Orçamento Familiar

7 erros mais cometidos na gestão do orçamento familiar

Na gestão do orçamento familiar, para manter o equilíbrio, saiba que erros deve evitar. Programar, poupar e ajustar despesas são algumas dicas.

Luisa Barreira Luisa Barreira , 17 Junho 2019

Manter o controle na gestão do orçamento familiar pode não ser tarefa fácil, principalmente se estivermos a falar de um “recém-nascido” agregado familiar. 

Por vezes, a falta de experiência, nesta fase da vida, pode levar a erros financeiros. Se não forem devidamente identificados e corrigidos, podem levar ao desequilíbrio do orçamento familiar, com consequências graves. 

Por outro lado, apesar de já termos vivenciado períodos económicos, ainda assim, algumas destas famílias continuam a cometer nos mesmos erros, destabilizando o orçamento do seu agregado familiar. 

Para que não cometa erros no seu orçamento familiar, deixamos-lhe 7 erros mais comuns a evitar.

1. Não reservar parte do rendimento para uma conta poupança.

pessoa a trabalhar no portátil com a calculadora ao lado

Como diz o velho ditado, “no poupar é que está o ganho”. Portanto é fundamental que uma parte das receitas do agregado familiar seja para constituir uma poupança. 

Muitas famílias planeiamo seu orçamento mensal sem contemplar esta vertente. Assim, é importante reservar, pelo menos, 10% do rendimento auferido. Desta forma poderão garantir um fundo de reserva para eventuais emergências. 

Se começar a poupar, terá assegurada uma boa “almofada financeira”, que poderá, caso surja algum imprevisto (como doença, desemprego, despesas inesperadas) recorrer a ela. Ou então assegurará uma reforma mais tranquila. O ideal é optar por uma poupança automática, onde o valor é retirado automaticamente pelo seu banco, no início de cada mês, para uma conta poupança.  

Ler mais: 10 dicas de poupança que o/a vão ajudar a rentabilizar o seu dinheiro

2. Não elaborar uma planificação do orçamento mensal familiar.

Este é, sem dúvida, um dos maiores erros cometidos. Pois se não souber para onde vai o dinheiro das receitas mensais e se não tiver a noção de quanto gasta, a tendência será contrair mais dívidas que aquelas que pode pagar. 

Sem um mapeamento de todas as suas despesas mensais não sabemos onde gastamos o nosso dinheiro e não podemos ver onde podemos poupar ao renegociar determinadas despesas. 

Assim, é urgente que aprenda a elaborar o seu orçamento mensal. É muito importante que tenha a noção de todas as suas fontes de receitas, bem como, o conhecimento de todas as despesas fixas e variáveis que tem ao longo do mês. Comece por elaborar uma tabela onde constem todas as receitas e onde vai anotando, ao longo do mês, todas as despesas do seu agregado.

Desta forma terá uma noção clara de quais as despesas onde pode cortar e de que forma pode aumentar os seus rendimentos, podendo assim definir melhor quanto pode gastar e em quê e qual a margem para constituição de uma poupança. 

3. Uso desregrado de cartões de crédito.

Hoje em dia o acesso aos cartões de crédito é muito facilitado. Por isso, se tem um cartão deste género, veja se é mesmo necessário e faça um uso responsável do mesmo. As compras feitas através deste sistema requerem uma gestão atenta e regrada, pois a “tentação” de compras mais extravagantes e por impulso são mais facilitadas por esta via. 

Se tem o hábito de parcelar o pagamento do seu cartão de crédito, pois ao parcelar, vai incorrer no pagamento de juros, acumulando, aos poucos, uma grande dívida no cartão, pois deixa de ter uma visão real de quanto já gastou e do que ainda deve. 

Se tem que usar um cartão deste género, tente não parcelar o pagamento, pague a dívida do cartão no prazo estipulado, para não incorrer no pagamento de juros. Se for necessário e para não deixar passar o prazo dentro do qual não paga juros, recorra ao débito direto e assegure-se sempre que planeia o seu orçamento de modo a que nessa data tenha o dinheiro necessário para “cobrir” essa despesa.

Ler mais: Crédito – como regularizar as dívidas do cartão de crédito?

4. Acumular dívidas.

Com a formação de uma família vem a compra da casa, do carro, das mobílias, as viagens de férias. Aos poucos estas dívidas vão acumulando e podem tornar-se incomportáveis e aniquilar o orçamento familiar. 

Não compre mais do que aquilo que pode. Cada opção de compra tem que ser bem ponderada e de acordo com as suas possibilidades financeiras, para não sobrecarregar o orçamento familiar. Se no final do mês sobra pouco dinheiro ou até mesmo nenhum, deve reformular os seus hábitos de consumo para ter um melhor orçamento. 

Fique com a noção que a sua taxa de esforço. Não deve exceder os 35% do total dos rendimentos auferidos, caso contrário a extrapolação desta percentagem pode levar ao sobreendividamento. 

5. Ignorar pequenos gastos do dia a dia.

Aquando da elaboração do orçamento mensal, é muito comum contemplarmos as despesas que representam um maior volume a nível de gastos. Contudo, esquecemo-nos de incluir despesas do dia-a-dia, que mesmo sendo mais pequenas o seu somatório constitui um gasto significativo de dinheiro no final do mês. 

Por isso quando elaborar o seu orçamento entre em linha de conta com estas despesas e defina, se achar melhor, um valor diário ou semanal, de quanto pode gastar, evitando surpresas desagradáveis no final do mês. 

6. Não comunicar as leituras.

Fornecer as leituras da eletricidade, água e gás é muito importante, pois desta forma pagará o valor real do que consumiu e não uma estimativa feita pela empresa, que por vezes pode ser muito superior ao que realmente consome. No entanto, a maior parte das famílias não o faz, ou por esquecimento ou porque simplesmente não tem, por norma, este hábito. 

Tenha em atenção que as faturas contemplam o dia ideal para comunicar as leituras à empresa; por isso coloque um lembrete no telemóvel, por exemplo, dos dias em que tem que fornecer as leituras, para que o valor a pagar seja o mais real possível. 

Ler mais: Como poupar na fatura da luz e no aquecimento

7. Considerar os gastos fixos mensais como inalteráveis.

rapariga a trabalhar no computador

São considerados gastos fixos os relativos à renda ou prestação da casa, prestação do carro (caso exista), fatura da água, eletricidade, gás ou telecomunicações, gastos mensais na alimentação.

Estes gastos apesar de serem inevitáveis, não pode encará-los como sendo inalteráveis. Se os seus rendimentos não acompanharem o sucessivo aumento do custo de vida, tem que procurar alternativas para reduzir o valor destes gastos fixos.

Por exemplo, optar por uma habitação com um custo de aluguer menor; renegociar o spread com o seu banco, no caso de ter um crédito habitação. Tentar reduzir a conta de supermercado ou renegociar o seu contrato de telecomunicações.

A par da contenção nos gastos, procure também aumentar os seus rendimentos, podendo fazer de um hobbie seu um part time.

Em jeito de conclusão, para que o dinheiro, que lhe custa tanto a ganhar, seja realmente bem gerido é necessário elaborar um orçamento e mantê-lo equilibrado, para que tenha um real controle das suas finanças pessoais. 

Envolva toda a família nesta missão e em conjunto desenvolvam os esforços e estratégias necessárias para melhorar o orçamento familiar. 

Procurem, em conjunto, criar rotinas e hábitos que levem à poupança e a uma gestão otimizada das receitas do agregado. É realmente algo trabalhoso para todos, mas no final de contas compensa muito! 

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