Finanças pessoais

Trabalhador independente: dicas para gerir rendimentos irregulares

É trabalhador independente com rendimentos irregulares? Saiba como melhorar as suas finanças pessoais com as nossas dicas.

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Trabalhador independente: dicas para gerir rendimentos irregulares

É trabalhador independente com rendimentos irregulares? Saiba como melhorar as suas finanças pessoais com as nossas dicas.

Se é trabalhador independente com rendimentos irregulares sabe que nem sempre é fácil gerir as finanças pessoais, principalmente quando se trabalha por projetos a curto prazo. E para alguns profissionais, a falta de estabilidade de rendimentos leva a uma má gestão financeira, que pode ser bastante prejudicial nos meses onde os rendimentos são muito baixos ou até nulos.

Por isso, é fundamental que os trabalhadores independentes com rendimentos irregulares aprendam a gerir as suas finanças da melhor forma possível, utilizando métodos e estratégias que os auxiliem nos meses em que existe uma quebra acentuada de faturação. Caso esteja a pensar que precisa de ajuda para gerir melhor as suas finanças, não se preocupe, pois de seguida apresentamos-lhe algumas dicas que o vão ajudar a gerir melhor os seus rendimentos e a criar alguma estabilidade financeira.

Ser trabalhador independente requer organização financeira

Antes de passarmos às dicas para ajudar a melhorar a gestão das suas finanças enquanto trabalhador independente, é fundamental que perceba que ao não ter um vencimento fixo vai precisar de ter cuidados acrescidos na hora de gerir as suas finanças. E para quem nunca teve este tipo de cuidado, a gestão mensal do dinheiro pode ser um verdadeiro desafio.

Por isso, aconselhamos que comece a aprender um pouco mais sobre finanças pessoais, sobre métodos de poupança e até de investimento. Afinal, quanto mais literatura financeira possuir, mais probabilidade tem de melhorar a saúde das suas finanças.

Nove dicas para gerir melhor as suas finanças

1 - Faça contas aos seus rendimentos

Embora possa parecer uma dica óbvia, muitos trabalhadores independentes com rendimentos irregulares não fazem contas aos seus rendimentos. Ou seja, lidam com os rendimentos conforme os mesmos entram nas suas contas bancárias. Mas se pretende melhorar as suas finanças, é fundamental saber o valor das suas receitas ou estar a par da média dos seus vencimentos. Caso contrário, corre sempre o risco de gastar mais nos meses que ganha melhor e ficar num sufoco financeiro nos meses que recebe menos.

No entanto, como os seus rendimentos variam bastante, para ficar com uma ideia dos seus rendimentos deve tentar fazer uma estimativa baseada nos rendimentos obtidos nos últimos 6 ou 12 meses. E isto porquê? Porque ao apurar a média dos seus rendimentos pode gerir melhor o seu dinheiro a longo prazo, identificar o valor que pode gastar mensalmente, mas também planear melhor o pagamento de despesas, sejam estas pessoais ou profissionais.

2 - Defina sempre o seu ordenado

Depois de fazer uma estimativa dos seus rendimentos a 6 ou 12 meses, encontrou o valor médio dos seus rendimentos. E independentemente do valor apurado, é muito importante que com este defina o montante do seu ordenado. Esta estratégia não só ajuda-o a lidar com as suas finanças pessoais, como também cria uma sensação de maior estabilidade financeira.

Imagine que anteriormente ganhava 1.500 euros mensais durante um período de 6 meses. No entanto, nos restantes 6 meses, os seus rendimentos mensais eram de 500 euros. Ou seja, a soma dos seus rendimentos durante 12 meses daria um total de 12.000 euros (1.500*6+500*6= 9.000+3.000). Se dividir os 12.000 euros por 12 meses, fica com uma média de rendimentos de 1.000 euros. Contudo, não se pode esquecer que a estes valores vai ter que retirar as suas obrigações fiscais e contributivas. Apenas quando fizer as contas dos impostos e contribuições que tem a pagar é que deve definir o valor do seu ordenado.

