Imagem de notas e moedas com uma chave de uma habitação, representante de altas rendas

Os dados do primeiro relatório do Observatório Imobiliário em Portugal, produzido pelo Doutor Finanças, mostram um país a várias velocidades no mercado do arrendamento. As rendas mais caras chegam a ser quatro vezes superiores às mais baratas.

De acordo com o Observatório criado e operacionalizado pelo Doutor Finanças para sistematizar e divulgar indicadores estatísticos fiáveis sobre o mercado residencial, a 1 de janeiro de 2026, o preço médio das rendas listadas no mercado foi de 16,54 euros por m². Ou seja, em média, o valor de renda pedido para uma casa de 100 m² era de 1.640 euros por mês.

Apenas um distrito – Lisboa – está acima da média nacional, com um valor médio de 20,89 euros por m². Mas o facto de a capital concentrar cerca de 48% de todos os anúncios de arrendamento nas plataformas de imobiliário faz disparar a média nacional para valores bem distantes daqueles que se praticam na maioria dos distritos.

Rendas mais caras abaixo do Tejo

Olhando para o mapa do arrendamento em Portugal, são claras algumas tendências. Depois de Lisboa – e bem perto do valor médio nacional – surgem a Região Autónoma da Madeira (16,15 euros/m²) e Faro (16,07 euros/m²). Segue-se o Porto, com 14,04 euros/m², que é o único distrito acima do Tejo com valores superiores a 10 euros/m².

Além do Porto, na faixa entre os 10 e os 15 euros/m² estão Setúbal (13,55 euros/m²), Évora (12,00 euros/m²), Beja (10,95 euros/m²) e a Região Autónoma dos Açores (10,63 euros/m²).

Todos os outros distritos do país estão abaixo dos 10 euros/m² e dois deles estão mesmo abaixo dos 6 euros/m²: Vila Real (5,18 euros/m²) e Viseu (5,21 euros). Ou seja, nestes dois distritos os valores de arrendamento são cerca de um quarto dos praticados em Lisboa.

Distrito

Preço por m2 (a 1/01/2026)

Açores (Região Autónoma)

10,63 €

Aveiro

8,84 €

Beja

10,95 €

Braga

8,91 €

Bragança

6,29 €

Castelo Branco

7,08 €

Coimbra

8,87 €

Évora

12,00 €

Faro

16,07 €

Guarda

6,11 €

Leiria

8,72 €

Lisboa

20,89 €

Madeira (Região Autónoma)

16,15 €

Portalegre

6,38 €

Porto

14,04 €

Santarém

7,93 €

Setúbal

13,55 €

Viana do Castelo

8,29 €

Vila Real

5,18 €

Viseu

5,21 €

Média nacional

16,54 €

Cascais, Lisboa e Loulé entre os municípios com rendas mais caras

Quando se analisam os valores de arrendamento por município, as disparidades são ainda bem maiores. Este facto pode ser explicado pelo número mais reduzido de anúncios em cada município. Como o Observatório tem como base os anúncios disponíveis nas plataformas de imobiliário, um número pequeno de imóveis com valores particularmente elevados ou baixos tem maior impacto nos resultados.

Assim, o município que regista um valor por m² mais elevado do país é Mora, no distrito de Évora, com 34,39 euros/m². No entanto, este município apresenta um único imóvel listado. Com um valor de 29,81 euros/m², a Calheta, na Madeira, poderá ser outro caso de preços inflacionados pelo escasso número de imóveis, embora sejam quatro, neste caso.

Bem mais robustos estatisticamente são os números relativos ao terceiro, quarto e quinto municípios com valor de arrendamento mais caro: Cascais (25,90 euros/m²), Lisboa (21,14 euros/m²) e Loulé (20,29 euros/m²). Em Cascais e Lisboa há centenas de imóveis no mercado, e mais de 70 em Loulé.

Diferenças de três vezes dentro de Lisboa e do Porto

No interior dos dois distritos mais populosos do país, as diferenças entre municípios também são muito significativas. Em Lisboa, apenas a própria capital e Cascais estão acima dos 20 euros/m², seguindo-se:

  • Oeiras (17,34 euros/m²)
  • Amadora (15,73 euros/m²)
  • Sintra (15,66 euros/m²)
  • e Odivelas (15,45 euros/m²).

No fundo da tabela ficam municípios do Oeste:

  • Cadaval (7,46 euros/m²)
  • Arruda dos Vinhos (8,00 euros/m²)
  • Sobral de Monte Agraço (8,24 euros/m²)
  • e Torres Vedras (8,74 euros/m²).

No distrito do Porto, é o próprio município sede de distrito que lidera (15,68 euros/m²), seguido por:

  • Matosinhos (13,45 euros/m²)
  • Vila Nova de Gaia (12,78 euros/m²)
  • Trofa (11,56 euros/m²)
  • e Maia (11,45 euros/m²).

Bem mais baixos são os valores das casas para arrendar em Felgueiras (5,80 euros/m²), Lousada (6,47 euros/m²) e Marco de Canaveses (7,22 euros/m²).

Ler ainda: Observatório Imobiliário: Casas em Lisboa sete vezes mais caras do que na Guarda

Perguntas frequentes

O Observatório Imobiliário em Portugal é uma ferramenta criada e operacionalizada pelo Doutor Finanças com o objetivo de sistematizar e divulgar dados fiáveis sobre o mercado residencial em Portugal, permitindo uma leitura clara das dinâmicas de preços, oferta e acessibilidade à habitação.
Baseia-se na análise contínua de anúncios imobiliários de venda e arrendamento, cruzados com estatísticas oficiais do INE, cobrindo todo o território nacional, com detalhe por distrito e município.

O Observatório recolhe e trabalha dados sobre:

  • Preços de venda por m² (apartamentos e moradias);
  • Valores de arrendamento por m²;
  • Acessibilidade à habitação, através do Índice de Acessibilidade Habitacional, que relaciona rendimento médio das famílias com prestações de crédito;
  • Oferta disponível (número de imóveis em venda/arrendamento);
  • Dinâmica do mercado.

Estes indicadores são atualizados regularmente e permitem acompanhar tendências nacionais, distritais e municipais.

A informação resulta da recolha automática e contínua de anúncios imobiliários online, posteriormente tratada para garantir consistência estatística.
É complementada com dados oficiais, sobretudo do INE, para criar uma base de dados “viva”, fiável e representativa do mercado.

O Observatório destaca-se porque:

  • Atualiza dados de forma contínua;
  • Cobre simultaneamente venda, arrendamento e acessibilidade, oferecendo uma visão integrada;
  • Desagrega informação por distrito, município e freguesia, permitindo comparações locais mais rigorosas;
  • Foi criado para resolver a fragmentação e dispersão de informação imobiliária existente no mercado, contribuindo para maior transparência.

A informação que consta no artigo não é vinculativa e não invalida a leitura integral de documentos que suportem a matéria em causa.

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