”. 

Leia ainda: Covid-19 não parou o mercado imobiliário no primeiro semestre de 2020 

Contudo... 

Muitos estarão à espera para ver a evolução da pandemia, o que deverá continuar a pesar no número de transações, mas os negócios continuam a ser feitos. Os últimos dados revelam mesmo que "o primeiro semestre de 2020 registou um novo máximo histórico semestral" no investimento imobiliário, tendo sido transacionados 1.370 milhões de euros em imobiliário comercial, revela a consultora Cushman & Wakefield através do COVID-19 Portugal Market Update, onde analisa as implicações da atual pandemia nos vários setores do mercado imobiliário português.

Este recorde foi sustentado pelo segmento comercial, com a venda de 50% da joint-venture Sierra Prime pela Sonae Sierra e APG à Allianz Real Estate e Elo, a ser realizada por cerca de 800 milhões de euros.

Uma vez que o nível de incerteza é tão elevado, a duração e a evolução da pandemia podem ditar outra resposta para a evolução da economia, do desemprego, e de outras medidas de apoio às famílias, que podem ajudar ou penalizar a atividade imobiliária. 

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