Lembre-se que enquanto trabalhador independente não há direito ao pagamento de subsídio de férias ou de natal. Por isso, se quiser organizar as suas finanças de modo a reservar algum dinheiro para as suas férias ou natal, depois de retirar o valor para o pagamento das suas obrigações, faça a divisão por 14 meses.

3 - Faça um orçamento para contornar os rendimentos irregulares

Se já apurou qual será o seu ordenado médio mensal, então aconselhamos que faça um orçamento familiar. No portal do Doutor Finanças já falámos inúmeras vezes da importância de criar um orçamento, pois é uma das melhores soluções para controlar as suas finanças. Por isso, reserve algum tempo para identificar as suas receitas e despesas, e não se esqueça da importância de reservar um valor para as suas poupanças. É importante que ao longo do tempo vá atualizando o seu orçamento familiar, sempre que as suas receitas e despesas sofram alterações relevantes.

Ler ainda: 7 erros mais cometidos na gestão do orçamento familiar

4 - Um fundo de emergência é essencial quando é um trabalhador independente com rendimentos irregulares

Embora a criação de um fundo de emergência seja muito importante para todos os trabalhadores, quando se é trabalhador independente com rendimentos irregulares é prioritário e essencial. Caso não saiba o que é um fundo de emergência, de uma forma muito resumida é um pé de meia que serve para situações imprevistas ou de maior instabilidade.

Na prática, um fundo de emergência deve cobrir no mínimo as suas despesas durante 6 meses. Por isso, se as suas despesas mensais são, por exemplo, de 700 euros, o seu fundo de emergência deve ser de 6 vezes esse valor, ou seja, 4.200 euros. E como é que pode juntar esse valor com alguma facilidade, reservando uma percentagem do seu ordenado para esse fundo. O mais importante não é um valor mensal que coloca no seu fundo, mas sim o hábito de poupar para o mesmo. Claro que quanto maior for o valor que transferir para o seu fundo de emergência, mais rápido chegará ao montante mínimo ideal.

Caso a sua situação financeira o permitir, crie um fundo de emergência que cubra o valor das suas despesas durante 12 meses. Embora este requeira um maior esforço na sua gestão financeira, esta quantia vai garantir-lhe uma maior segurança e estabilidade num período de maior dificuldade em arranjar clientes.

5 - Avalie se vale a pena ter mais que uma conta bancária

Ter mais que uma conta bancária pode ser uma ótima estratégia na gestão das suas finanças. E isto porquê? Porque se tiver por exemplo três contas bancárias, pode dividir os seu dinheiro por uma conta pessoal, uma conta profissional e uma conta reservada para as suas poupanças ou fundo de emergência.

Para a conta bancária pessoal deve ser transferido o montante que vai fazer face às suas despesas mensais fixas, mas também as despesas de lazer. Já para a conta profissional deve transferir o valor que precisa para pagar os seus impostos, despesas com a sua atividade, subcontratação de serviços, caso se aplique, e até um montante reservado para investir no seu desenvolvimento pessoal e profissional. Por fim, na conta bancária para as suas poupanças pode transferir o valor que reservou para o seu fundo de emergência ou para outras poupanças que deseje.

Atualmente, existem algumas entidades bancárias que não cobram comissões de manutenção, o que torna mais vantajosa esta estratégia de gestão financeira. No entanto, esta é apenas uma opção que facilita a gestão do seu dinheiro. Caso não ache necessário, poderá gerir as suas finanças a partir de uma ou duas contas bancárias, mas deve ter sempre atenção para não utilizar o dinheiro previsto para determinados objetivos.

Ler mais: Como manter as finanças pessoais separadas das contas da empresa

6 - Aprender a poupar com rendimentos irregulares é fundamental

Já aqui falámos na importância da poupança, seja através de reservar um valor do seu orçamento ou através da criação de um fundo de emergência. No entanto, para muitas pessoas poupar não é uma tarefa assim tão simples. Por isso, é importante que se informe sobre algumas estratégias de poupança que existem.

Um dos exemplos mais conhecidos, passa por dividir o dinheiro do seu orçamento familiar em três, através da regra dos 50/30/20. Ou seja:

  • 50% – Deve ser aplicado para pagar despesas básicas e relacionadas com o seu negócio.
  • 30% – Deve estar reservado para as suas despesas pessoais não essenciais. Por exemplo, as idas a restaurantes, cinema, despesas com subscrições mensais ou qualquer tipo de despesa que não seja essencial à sua sobrevivência.
  • 20% – Do seu dinheiro deve ser aplicado em poupanças.

Contudo, esta é apenas uma estratégia de poupança, que numa fase inicial pode não ser viável devido ao esforço que implica. E não há problema nenhum nisso. O importante é que comece a informar-se sobre estratégias para poupar, como diminuir alguns custos, e outras formas de melhorar o futuro da sua vida financeira. Se lhe faltar disciplina numa fase inicial, pode sempre adotar alguns métodos mais divertidos para poupar, como por exemplo desafios de poupança. Afinal, numa fase inicial a maioria das estratégias são boas para poupar. Contudo, a longo prazo, é importante que estabeleça um regime de poupança mais sério, que lhe permita ter hábitos de poupança fixos.

7 - Antecipe-se ao fim dos contratos ou projetos

Deixar os contratos ou projetos chegarem ao fim para depois tentar renová-los ou angariar novos clientes é um erro muito comum de muitos trabalhadores independentes. E porque é que isto é um erro? Porque angariar clientes e fazer novas propostas demora tempo. E se deixar os contratos ou projetos terminarem para depois focar-se numa renovação ou nova angariação vai acabar por ficar sem rendimentos durante algum tempo. O mesmo se aplica quando a carteira de clientes é constituída por apenas um grande cliente, e este não renovar o contrato.

Por isso, é muito importante que enquanto trabalhador independente consiga gerir bem a sua carteira de clientes e antecipar este tipo de situações. Para evitar que tal aconteça no futuro, o melhor é trabalhar o seu marketing e com alguma antecedência contactar potenciais clientes. Lembre-se que este processo por vezes é demorado, e pode requerer algum investimento.

8 - Cuidado com os prazos das suas obrigações fiscais e contributivas

Por vezes, gerir prazos das obrigações fiscais e contributivas sem margem de erros é uma tarefa complicada. E sempre que deixa passar alguns prazos de algumas obrigações, por norma relacionadas com a Autoridade Tributária, existe sempre a possibilidade de pagar coimas.

Para evitar ter despesas desnecessárias com coimas, o ideal é fazer um calendário das suas obrigações contributivas e fiscais e agendar alertas ou notificações para não se esquecer das mesmas. Caso precise de consultar as datas limites das suas obrigações, no Portal das Finanças pode encontrar a Agenda Fiscal que contém todas as datas que precisa saber. O mesmo acontece no site da Segurança Social, onde pode consultar as datas relacionadas com as obrigações contributivas, no separador dos Trabalhadores Independentes.

9 - Use aplicações para ajudar a manter as suas finanças organizadas

Por fim, para o ajudar a gerir melhor as suas finanças e a manter tudo organizado, existem inúmeras aplicações que são um ótimo auxílio. Além deste tipo de aplicações serem muito úteis para organizar os seus gastos, muitas destas apps emitem relatórios que o ajudam a perceber onde pode diminuir as suas despesas. E ao ter acesso a esta informação através do seu telemóvel pode manter as suas finanças organizadas em tempo real e corrigir alguns dados sempre que seja necessário.

Lembre-se que numa fase inicial, pode ter algumas dificuldades em organizar as suas finanças pessoais e não há nada de errado nisso. O mais importante é que adote bons métodos e estratégias que a curto, médio e longo prazo melhorem significativamente a sua vida financeira.

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